Em tempo de tarifas, setor da metalomecânica aposta na descarbonização para se diferenciar

  • ECO
  • 2 Abril 2025

O aumento das taxas aduaneiras dos EUA sobre o aço e alumínio e a incerteza regulatória sobre as normas europeias de sustentabilidade foram o tema do quarto think tank sobre inovação energética.

Os últimos cinco anos têm sido particularmente desafiantes para a sociedade, mas em particular para as empresas que tentam navegar entre a maré brava que tem sido a política e a economia mundiais. Depois de uma pandemia e duas guerras, a Europa enfrenta agora as consequências de uma guerra comercial iniciada em Washington, que nas últimas semanas confirmou a intenção de impor tarifas a parte das exportações com origem na União Europeia.

O sector metalomecânico é um dos mais afetados pelo agravamento aduaneiro e foi o tema central do quarto e último episódio do Think Tank da Helexia Portugal, com a Deloitte e a PLMJ, que teve o ECO como media partner. A conversa moderada por André Veríssimo, subdiretor do ECO, contou com a participação de Inês Costa, associate partner da Deloitte, Madalena Perestrelo de Oliveira, consultora sénior da PLMJ, Luís Pinho, diretor-geral da Helexia Portugal, e Pedro Teixeira, partner e CEO do Fapricela Group.

Há mais de 25 anos que o Fapricela Group exporta para os Estados Unidos, o que torna esta questão das tarifas “um tema que nos preocupa pelo impacto que pode ter”, explica o líder empresarial. Para Pedro Teixeira, esta realidade acrescenta um desafio à competitividade da empresa portuguesa, desde logo pelo aumento de preços. “Os EUA, de uma semana para a outra, subiram mais de 20% o preço destes produtos”, aponta.

Com início em abril, os EUA vão aplicar uma taxa de 25% sobre o aço, o alumínio e produtos derivados importados, afetando diretamente empresas portuguesas como a Fapricela. “Obviamente este é um tema que nos preocupa pelo impacto que pode ter no setor”, reconhece.

Por outro lado, o recuo norte-americano nas políticas de sustentabilidade é sinal de preocupação para o mundo e, em particular, para a Europa. “O que as empresas mais temem é a instabilidade”, acrescenta Inês Costa. A consultora da Deloitte refere-se não apenas às tarifas e ao negacionismo institucional nos EUA, mas também à “revisão da regulação ao nível da UE”, que fazem com que as empresas “se retraiam”. “O risco financeiro é real” para as organizações que esqueçam a sustentabilidade como parte essencial do seu modelo de negócio.

Em território comunitário, a Comissão Europeia anunciou, no início do ano, uma reformulação das regras de reporte de sustentabilidade corporativa para tornar o mercado interno mais competitivo e para aliviar a carga burocrática sobre as empresas. Os especialistas concordam que a regulação europeia pode mudar, mas o caminho da sustentabilidade é irreversível. Madalena Perestrelo de Oliveira, da PLMJ, alerta para o risco de retrocessos. “Quando retiramos 80% das empresas da obrigação de reporte, não estamos a simplificar, estamos a isentar”, lamenta.

Sustentabilidade como mais-valia

O sector metalomecânico enfrenta desafios complexos, mas a inovação e a sustentabilidade não ficam para trás. Pedro Teixeira acredita que quem agir primeiro terá vantagem mais à frente no percurso. “Trabalhando antecipadamente, vamos diferenciar-nos no mercado”, acredita.

As empresas procuram reduzir custos energéticos e baixar as emissões de carbono, mas há barreiras burocráticas que continuam a dificultar maiores avanços. “Temos muitos projetos prontos, mas que ficam meses à espera de certificação”, critica Luís Pinho. Para o responsável da Helexia Portugal, “eficiência energética, eletrificação e monitorização do consumo” devem ser os três pilares do caminho traçado pelas organizações.

A Fapricela já implementou medidas como a instalação da maior central fotovoltaica em cobertura em Portugal, com capacidade de 6,3 MW. “Representa entre 17% a 20% do nosso consumo total. É um ganho tremendo”, afirma Pedro Teixeira. A alimentar a competitividade está ainda o desenvolvimento de “produtos com taxa carbónica reduzida”, acrescenta.

Inês Costa relembra que o sistema financeiro já reconhece a importância deste caminho, que será cada vez mais importante para o financiamento dos negócios. “Empresas que não apostem na descarbonização serão preteridas pelo sistema financeiro”, diz.

Veja o episódio completo aqui:

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Ikea aposta em novo posicionamento focado na qualidade dos produtos. Diretora de marketing explica a estratégia

A Ikea aposta num novo posicionamento e lança uma campanha cujo ponto de partida veio dos clientes e das suas histórias. Mónica Sousa, diretora de marketing da Ikea Portugal, explica a estratégia.

A Ikea avançou para um novo posicionamento em Portugal, assente na nova assinatura “A Vida Acontece em Casa”. Tendo por base insights obtidos através de um estudo e histórias de consumidores portugueses, o objetivo principal passa por destacar a qualidade e durabilidade dos produtos da marca.

No ano passado, ao celebrar 20 anos em Portugal, a Ikea aproveitou para realizar um estudo com o intuito de avaliar a relação dos portugueses com a marca. “Percebemos que a nossa história de amor com os portugueses continua muito forte, mas que havia ali uma questão menos positiva, relacionada com a perceção de qualidade dos nossos produtos“, explica Mónica Sousa ao +M.

Segundo a diretora de marketing da Ikea Portugal, a perceção de qualidade entre quem já é consumidor da marca “é muito boa”, mas “a perceção de quem nunca comprou com a Ikea é completamente diferente“.

“E isso acendeu-nos um alerta, porque estamos muito confiantes da qualidade dos nossos produtos e queremos que os nossos clientes também estejam. A nossa intenção [com o novo posicionamento] é mostrar como é que a Ikea pode estar na vida das pessoas ao longo do tempo e refletir este lado da qualidade da marca“, acrescenta.

Ainda a propósito da celebração dos seus 20 anos em Portugal, a marca lançou na altura uma campanha onde colocou as pessoas à procura das etiquetas dos seus móveis, com o objetivo de encontrar o mais antigo em Portugal. “Foi incrível, recebemos mais de 4.500 histórias e quando fomos analisar demos conta que as pessoas tinham histórias incríveis com móveis da marca que as acompanham por muito mais tempo do que o que estávamos à espera”, refere a diretora de marketing.

Agora, pensando neste novo posicionamento, a Ikea analisou novamente as histórias, tendo detetado um padrão: as pessoas diziam que os seus móveis duraram muito mais do que as relações que tinham quando os compraram, o que proporcionou o mote para a nova campanha da marca em Portugal.

“Percebemos que havia ali qualquer coisa que tínhamos de aprofundar e fazer uma analogia. E foi a partir daí que surgiu esta campanha. Aquilo que acho mais interessante é que o ponto de partida vem dos clientes e das histórias que estes partilharam. E achamos que é isso que faz com que esta campanha seja tão real“, entende Mónica Sousa.

