Data center da Altice? “Estamos a olhar para outras oportunidades”, diz CEO da Start Campus
À margem da inauguração do primeiro edifício no megacentro de dados em Sines, Robert Dunn afirma ao ECO que os eventuais investimentos ainda se encontram numa fase de 'due diligence'.
O CEO da Start Campus admitiu esta sexta-feira que a empresa está a explorar mais oportunidades de investimento em Portugal além de Sines, onde está em construção um megacentro de dados que traz para o país mais de 30 mil milhões de euros.
“Estamos a olhar para algumas outras oportunidades tanto em Portugal como lá fora. Neste momento, não posso relevar nenhuma porque ainda está em due diligence [diligência prévia]”, afirmou Robert Dunn quando questionado pelo ECO sobre o interesse na compra do data center Altice na Covilhã.
O ECO sabe que a Start Campus tentou adquirir o data center da Covilhã no ano passado, que se encontra no mercado há alguns anos, mas o processo acabou por cair. Fonte oficial desmentiu ter estado envolvida nestas negociações.
Os especialistas contactados defendem que este ativo tem uma série de vantagens, entre as quais o facto de estar perto da Serra da Estrela, que é uma zona de refrigeração natural (recursos para cooling são essenciais nestes projetos), pouca atividade sísmica – logo, menor risco para a estabilidade das infraestruturas – e proximidade à universidade (Universidade da Beira Interior).
Porém, existe uma inconveniência relevante neste mercado: falta de conectividade por estar longe das zonas de amarração dos cabos submarinos.
A Altice retomou a venda do centro de processamento de dados que se localiza no distrito de Castelo Branco, na Beira Baixa, segundo o Jornal Económico. Criado em 2013, este espaço está organizado por quatro blocos principais e um de suporte, perfazendo uma área total de 75.500 metros quadrados.
A infraestrutura é composta por 24 salas com capacidade para instalar mais de 50 mil servidores ligados à rede de fibra ótica. O valor base estará entre os 100 e os 200 milhões de euros.
Sem Governo A ou B, campus de Sines é “obra de Portugal”
Perante os representantes da embaixada dos Estados Unidos, que serviram de “chapéu” para o investimento da norte-americana Davidson Kempner (DK), o Governo deixou no Mercado do Bolhão o tom de campanha eleitoral e apressou-se a deixar uma palavra de apreço ao anterior Executivo, de onde partiu o projeto multimilionário em Sines.
“Estamos aqui com humildade. Esta perenidade [projetos que ultrapassam ciclos políticos] começou no anterior Governo e acaba neste. Esta não é uma obra do XXIV Governo nem do XXIII. É uma obra de Portugal”, afirmou o ministro das Infraestruturas. Miguel Pinto Luz fez mesmo referência ao trabalho desenvolvido pelos ex-ministros João Galamba, que “voltou a colocar a política portuária no centro da ação política”, e António Costa e Silva, apesar das “divergências”.
“Esta é a visão neste momento: apostar na economia e nos empresários, remunerando o risco desses empresários que arriscam. É assim que os convidamos a fazer mais investimento”, assinalou Miguel Pinto Luz. Por sua vez, o ministro da Economia, Pedro Reis, considerou que o facto de o investimento atravessar várias legislaturas mostra “continuidade” e, consequentemente, “futuro”.
A Start Campus esteve envolvida na Operação Influencer, que ditou a queda do Governo de António Costa por alegadas diligências com políticos para agilizar o licenciamento do centro de dados na zona industrial e logística de Sines.
Robert Dunn está na liderança da empresa desde então, na sequência da saída dos ex-administradores Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, ambos constituídos arguidos na operação do Ministério Público que levou à demissão do antigo primeiro-ministro.
O primeiro edifício do maior centro de dados em Portugal foi inaugurado esta sexta-feira num evento que contou com a presença do Governo, da embaixada dos Estados Unidos, de agências públicas ligadas ao investimento externo e ambiente, da nova administração do Porto de Sines e personalidades como o engenheiro João Talone.
O espaço, com 26 megawatts (MW) de capacidade, é o primeiro de seis no campus em Sines que terá até 1,2 gigawatts (GW). Este edifício (SIN01) está preparado para tecnologias cloud (nuvem), Inteligência Artificial e elevada performance de computação. Segue-se um outro edifício, cuja construção começa em maio ou junho e terá 180 MW.
A Start Campus, sociedade conjunta detida pela DK e pela Pioneer Point Partners, tem em mãos o maior investimento em data centers em Portugal, no valor total de 8,5 mil milhões de euros. O projeto Sines DC localiza-se junto à central termoelétrica da EDP que foi desativada em 2021, será movido 100% a energia renovável, mas só ficará concluído em 2030.
Os próximos edifícios (mais cinco) tornarão este campus no maior do setor na Europa.
Notícia atualizada a 05-04-2024 com retificação de MW e comentário da empresa
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