Exclusivo Banco Montepio paga dividendo de 30 milhões à mutualista

Banco volta a entregar dividendos à Associação Mutualista pelo segundo ano seguido. Auditor renovou reservas nas contas do grupo liderado por Virgílio Lima por causa dos créditos fiscais.

Pelo segundo ano seguido, o Banco Montepio vai pagar dividendos ao seu acionista. O banco liderado por Pedro Leitão prepara-se para entregar cerca de 30 milhões de euros à Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), de acordo com as informações recolhidas pelo ECO.

O banco retomou a política de dividendos no ano passado, depois de uma longa travessia no deserto, tendo distribuído uma quantia simbólica de seis milhões de euros. Agora, e depois de ter quadruplicado o resultado para 110 milhões de euros em 2024, deverá reforçar o dividendo, prevendo entregar cerca de 30% dos lucros.

A proposta ainda tem de ser aprovada em assembleia geral de acionistas e encontra-se dependente da autorização dos reguladores.

A mutualista não quis comentar o assunto, mas o valor dos dividendos foi mencionado pelo presidente Virgílio Lima na assembleia de representantes da passada segunda-feira e que aprovou os resultados individuais da instituição relativos a 2024, segundo adiantaram as fontes consultadas pelo ECO. O banco também não respondeu.

Banco valoriza 120 milhões

A associação mutualista, a maior do país com mais de 600 mil associados, alcançou lucros de 210 milhões de euros no ano passado, quase duplicando em comparação com o ano anterior.

Para o bom desempenho contribuiu em grande medida o aumento da margem associativa, mas também a forte recuperação de perdas por imparidade relacionadas com o banco ajudou a puxar pelos resultados da mutualista, um cenário esperado devido à subida das taxas de juro.

Tanto a AMMG como o Banco Montepio já ultrapassaram a fase de emergência com que se defrontaram nos últimos anos, mas ambas ainda têm pela frente um quadro financeiro desafiante. Reflexo disso mesmo está espelhado no valor a que o banco está registado no balanço da mutualista: estão lá aplicados 2,4 mil milhões de euros, mas a participação está avaliada em apenas 1,68 mil milhões.

No ano passado foi possível recuperar 120,6 milhões da imparidade associada ao banco, mas a AMMG continua a registar perdas potenciais de quase 700 milhões.

Mesmo a atual avaliação que a mutualista dá ao banco é desafiada pelo auditor, que manteve a chamada “ênfase” em relação a este assunto na certificação legal de contas que acompanha o relatório e contas a que o ECO teve acesso. A entidade liderada por Virgílio Lima considera o “valor de uso” do banco na avaliação que faz, algo que a PwC contesta.

Auditor volta a contestar DTA

A avaliação do banco não é a única divergência entre a AMMG e o auditor. A PwC também manteve as reservas em relação ao valor dos ativos por impostos diferidos (DTA), que totalizaram os 943 milhões de euros no final do ano passado, correspondendo a mais de 20% do ativo da associação.

O auditor defende que a mutualista não “demonstra capacidade para gerar resultados tributáveis suficientes que permitam recuperar parte substancial dos DTA registados”, considerando que se encontram sobreavaliados “por um montante materialmente relevante”.

O braço-de-ferro é antigo. Desde 2020 que AMMG e PwC mantêm esta divergência em relação aos créditos fiscais criados em 2017, ainda no tempo de Tomás Correia.

Na altura, a oposição interna criticou esta operação por considerar que se tratou de um truque fiscal e contabilístico para esconder o desequilíbrio entre ativos e passivos da instituição. Sem estes DTA, estaria numa situação de falência técnica.

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