Com criatividade da Uzina e produção da 78 Films, a Ikea dá assim corpo a este novo posicionamento ao utilizar estas histórias reais como base para uma nova campanha, presente em televisão, digital, out-of-home e rádio.

“A minha mesa durou mais do que o meu casamento”, “tomara que as minhas relações durassem tanto como a minha cozinha” ou “mudei oito vezes de casa com a mesma cómoda Malm” são algumas das frases que integram a campanha. A marca tenta assim, de uma forma “leve e divertida”, mostrar que a Ikea faz parte da vida das pessoas, independentemente da fase de vida em que estas se encontram. “É muito isso também o que queremos destacar com este novo posicionamento: as casas evoluem, as famílias mudam, crescem e encolhem, mas os nossos móveis continuam lá e adaptam-se à sua nova vida“, diz a diretora de marketing.

O objetivo passa também por atingir todos aqueles consumidores que ainda não são “Ikea lovers”, pretendendo-se inclusive desmistificar a ideia de que um móvel só por ser mais barato não tem qualidade e que no Ikea todos os móveis são brancos.

“Temos toda uma gama de diferentes móveis e cores, mas quem não nos visita não os pode obviamente conhecer. E mesmo na própria execução da campanha, tentámos mostrar isso e ir buscar produtos mais icónicos, com mais cor, precisamente para mostrar que a Ikea é muito mais do que móveis brancos“, refere ainda a diretora de marketing.

Mónica Sousa, diretora de marketing da Ikea Portugal.

A campanha é lançada esta terça-feira, dia 2 de abril, dando início a uma “vaga muito forte” que vai decorrer durante todo o mês. Serão depois lançadas outras duas vagas nos dois meses seguintes. “E a ideia e intenção é estender esta campanha durante muito tempo”, diz Mónica Sousa.

Recordando a publicação da Ikea onde brincou com a queda de uma letra no letreiro da sua loja, a diretora de marketing aponta ainda que a marca está “muito comprometida com a ideia de tentar fazer com que as pessoas se divirtam mais e de lhes aliviar um pouco a carga [de stress e preocupações]”, vertente que este novo posicionamento também ajuda a reforçar.

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O dia em direto nos mercados e na economia – 2 de abril

  • ECO
  • 2 Abril 2025

Ao longo desta quarta-feira, 2 de abril, o ECO traz-lhe as principais notícias com impacto nos mercados e nas economias. Acompanhe aqui em direto.

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Professores destacam os benefícios da IA no planeamento educativo: “Veio para nos ajudar”.

  • Servimedia
  • 2 Abril 2025

A utilização da IA generativa permite aos professores reduzir em 60% o tempo gasto no planeamento educativo.

Cerca de 70% dos professores já experimentaram a Inteligência Artificial em Espanha, de acordo com o relatório “O Impacto da IA na Educação em Espanha” (Empantallados e Gad3). Os especialistas concordam que a IA é um recurso cada vez mais difundido entre os professores, o que favorece a agilidade na criação de conteúdos educativos, sessões e projetos orientados.

Professores como Jesús Tapias, Diretor Técnico do Centre de Formació Professional Llefià, utilizam semanalmente a Inteligência Artificial para criar sessões de projetos: “As ferramentas de IA para professores, como o IGNITE Copilot, ajudam a planificar orientado para os resultados, com uma redução significativa do tempo de preparação e correção”.

As 16 horas semanais que os professores gastam, em média, a gerar experiências didáticas de acordo com o currículo podem ser reduzidas para 5 horas semanais de supervisão, de acordo com dados da empresa de consultoria McKinsey.

A poupança de tempo é um dos benefícios da utilização da IA que professores como Jesús Tapias mais valorizam: “Tem mais tempo para partilhar com os alunos, para melhorar o seu progresso e avaliação”. “É uma ferramenta muito intuitiva que veio ajudar-nos, e todos nós, professores da FP Llefià, estamos muito habituados às atualizações tecnológicas”, sublinha Tapias.

Marc Estruch, professor do ensino secundário nas Escoles Minguella em Badalona, descobriu os benefícios da Inteligência Artificial no final de 2024. Como diretor de TIC na sua escola, Marc incorpora novas ferramentas tecnológicas que podem melhorar a forma como os professores ensinam e poupar tempo: “Atualmente, estou a explorar o potencial do IGNITE Copilot em diferentes áreas do planeamento educativo”.

A utilização de ferramentas generativas de Inteligência Artificial está a tornar-se cada vez mais comum entre os professores. Plataformas como o IGNITE Copilot, que permite aos professores gerar situações de aprendizagem adaptadas ao currículo e criar sessões didáticas com uma estrutura definida. A poupança de tempo no planeamento didático e a otimização da avaliação são os benefícios mais destacados pelos professores que utilizam esta plataforma: “A ferramenta ajuda a alinhar melhor os conteúdos com os objetivos de aprendizagem oficiais. O IGNITE Copilot é mais útil para mim no planeamento global das sessões e dos projetos”, explica Marc Estruch.

As tarefas que anteriormente exigiam horas de dedicação do professor, como a planificação de uma unidade didática, requerem agora cerca de 30 minutos para gerar um planeamento estruturado, graças à utilização de ferramentas de IA como o IGNITE Copilot.

CONTEÚDOS PERSONALIZADOS

Marc Estruch, professor do ensino secundário na Escoles Minguella, salienta que um dos pontos fortes do IGNITE Copilot é “a capacidade de alinhar os conteúdos com o currículo de uma forma precisa e eficiente, o que nos permite gerar propostas alinhadas com as competências e objectivos do LOMLOE”. “A versatilidade da plataforma na personalização dos conteúdos é claramente outra diferença em relação a outras ferramentas disponíveis no mercado”, afirma Marc Estruch.

Tanto Marc Estruch como Jesús Tapias concordam que a poupança de tempo permite “dedicar mais tempo ao atendimento personalizado dos alunos e a um acompanhamento mais pormenorizado da sua evolução”. “Graças ao IGNITE Copilot, podemos dedicar mais tempo ao que realmente importa, à formação dos alunos, à divulgação dos conhecimentos e à prática”, afirma Tapias.

“Recomendaria a utilização da IA aos professores que pretendem otimizar o seu tempo de planeamento sem perder qualidade pedagógica, mas é essencial que os professores recebam formação adequada para integrar a IA de forma eficaz e ética na sua prática pedagógica”, conclui Estruch.

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Rei visita as instalações da Universidade Alfonso X el Sabio por ocasião do seu 30º aniversário

  • Servimedia
  • 2 Abril 2025

Na quarta-feira, o Rei Felipe VI visitou as instalações e projetos da universidade nas suas principais áreas de formação: Saúde e Desporto, Engenharia, Negócios e Tecnologia, Educação e Música.

À sua chegada, foi recebido pelo Presidente da Câmara Municipal de Villanueva de la Cañada, Luis Partida; pelo Secretário de Estado da Ciência, Inovação e Universidades, Juan Cruz Cigudosa; e pelo Presidente da Universidade Alfonso X el Sabio, Jesús Núñez.

