• Entrevista por:
  • Helena Garrido e Paula Nunes

Conhecer Miguel Poiares Maduro: “o importante é ser sério, e não levar-se muito a sério”

A falta de meritocracia e a pouca importância que damos ao método é o pior de Portugal.

Tem gostos muito variados, que vão desde cozinhar ao cinema e desporto. Miguel Poiares Maduro que chegou ao espaço mediático como ministro de Pedro Passos Coelho é professor em Florença e o melhor de Portugal é, para si, ser a sua casa. O livro que escolhe é a “Divina Comédia” e o filme o “Mundo Perfeito” que, diz, mostra que a redenção é sempre possível. Eis Miguel Poiares Maduro pelos seus gostos e preferências.

O melhor de Portugal, o que é?

É ser a minha casa, a minha identidade, o meu espaço.

E o pior de Portugal?

A falta de meritocracia e, associado a isso, a superficialidade com que tratamos muitos temas e a pouca importância que damos ao método.

Qual é o país que mais admira?

Não tenho um e acho impossível ter apenas um. Um pouco da Noruega, com um pouco dos EUA, com um pouco da Itália e de Portugal.

Qual a personalidade histórica que mais admira?

Um é [Nelson] Mandela. Impressiona-me por, depois de ter passado tantos anos na prisão, ter conseguido fazer um acordo e perdoar às pessoas desse regime. Há outra personalidade que tenho um interesse muito particular que é Lyndon Johnson.

Quem foi a pessoa que mais o marcou profissionalmente?

Dois professores que tive e com quem depois colaborei. Neil Komesar, que é um professor que trabalha sobre análise institucional comparada. E Joseph Weiler, pela forma como incute uma dimensão ética à investigação que faz.

E a sua melhor experiência profissional, foi como ministro?

Se tivesse de optar diria no Tribunal de Justiça da União Europeia.

Qual o acontecimento mais inesperado da sua vida? Ser convidado para ministro?

Não, já tinha sido sondado para uma outra posição, por isso não achei completamente estranho o convite. Eu era jovem quando morreu o meu pai e isso foi a coisa que mais me marcou na minha vida, seguramente. Surpresas positivas, talvez tenha sido quando fui convidado para o Tribunal de Justiça da União Europeia.

O que gosta mais de fazer nos tempos livres?

Gosto muito de cozinhar, de ouvir musica, de fazer desporto. Adoro cinema. Tenho um gosto muito plurifacetado. Sempre procurei ter outras dimensões para além da minha ocupação profissional.

Qual é a qualidade que mais aprecia numa pessoa?

Talvez a honestidade.

E o defeito que mais detesta?

Superficialidade e preconceito.

O seu livro de sonho?

A Divina Comédia, de Dante.

E o seu filme?

O Mundo Perfeito, de Clint Eastwood.

E a música?

A segunda sinfonia de Mahler.

E a obra de arte que mais admira?

A casa na cascata do Frank Lloyd Wright.

Há um incêndio na sua casa. O que é que salva?

Provavelmente o iPad.

O génio de Aladino oferece-lhe três desejos, quais seriam?

Desejaria para o meu país um país mais competitivo, com mais mobilidade social e que soubesse distinguir melhor aquilo que são as virtudes públicas e as virtudes privadas.

O seu lema de vida, tem algum?

Costumo dizer, a brincar, que em Portugal por vezes as pessoas não são muito sérias mas levam-se muito a sério. O importante é ser sério e não levar-se muito a sério.

  • Helena Garrido
  • Paula Nunes
  • Fotojornalista

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