Começou pelo Hospital Clínico Veterinário, onde Dom Felipe saudou o CEO da Universidade Alfonso X el Sabio, Domingo Mirón; a sua Magnífica Reitora, Isabel Fernández; o seu Assessor Académico, Juan Romo; bem como a Decana da Faculdade de Medicina Veterinária, Isabel Rodríguez; e o seu Diretor dos Centros de Saúde, Juan Francisco Galán.

O Rei iniciou então a visita, acompanhado pelo Decano de Medicina Veterinária, para conhecer as instalações sanitárias que oferecem aos estudantes uma experiência prática desde os primeiros anos dos seus estudos para os preparar para um contexto profissional em que a tecnologia desempenha um papel fundamental. A delegação passou por várias salas de aula onde professores e alunos realizavam atividades de prática clínica e também por um bloco operatório virtual.

Após a visita ao Hospital Clínico Veterinário, o Rei dirigiu-se a pé para as oficinas da Escola Politécnica. Antes de entrar, parou em frente a uma placa comemorativa da sua visita, à atenção de numerosos estudantes que se encontravam no campus na altura. Depois de cumprimentar o Diretor da Escola de Engenharia, Arquitetura e Design, Luís Couceiro, visitou uma sala de aula com um simulador aéreo e a sala Talgo-UAX, onde os alunos desenvolvem novas conceções para o futuro da ferrovia.

De seguida, dirigiu-se ao Centro Desportivo “Rafa Nadal”, onde o aguardava o Conselho Diretivo da universidade. Aí, assistiu à projeção de um vídeo com uma saudação de Valentín Fuster, diretor-geral do Centro Nacional de Investigação Cardiovascular da Universidade Carlos III, e assistiu a um diálogo entre Pedro Freixas, aluno da Faculdade de Ciências da Atividade Física e do Desporto, e Belén Rayo, senior digital product manager da empresa Mango e antiga aluna da Universidade Alfonso X el Sabio.

DESDE 1994

A UAX iniciou a sua atividade no ano letivo de 1994/1995, um ano após a sua aprovação pelo Parlamento espanhol. Atualmente, o Grupo Educativo UAX conta com mais de 165.000 profissionais formados nas suas salas de aula. Atualmente, acolhe mais de 30.000 estudantes, que se formam na UAX, The Valley, Xtart e MIR Astúrias. O grupo tem 18 campus em sete cidades. A Universidade Alfonso X el Sabio está distribuída por três campus em Madrid e iniciará a sua atividade académica em Málaga com a Universidade Alfonso X el Sabio Mare Nostrum em setembro.

Felipe VI teve a oportunidade de conhecer a metodologia UAXmakers, criada pela universidade para promover “o espírito de empreendedorismo e inovação entre os seus estudantes através de projetos de colaboração entre estudantes de diferentes disciplinas e empresas líderes”, segundo a UAX.

Até agora, mais de 10.000 estudantes trabalharam em mais de uma centena de projetos com profissionais da Comunidade de Madrid, do Hospital Universitário Rey Juan Carlos, da Avanade, do Caixabank e da Quirónsalud, entre outros.

Segundo Jesús Núñez, presidente e fundador da universidade, “hoje sabemos que a tecnologia vai continuar a transformar o mundo. Por isso, é fundamental que os nossos estudantes saibam aplicar a tecnologia com um objetivo claro nas suas profissões, aproveitando todo o seu potencial para construir um futuro melhor”.

Esta visão está plasmada na Faculdade de Business & Tech, que foi a primeira em Espanha a unificar a formação nas áreas de negócios e tecnologia, proporcionando aos estudantes o conhecimento para liderar e compreender como aplicar a tecnologia aos negócios. Um modelo concebido em conjunto com grandes empresas como a Microsoft, IBM, Santander, Orange Bank ou KMPG, entre outras; e que se completa com o campus UAX Madrid Chamberí, onde convivem empresas, startups e estudantes formando um ecossistema para promover a inovação tecnológica e o empreendedorismo.

A UAX tem cerca de 9.600 acordos com entidades líderes como a Biofarma ou ESAME no sector farmacêutico; LALIGA na indústria desportiva; IBM em tecnologia; Dentsply ou Straumann em odontologia; SACYR, Repsol e PADECASA em engenharia; e as Big Four (PWC, EY, Deloitte, KPMG), entre outras.

Também estabeleceu alianças estratégicas para aproximar os estudantes da indústria, como a Escola Universitária UAX Rafa Nadal e o seu acordo com a Taça Davis, promovendo a excelência em Saúde, Desporto e Negócios, ou os acordos com a Sener, a CIMPA e a Avanade, que promovem a inovação com a sua presença no campus da UAX Madrid Chamberí, envolvendo os seus profissionais na formação e desenvolvimento profissional dos estudantes.

Como explicou a UAX, “com o impulso do Grupo Educacional UAX, ao qual pertencem instituições de referência como a UAX, The Valley Business & Tech School, Talent, Xtart | Galeno e MIR Asturias, e com uma abordagem de Aprendizagem ao Longo da Vida, entendendo a educação como um acompanhamento dos estudantes em todas as fases da sua carreira profissional, a universidade comemora o seu 30º aniversário com uma visão otimista do futuro. Com a firme convicção de que a educação é a base da criação de riqueza, emprego e bem-estar social, assume um desafio que exige a cooperação entre a universidade, as empresas e a administração pública para colocar a Espanha entre os líderes da educação europeia e mundial”.

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Grupo de Aveiro mantém fábrica na Rússia a meio gás. Travão ao investimento reduz “impacto das perdas”

Reduzida a 50% da capacidade instalada, vendas de 5,8 milhões e 40 trabalhadores, subsidiária da OLI em Moscovo continua a fabricar mecanismos para cerâmica apesar dos “constrangimentos” da guerra.

Três anos depois do início da guerra na Ucrânia, que tirou 950 milhões aos negócios portugueses com a Rússia e levou quase mil empresas portuguesas a abandonarem o comércio com o país liderado por Vladimir Putin, a OLI – Sistemas Sanitários mantém em funcionamento a fábrica nos arredores de Moscovo, “dentro dos constrangimentos que a guerra e as sanções provocaram”, que conta atualmente com cerca de 40 funcionários.

António Ricardo Oliveira, administrador do grupo aveirense que reclama o estatuto de maior produtor de autoclismos da Europa do Sul, conta ao ECO que “o nível de produção está em cerca de 50% da capacidade instalada” na unidade industrial que fabrica mecanismos para cerâmica que abastecem apenas o mercado local, na qual fez um investimento inicial de 1,5 milhões de euros.

“As principais limitações são na área de recursos humanos, onde a escassez de mão-de-obra e a inflação elevada fazem com que seja difícil encontrar e reter as pessoas. Também na área das vendas, estando o mercado russo a atravessar um período de menor procura, é difícil competir em preço com os fabricantes locais, da Turquia e da China”, resume o empresário.

Depois do tropeção de 28,5% em 2023 em relação ao ano anterior, marcado pelo início da invasão da Ucrânia, no ano passado, o volume de negócios da subsidiária russa recuperou 5% em termos homólogos, para 5,8 milhões de euros. Obteve lucros de 390 mil euros – o contributo para o resultado consolidado ainda está em apuramento –, com o porta-voz do grupo de Aveiro a dizer que “não houve distribuição de dividendos em 2024”.

Quando Vladimir Putin decidiu invadir o território ucraniano, a dívida da filial russa à casa-mãe portuguesa era superior a 2,5 milhões de euros. Um ano depois do início do conflito no leste europeu, a exposição do grupo industrial de Aveiro rondava ainda os 300 mil euros. António Ricardo Oliveira adianta agora que essa questão da dívida “ficou resolvida em 2023”.

A prazo, a opção por não investir permite-nos minorar o impacto das perdas caso algo aconteça à empresa na Rússia, mas também é verdade que sem investir vamos perdendo competitividade e isso tem um limite.

António Ricardo Oliveira

Administrador da OLI

Motivada então pela desvalorização do rublo, pelos custos logísticos e pelos constrangimentos alfandegários, foi em 2016 que a antiga Oliveira & Irmão se estreou a produzir no estrangeiro e iniciou a laboração industrial na Rússia, onde já tinha uma filial comercial há dois anos. Instalada junto à capital, produzia ali um total de 400 mil mecanismos e 30 mil autoclismos interiores.

Após o início da guerra, a OLI decidiu cancelar os investimentos previstos na Rússia no valor de 750 mil euros, que “não foram concretizados e, entretanto, não foram retomados”. Volvidos três anos, o administrador aponta ao ECO que “a prazo, a opção por não investir permite minorar o impacto das perdas caso algo aconteça à empresa na Rússia, mas também é verdade que sem investir [vai] perdendo competitividade e isso tem um limite”.

António Ricardo Oliveira, administrador da OLI

Questionado sobre os planos futuros que tem para esta participada a 100%, que é autónoma do ponto de vista industrial e comercial, agora que se perspetiva que possa haver uma resolução para a guerra na Ucrânia, ‘patrocinada’ por Donald Trump, responde que os planos passam por “manter a empresa em atividade e dentro da esfera do grupo”. “Quando e se o conflito se resolver, avaliaremos outras possibilidades”, sublinha.

“A subsidiária na Rússia sempre produziu para o mercado local e atualmente com os fabricantes europeus numa posição de fragilidade, as regras no mercado local alteraram-se, permitindo a entrada de muito produto vindo da China e da Turquia, bem como a consolidação dos fabricantes russos no mercado local”, acrescenta António Ricardo Oliveira.

Exportações caem com sanções e falta de crédito

Antes da guerra, em 2021, a OLI surgia nas listagens do INE como uma das dez maiores exportadoras portuguesas para a Rússia, com vendas de autoclismos e mecanismos para cerâmicas no valor de 5,5 milhões de euros. Em conjunto com a Ucrânia, representavam 6,3% das vendas do grupo, que tem também filiais em Espanha, Itália, Alemanha, Noruega e França – a mais recente, após comprar a sociedade Regiplast por 6,5 milhões no verão passado.

No entanto, o conflito armado no Leste da Europa fez “praticamente desaparecer” as exportações a partir de Portugal para estes dois destinos. “No caso da Rússia por causa das sanções. No caso da Ucrânia porque o mercado encolheu e por não haver qualquer cobertura de crédito dos clientes dado o risco do país”, relata o administrador do grupo familiar fundado em 1954, que no ano passado faturou 75,2 milhões de euros.

Com os artigos produzidos no complexo industrial em Aveiro enviados para mais de 80 países dos cinco continentes, as exportações representaram 74% do total de vendas no ano passado. A OLI fixa como objetivo crescer 9% a faturação em 2025, ano em que vai instalar um armazém inteligente e automatizar algumas linhas de produção, num investimento de 7,7 milhões, integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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Bolsa de Lisboa brilha na tempestade criada por Trump

Com taxas de dividendos elevadas e fundamentais atrativos, o PSI destacou-se no primeiro trimestre e apresenta argumentos para continuar a ser um refúgio em tempos de incerteza.

A história do primeiro trimestre nos mercados financeiros internacionais parece uma montanha-russa que culminou num vale profundo. Enquanto Wall Street registou o pior desempenho trimestral desde 2022, com o S&P 500 e o Nasdaq a caírem 8,4% e 12% (em euros) respetivamente, o português PSI brilhou como um autêntico oásis, fechando os primeiros três meses do ano em terreno positivo e conseguindo o feito raro de terminar positivo em cada um dos três meses do ano – uma exceção entre os principais índices acionistas.

“O mercado português não é dos mais expostos à economia americana, pelo que é natural que tenha sido um dos menos voláteis neste período”, justifica Pedro Barata, gestor do fundo de ações nacionais GNB Portugal Ações, para a destreza do PSI entre janeiro e março.

A turbulência nos mercados tem sido largamente atribuída às novas políticas comerciais impostas pela administração Trump. “Os investidores renderam-se largamente durante este primeiro trimestre, já que a negociação tornou-se bastante desafiante”, referiu Adam Turnquist, analista da LPL Financial, à Reuters.

As emblemáticas “7 Magníficas”, que impulsionaram os mercados nos últimos dois anos, exerceram desta vez uma pressão negativa sobre as bolsas norte-americanas, com os investidores a desfazerem-se das ações destas empresas, empurrando os títulos para uma queda média de 15,7% nos primeiros três meses do ano. A Tesla, por exemplo, caiu quase 36% no trimestre.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

O calendário não poderia ser mais simbólico. Foi precisamente para o final do primeiro trimestre que Donald Trump preparou o terreno para o que denominou “Dia da Libertação” de 2 de abril, marcando a entrada em vigor de uma série de tarifas abrangentes que prometem afetar o comércio global. “2 de abril é um dia libertador para o nosso país”, afirmou Trump, garantindo que as tarifas vão incidir “essencialmente sobre todos os países”. Entre as medidas mais impactantes está a imposição de uma taxa de 25% sobre todos os carros exportados para os EUA, a partir desta terça-feira.

Até agora, já entraram em vigor taxas aduaneiras de 20% sobre os bens importados da China, assim como uma taxa de 25% sobre o aço e o alumínio e outra de 25% sobre as importações canadianas e mexicanas. Trump também ameaçou aplicar tarifas de 200% sobre “todos os vinhos, champanhe e produtos alcoólicos”, num post publicado na sua rede social “Truth Social”.

Numa altura em que a volatilidade aumenta é natural que os investidores privilegiem os mercados mais defensivos e que ofereçam um bom retorno via dividendos. E neste último ponto, não há outro como o mercado português.

Pedro Barata

Gestor do GNB Portugal Ações

Neste contexto de turbulência global, o índice português PSI destacou-se como uma rara exceção, fechando março em alta e conseguindo um feito invulgar: não só foi o único índice entre os mais populares a fechar março com ganhos como o único a terminar positivo nos três meses do trimestre.

“O PSI foi, em primeiro lugar, beneficiado pela rotação em favor dos mercados acionistas europeus, reduzindo assim uma parte da underperformance dos últimos anos”, explica Virgílio Garcia, gestor do fundo Sixty Degrees Ações Portugal. “Ao mesmo tempo, em especial em março, o PSI foi ‘premiado’ por não ter exposição ao setor tecnológico e outros setores mais penalizados na queda“, acrescenta.

As armas do PSI que atraem os investidores

Os indicadores fundamentais do índice nacional também ajudam a explicar a resistência do PSI neste arranque de ano. Atualmente, o índice da Euronext Lisboa negoceia com uma taxa de dividendo média de 4,35% e com uma cotação equivalente a 11 vezes os resultados por ação (PER). O pan-europeu Stoxx Europe 600, por exemplo, transacionada com uma taxa de dividendo de 3,32% e um PER de 16,5 vezes, enquanto o Euro Stoxx 50 apresenta uma taxa de dividendo de 3,1% e um PER de 16,2 vezes.

“Numa altura em que a volatilidade aumenta é natural que os investidores privilegiem os mercados mais defensivos e que ofereçam um bom retorno via dividendos. E neste último ponto, não há outro como o mercado português”, refere Pedro Barata, sublinhando que “as empresas portuguesas são tradicionalmente generosas com os seus acionistas.”

Um fator que parece estar a sustentar o desempenho positivo do PSI é a política de dividendos das empresas portuguesas cotadas no principal índice da Euronext Lisboa. Mesmo com os lucros do ano passado das cotadas do PSI a reduzirem-se em cerca de 28%, a remuneração acionista vai aumentar em quase 8% face ao ano anterior.

Existem razões para acreditar que o índice [PSI] poderá continuar a ter uma performance relativa mais favorável que os seus congéneres europeus no resto do ano.

Virgílio Garcia

Gestor do Sixty Degrees Ações Portugal

As cotadas do PSI que já anunciaram as suas políticas de dividendos propõem-se a pagar 2,9 mil milhões de euros, dando continuação à tendência de subida que se tem registado desde 2021. Este é um sinal de “resiliência” por parte das cotadas portuguesas, refere Carlos Pinto, gestor do Portugal Golden Opportunities, que classifica o mercado português como “muito sensível à remuneração acionista e que tem, por isso, vindo a preservar o dividendo”.

A NOS NOS 4,23% destaca-se neste aspeto, mantendo-se pelo quarto ano consecutivo como a cotada com maior taxa de dividendos por ação do PSI. Além do pagamento de 35 cêntimos, à semelhança do que aconteceu em 2023, a operadora pretende pagar um dividendo extraordinário de 5 cêntimos.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir a tabela.

Como navegar em águas turbulentas

É difícil antecipar como será o comportamento do PSI no resto do ano, mas Pedro Barata ressalva que “se a volatilidade do mercado se mantiver elevada, é natural que a performance do mercado português continue a destacar-se fruto do seu perfil mais defensivo.”

Para Virgílio Garcia, após o PSI ter acabado o trimestre com uma rendibilidade semelhante à média europeia, tendo recuperado em março da underperformance que se fez sentir nos 2 primeiros meses, refere que “existem razões para acreditar que o índice poderá continuar a ter uma performance relativa mais favorável que os seus congéneres europeus” ao longo do ano.

No entanto, o gestor faz um importante alerta: “Será, no entanto, pouco realista que a performance se mantenha positiva se entrarmos efetivamente num bear market de ações”, ressalvando, no entanto, que “este não é o nosso cenário central.”

Para os pequenos investidores, o desempenho alcançado pelo PSI no primeiro trimestre traz um alento num momento de incerteza global, mas os especialistas recomendam cautela. Sobretudo porque a volatilidade deve continuar alta, especialmente enquanto o impacto real das tarifas de Trump não for completamente absorvido pelos mercados.

Num cenário onde a incerteza parece ser a única certeza, o mercado português oferece uma combinação de valorização atrativa e taxas de dividendos atrativas que pode representar um porto seguro para investidores que procuram estabilidade. No entanto, como sempre, a diversificação continua a ser a melhor estratégia para navegar em períodos de turbulência.

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Banco Montepio paga dividendo de 30 milhões à mutualista

Banco volta a entregar dividendos à Associação Mutualista pelo segundo ano seguido. Auditor renovou reservas nas contas do grupo liderado por Virgílio Lima por causa dos créditos fiscais.

Pelo segundo ano seguido, o Banco Montepio vai pagar dividendos ao seu acionista. O banco liderado por Pedro Leitão prepara-se para entregar cerca de 30 milhões de euros à Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), de acordo com as informações recolhidas pelo ECO.

O banco retomou a política de dividendos no ano passado, depois de uma longa travessia no deserto, tendo distribuído uma quantia simbólica de seis milhões de euros. Agora, e depois de ter quadruplicado o resultado para 110 milhões de euros em 2024, deverá reforçar o dividendo, prevendo entregar cerca de 30% dos lucros.

A proposta ainda tem de ser aprovada em assembleia geral de acionistas e encontra-se dependente da autorização dos reguladores.

A mutualista não quis comentar o assunto, mas o valor dos dividendos foi mencionado pelo presidente Virgílio Lima na assembleia de representantes da passada segunda-feira e que aprovou os resultados individuais da instituição relativos a 2024, segundo adiantaram as fontes consultadas pelo ECO. O banco também não respondeu.

Banco valoriza 120 milhões

A associação mutualista, a maior do país com mais de 600 mil associados, alcançou lucros de 210 milhões de euros no ano passado, quase duplicando em comparação com o ano anterior.

Para o bom desempenho contribuiu em grande medida o aumento da margem associativa, mas também a forte recuperação de perdas por imparidade relacionadas com o banco ajudou a puxar pelos resultados da mutualista, um cenário esperado devido à subida das taxas de juro.

Tanto a AMMG como o Banco Montepio já ultrapassaram a fase de emergência com que se defrontaram nos últimos anos, mas ambas ainda têm pela frente um quadro financeiro desafiante. Reflexo disso mesmo está espelhado no valor a que o banco está registado no balanço da mutualista: estão lá aplicados 2,4 mil milhões de euros, mas a participação está avaliada em apenas 1,68 mil milhões.

No ano passado foi possível recuperar 120,6 milhões da imparidade associada ao banco, mas a AMMG continua a registar perdas potenciais de quase 700 milhões.

Mesmo a atual avaliação que a mutualista dá ao banco é desafiada pelo auditor, que manteve a chamada “ênfase” em relação a este assunto na certificação legal de contas que acompanha o relatório e contas a que o ECO teve acesso. A entidade liderada por Virgílio Lima considera o “valor de uso” do banco na avaliação que faz, algo que a PwC contesta.

Auditor volta a contestar DTA

A avaliação do banco não é a única divergência entre a AMMG e o auditor. A PwC também manteve as reservas em relação ao valor dos ativos por impostos diferidos (DTA), que totalizaram os 943 milhões de euros no final do ano passado, correspondendo a mais de 20% do ativo da associação.

O auditor defende que a mutualista não “demonstra capacidade para gerar resultados tributáveis suficientes que permitam recuperar parte substancial dos DTA registados”, considerando que se encontram sobreavaliados “por um montante materialmente relevante”.

O braço-de-ferro é antigo. Desde 2020 que AMMG e PwC mantêm esta divergência em relação aos créditos fiscais criados em 2017, ainda no tempo de Tomás Correia.

Na altura, a oposição interna criticou esta operação por considerar que se tratou de um truque fiscal e contabilístico para esconder o desequilíbrio entre ativos e passivos da instituição. Sem estes DTA, estaria numa situação de falência técnica.

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Empresa de handling Menzies pediu adiantamento à TAP por necessidade de tesouraria

A Menzies Portugal, ex-Groundforce, pediu em janeiro à TAP que adiantasse o pagamento de uma fatura. Companhia aérea assinala que "o plano de reestruturação da empresa sofreu um atraso considerável".

A TAP fez em janeiro o adiantamento do pagamento de uma fatura à Menzies Aviation Portugal, a antiga Groundforce, devido a constrangimentos de tesouraria da empresa de handling, apurou o ECO junto de fontes conhecedoras do processo.

A SPdH, designação societária da empresa de serviços em escala, tem em marcha um plano de recuperação, aprovado pelos credores, que levou à entrada de um novo acionista, a britânica Menzies Aviation, que é detida pela Agility, uma empresa do Kuwait. De acordo com o plano, o novo investidor, que ficou com 50,1% da SPdH, tinha o foco de “recuperar a imagem de marca e toda a credibilidade, estabilidade e capacidade financeira” da antiga Groundforce. Os restantes 49,9% pertencem à TAP.

Seis meses depois de ter assumido a gestão, a Menzies Aviation Portugal (SPdH) teve em janeiro de pedir um pagamento adiantado superior a 1 milhão de euros à TAP para fazer face a constrangimentos de tesouraria, segundo apurou o ECO junto de fontes conhecedoras do processo. Uma prática que chegou a ser usada antes da insolvência, declarada em agosto de 2021, a pedido da TAP.

Ao que o ECO apurou, o pedido, apesar de correspondido, criou mal estar na TAP, dada a importância da agora Menzies Aviation para a operação da companhia aérea, já que é esta que assegura o check-in e embarque dos passageiros, o carregamento e descarregamento das malas ou o abastecimento e reboque das aeronaves. Se, por alguma razão, o handling parar, os voos têm de ser cancelados.

O plano de reestruturação da SPdH sofreu um atraso considerável, por condições externas à empresa – tribunais e outros e, naturalmente, tem de se ajustar a prática em conformidade. A TAP tem toda a confiança na Menzies para executar o plano que a definiu como compradora da SPdH.

Fonte oficial da TAP

O ECO questionou a Menzies Aviation Portugal e a TAP, para aferir se o adiantamento se tratou de um episódio pontual ou repetido e qual o motivo para a dificuldade de tesouraria. A Menzies não quis responder. Fonte oficial da companhia aérea respondeu que “o plano de reestruturação da SPdH sofreu um atraso considerável, por condições externas à empresa – tribunais e outros e, naturalmente, tem de se ajustar a prática em conformidade”. A companhia aérea acrescentou que a “TAP tem toda a confiança na Menzies para executar o plano que a definiu como compradora da SPdH“.

O processo nos tribunais foi, efetivamente, demorado. Os credores aprovaram o plano em setembro de 2023, mas o processo dilatou-se ainda vários meses devido aos sucessivos recursos interpostos pela Pasogal, do empresário Alfredo Casimiro, que detinha 50,1% da antiga Groundforce, atrasando o trânsito em julgado da sentença de homologação do plano.

Pagamento de dívidas, aumento de custos e um desconto

A tesouraria da empresa é pressionada pelo plano de pagamento faseado das dívidas aos credores — trabalhadores (2,87 milhões), ANA (12,8 milhões), TAP (15,5 milhões) e Segurança Social (6,2 milhões), para referir apenas os maiores — previstos entre 2023 e 2029. Para o primeiro ano eram estimados 5,23 milhões, mas uma vez que o plano só foi homologado em 2024, só nesse ano a SPdH começou a ter de pagar aos credores. Para os dois anos seguintes estavam contemplados 2,36 milhões.

Há outros fatores que pressionam as contas da SPdH. A Menzies Aviation foi a escolhida pelos administradores de insolvência e os credores para adquirir 50,1%, num processo em que enfrentava a concorrência da Swissport. O plano de reestruturação passou por negociações quer com os credores quer com os trabalhadores, que seriam protagonizadas pelos atuais responsáveis, nomeadamente o vice-presidente para Portugal da Menzies Aviation, Rui Gomes, que lidera a empresa desde junho.

No âmbito do plano, foi assinado com a TAP um novo contrato com alterações às tarifas de serviços a partir de janeiro de 2025. Ao que o ECO apurou, a companhia aérea passou a beneficiar de um desconto comercial de 5% este ano, 10% em 2026 e 15% a partir de 2027.

Este desconto tem um impacto relevante, porque a TAP representa cerca de 70% das receitas da SPdH, como assinala o próprio plano apresentado pelos administradores de insolvência. Assumindo a previsão do volume de negócios para 2024, de 174 milhões de euros, um desconto de 5% na fatia correspondente à TAP significa menos 6,1 milhões. O próprio plano de insolvência aponta para um decréscimo no volume de negócios entre 2024 e 2027, apesar do crescimento do tráfego aéreo. Segundo os dados da ANA, o número de movimentos nos aeroportos nacionais aumentou 1,1% em 2024 e 1,9% do conjunto dos primeiros dois meses de 2025.

Se o desconto comercial implica prescindir de receita, o novo Acordo de Empresa com os sindicatos, negociado pela Vieira de Almeida em representação dos acionistas, significou um acréscimo de custos. Num comunicado enviado aos associados a 4 de junho, o mesmo dia em que se consumou a entrada do novo acionista, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) e o Sindicato dos Trabalhadores de Handling, da Aviação e Aeroportos (STHAA) contabilizavam “mais cerca de 4,9 milhões de euros em ganhos” em 2024, face ao ano anterior. Um montante decorrente da atualização salarial, aumento do subsídio de alimentação, anuidades (antigas e novas) ou evoluções de carreira.

O impacto deste encargo adicional seria compensado pela saída de 300 colaboradores, sobretudo com maior antiguidade na empresa e vencimentos mais elevados, prevista no plano de reestruturação, mas que ficou praticamente em metade. Segundo uma resposta enviada pela Menzies em março, até ao primeiro trimestre só cerca de 160 aceitaram as condições propostas pela empresa, que reservou 9,5 milhões para o pagamento das indemnizações.

A Menzies, que se fundiu com a National Aviation Services do Kuwait, é a maior empresa de serviços de aviação do mundo por número de países (65) e a segunda maior em número de aeroportos atendidos (300).

Segundo os sindicatos contactados pelo ECO, o programa de rescisões foi entretanto suspenso, tendo a empresa avançado em meados de março com um despedimento coletivo de 10 colaboradores, que desempenham funções que considera “redundantes” no novo quadro de atividade internacional do grupo. O plano de reestruturação estimava poupanças de 1,2 milhões com a entrada da Menzies no capital da SPdH “em resultado de sinergias entre áreas potenciadoras de ganhos de eficiência operacional”.

A empresa britânica, que se fundiu com a National Aviation Services do Kuwait, é a maior empresa de serviços de aviação do mundo por número de países (65) e a segunda maior por número de aeroportos atendidos (300). As receitas cresceram 20% em 2024, para 2,6 mil milhões de euros. O EBITDA foi de 382 milhões, com uma margem de 15%, segundo os únicos indicadores financeiros divulgados esta semana.

A Menzies e a TAP comprometem-se, no plano de recuperação, a realizar suprimentos caso seja necessário reforçar os capitais próprios ou para investimentos, na proporção da sua participação acionista. No caso da empresa britânica, o reforço é limitado a 10 milhões de euros e no da transportadora a 9,96 milhões, esta última através da conversão de créditos em capital.

O ECO questionou as empresas sobre esta possibilidade, mas não obteve resposta. Foi contactado também o Ministério das Infraestruturas, que remeteu para a companhia aérea por tratarem-se de temas da gestão.

Está a decorrer o concurso público para a atribuição das licenças de handling nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. Menzies, Acciona, Clece e Swissport foram selecionadas para a fase seguinte, segundo noticiou o Jornal Económico em fevereiro.

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5 coisas que vão marcar o dia

  • ECO
  • 2 Abril 2025

O Banco de Portugal revela as taxas de juro e há reunião do Conselho de Ministros. Lá fora, Trump anuncia novas tarifas após o fecho da bolsa.

Esta quarta-feira, o Banco de Portugal vai divulgar os dados das taxas de juro referentes a fevereiro. Destaque ainda para a reunião de Conselho de Ministros e para a aprovação das listas de candidatos do PS às legislativas. Já lá fora, Donald Trump anuncia novas tarifas após o fecho da bolsa.

Banco de Portugal revela taxas de juro

Esta quarta-feira, o Banco de Portugal vai divulgar os dados da taxa de juro dos depósitos referentes a fevereiro de 2025. Em janeiro, o juro médio pago pelos novos depósitos a prazo baixou para 1,98%, face aos 2,16% pagos em dezembro. O Banco de Portugal vai ainda revelar os dados do crédito à habitação referente ao segundo mês do ano.

Reunião do Conselho de Ministros

Destaque esta quarta-feira para a reunião do Conselho de Ministros, que decorre no Mercado do Bolhão no Porto, às 11h00. A reunião tem como foco o balanço da governação de Luís Montenegro, no dia em que conclui um ano desde que tomou posse como primeiro-ministro.

Infraestruturas de Portugal reúne-se com trabalhadores

A administração da Infraestruturas de Portugal (IP) reúne-se esta quarta-feira com sindicatos representativos dos trabalhadores para negociar a revisão do acordo coletivo das empresas do grupo IP. Em fevereiro, a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) indicou que a revisão do acordo coletivo de trabalho (ACT) mantém salários pouco atrativos e não ajuda a fixar os trabalhadores.

PS reúne-se para aprovar listas de candidatos às legislativas

O Partido Socialista reúne esta quarta-feira a Comissão Política Nacional, na sede nacional, em Lisboa. A reunião convocada pelo secretário-geral, Pedro Nuno Santos, tem como ponto único da ordem de trabalhos a aprovação da lista de candidatos à Assembleia da República.

Trump anuncia novas tarifas após o fecho da bolsa

Dia 2 de abril de 2025 é o dia que Donald Trump apelidou de “Dia da Libertação” e marca a entrada em vigor de uma série de novas tarifas que prometem atingir todos os países, com a implementação das chamadas taxas recíprocas. Os detalhes das novas taxas aduaneiras serão anunciados esta quarta-feira num evento intitulado de “Make America Wealthy Again” que terá lugar no Rose Garden, após o encerramento da bolsa de Wall Street.

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Eco Rallye Mallorca-Inca Ciutat consolida o seu compromisso com a sustentabilidade na sua quinta edição

  • Servimedia
  • 2 Abril 2025

O Eco Rallye Mallorca - Inca Ciutat realizou a sua quinta edição, consolidando a sua posição como uma referência na mobilidade sustentável e no turismo responsável na ilha.

Organizado pela eMallorca Experience e pelo Ajuntament d’Inca, o evento contou com o apoio institucional da Fundació Mallorca Turisme, da Conselleria d’Empresa, Ocupació i Energia del Govern Balear, do Consorci Serra de Tramuntana e do próprio município de Inca.

A competição, que conta para o Campeonato Espanhol de Energias Alternativas, reuniu equipas de toda a Espanha para percorrer mais de 300 quilómetros por diferentes zonas de Maiorca, promovendo a eficiência energética e a condução responsável. Trata-se de uma prova federada que avalia o consumo real de veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in.

O Eco Rallye teve também um forte caráter social e educativo, com atividades paralelas como o “Desafio da Energia” para crianças em idade escolar, workshops participativos e showcookings abertos ao público.

O evento foi possível graças à colaboração de empresas como a OK Mobility, Hyundai, Globatecnic, Scoobic, Hotels VIVA, Amer Obres i Serveis, FAIB, Ecoilles A3 e Empresas por la Movilidad Sostenible, entre outras, que apoiaram o projeto como uma demonstração do compromisso do setor privado com a sustentabilidade.

Na categoria de veículos 100% elétricos (BEV), a equipa Renault España, formada por José Antonio Luján e Carlos Sasplugas, venceu. Na categoria híbrido plug-in (PHEV), venceram Esteve Monjo e Alexandra García (Cupra Motor Palma), e na categoria híbrido elétrico (HEV), Laura Aparicio e Alba Cano (Auto Hebdo Sport).

A Praça de Espanha, em Inca, foi o centro nevrálgico do evento, acolhendo a partida, a chegada e a cerimónia de entrega de troféus, num ambiente festivo com animação, batucadas e uma grande afluência de público. O piloto José Manuel Pérez Aicart recebeu o Troféu Serra de Tramuntana em reconhecimento da sua carreira e do seu empenhamento na mobilidade sustentável.

O Eco Rallye Mallorca-Inca Ciutat reforça assim o seu papel de modelo replicável noutros territórios, unindo instituições, empresas e cidadãos em torno de um objetivo comum: avançar para um turismo mais responsável e uma mobilidade mais amiga do ambiente.

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Casal com dois filhos recebe menos 550 euros de reembolso no IRS. Veja as simulações

Uma família em que cada cônjuge ganhe 1.300 euros só tem direito a 14,06 euros de reembolso. No ano passado, o Fisco devolveu-lhe 562,59 euros para a conta, segundo simulações da OCC.

Um trabalhador solteiro, sem dependentes, com um ordenado de 2.300 ou 2.500 euros brutos mensais, pode receber menos cerca de 800 euros de reembolso no IRS e um casal com dois filhos, em que ambos os cônjuges auferem 1.300 euros, arriscam ter direito a apenas 14,06 euros, menos cerca de 550 euros face à devolução do ano anterior, no caso de entregarem a declaração conjunta, segundo as simulações da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) cedidas ao ECO.

A campanha de IRS arrancou esta terça-feira, dia 1 de abril, e termina a 30 de junho e muitos contribuintes estão a ser confrontados com um reembolso significativamente menor. Outros até vão ter de pagar imposto, pela primeira vez. “Isto acontece porque os contribuintes adiantaram menos imposto ao Estado com a dupla redução das tabelas de retenção, no ano passado”, esclarece a bastonária da OCC, Paula Franco, em declarações ao ECO.

No entanto, sinaliza Paula Franco, “os contribuintes não estão a ser prejudicados, porque o imposto efetivamente baixou e por duas vezes, no âmbito do Orçamento do Estado para 2024 (OE2024) e depois com a aprovação de um novo alívio fiscal, proposto pelo PS e aprovado a meio do ano, com efeitos a 1 de janeiro.

Para fazer refletir a nova redução do imposto, da autoria dos socialistas, com retroativos ao início do ano, o Ministério das Finanças decidiu corrigir as tabelas de retenção nos últimos meses do ano, designadamente, em setembro e outubro, baixando significativamente os descontos. “O que acontece é que os contribuintes ficaram com mais dinheiro no bolso ao longo do ano e agora têm de fazer o acerto de contas”, salienta a bastonária.

Simulações realizadas pela OCC mostram que um trabalhador solteiro e sem filhos, com um salário de mil euros mensais brutos, teve um reembolso de 439,97 euros, no ano passado. E, agora, vai receber 243,39 euros, ou seja, menos 196,58 euros. Esta variação decorre igualmente de uma redução da retenção na fonte em 466 euros, que passou de 1.432 euros para 966 euros. Mas o imposto global também baixou, de 992,03 para 722,61 euros. Nestas contas, foram consideradas deduções à coleta com despesas gerais e familiares, saúde e educação de 600 euros, assinala a Ordem dos Contabilistas Certificados.

No caso de um trabalhador com um ordenado de 2.300 euros mensais ilíquidos, o reembolso vai encolher 794,76 euros, passando de 913,60 euros para 118,84 euros. Mais uma vez, esta diferença reflete a descida dos descontos: em 2023, este contribuinte reteve 7.410 euros e, no ano passado, adiantou apenas 5.560 euros, isto é, menos 1.850 euros. De salientar que, apesar da descida do reembolso, o imposto recuou 1.055,24 euros: a coleta final líquida era de 6.496,40 euros e passou para 5.441,16 euros.

Noutra situação, a OCC nota que um solteiro sem dependente a ganhar 2.500 euros por mês estava habituado a um reembolso de 907,60 euros e, agora, vai receber apenas 70,84 euros. São menos 836,76 euros. De igual modo, esta descida é uma consequência das tabelas de retenção na fonte. Este trabalhador descontou, no passado, 6.506 euros, menos 1.934 euros face aos 8.440 euros que reteve em 2023.

Um casal, com um filho, em que ambos ganham mensalmente 1.000 euros, tiveram um reembolso, em 2024, de 119,95 euros, por referência aos rendimentos obtidos em 2023. Este ano, o Fisco vai devolver 117,21 euros, ou seja, menos 2,74 euros, no caso de entregarem a declaração conjunta. Neste caso, as simulações foram realizadas tendo em conta 850 euros de dedução à coleta com despesas gerais e familiares e por dependente.

Cada um dos trabalhadores do casal costumava descontar 61 euros por mês, e 122 euros, em agosto com a acumulação do salário e o subsídio de férias. Em setembro e outubro, pelo efeito da correção extraordinária das tabelas de retenção na fonte para refletir a descida do imposto com retroativos a janeiro, este casal não descontou valor algum. Como resultado, o valor do reembolso vai encolher.

No caso de os cônjuges auferirem, cada um, 1.300 euros ou, no conjunto do casal, 2.600 euros, o reembolso também irá encolher. No ano passado, o Fisco devolveu-lhes 574,29 euros. Agora, vão receber apenas 110,06 euros, ou seja, menos 464,23 euros.

A OCC mostra também como um casal com dois filhos, em que cada elemento do agregado tem um salário de 1.000 euros mensais brutos, ou de 2.000 euros, no seu conjunto, vai receber menos 260,74 euros de reembolso no IRS. No ano passado, teve direito a 287,95 euros. Este ano, o Fisco vai devolver apenas 27,21 euros.

Se cada um dos elementos do casal ganhar 1.300 euros, o reembolso vai baixar 548,53 euros, passando de 562,59 euros para 14,06 euros.

A descida do valor a devolver pelo Fisco é uma consequência de duas decidas do IRS, uma aprovada por via do OE2024, que atualizou os escalões me 3% e reduziu as taxas entre 1,25 pontos percentuais (p.p.) e 3,5 p.p. até ao quinto patamar de tributação. Depois, o PS conseguiu aprovar um novo alívio fiscal, com ajuda do Chega, e à revelia de PSD, e CDS, os partidos que suportam o Governo da Aliança Democrática (AD) de Luís Montenegro. Esta nova alteração levou a uma descida das taxas entre 0,25 e 1,5 pontos até ao 6.º escalão do IRS com efeitos a 1 de janeiro de 2024. Para além disso, foi viabilizada uma proposta do BE que atualizou a dedução específica, que é a parcela de rendimento isenta de imposto, em 246,24 euros, passando de 4.104 para 4.350,24 euros.

Para fazer retroagir a descida do imposto nas tabelas de retenção na fonte, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, baixou significativamente os descontos nos meses de setembro e outubro do ano passado. Até então, ordenados até 934 euros mensais brutos, no caso de um solteiro sem filhos, não descontava IRS. Com o mecanismo extraordinário criado para aqueles dois meses, salários até 1.175 euros não tiveram de adiantar imposto ao Estado, durante aqueles dois meses.

Nas pensões, não houve lugar a retenção na fonte até aos 1.202 euros para um solteiro, divorciado, viúvo ou casado (dois titulares), quando este reformado costumava descontar a partir dos 838 euros mensais.

“Como consequência, se os contribuintes descontaram muito menos, agora têm de fazer um acerto de contas com o Estado, podendo ter reembolsos menores ou até ter de pagar imposto”, aponta Paula Franco.

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