“Num momento em que as organizações lidam com os desafios de voltar à normalidade, caminhar pode ser o melhor acelerador”

Walk the Talk propõe um programa de mentoria em caminhada. Nuno Santos Fernandes, partner e mentor na Walking Mentorship, explica o que distingue este conceito de coaching.

Num momento em que as empresas planeiam um regresso ao escritório depois de meses, muitas delas com os colaboradores em teletrabalho, caminhar em equipa pode ser o primeiro passo para acelerar esse processo de regresso à normalidade e, ao mesmo tempo, “ganhar perspetiva sobre o futuro”.

Nuno Santos Fernandes, partner e mentor na Walking Mentorship, explica o conceito de mentoria em caminhada que vai para além de uma mera caminhada com amigos. “Os participantes são conduzidos através de um percurso estruturado que os leva a tomar consciência do momento presente, ganhar perspetiva sobre o futuro desejado e definir um plano de ação para caminhar nesse sentido”, explica.

Este verão, 40 colaboradores de cinco empresas — ManpowerGroup Portugal, Turismo de Portugal, Sport Lisboa e Benfica, Novabase e Laboratórios Vitória — experimentaram este conceito, na primeira edição de Walk the Talk, programa organizado pela Walking Mentorship, em parceria exclusiva com a CEGOC.

Que resultados podem ser obtidos numa ação de Walk the Talk que não o sejam com uma simples caminhada com um amigo?

O programa Walk the Talk usa a caminhada na natureza para potenciar as dinâmicas que vão conduzir os participantes a refletir, individualmente e enquanto equipa, e a definir estratégias para caminhar rumo ao futuro pretendido. Em termos práticos, (o programa assenta) além da caminhada comum, através de uma sequência de briefings síncronos em sala Zoom, caminhadas de reflexão a solo e em duplas aleatórias, dinâmicas e conversas de grupo. Os participantes são conduzidos através de um percurso estruturado que os leva a tomar consciência do momento presente, ganhar perspetiva sobre o futuro desejado e definir um plano de ação para caminhar nesse sentido. O programa começa com um diagnóstico de grupo, desenvolve-se ao longo de quatro manhãs mais focadas no indivíduo (mas sempre ligadas aos temas da equipa), e termina com um dia completo de caminhada focada na definição do Team Charter da equipa – como um acordo partilhado para a equipa evoluir de onde se encontra hoje para onde quer estar.

Num momento em que as organizações estão a lidar com os desafios de voltar à normalidade, este programa, que é feito a caminhar, pode ser o melhor acelerador para esse processo.

Que vantagens retiram as empresas deste tipo de abordagem face, por exemplo, a outros programas de coaching?

O Walk the Talk tem como principais vantagens a abordagem paralela à equipa sem perder a individualidade de cada participante –- esta valorização do indivíduo promove conversas com profundidade e comprometimento, o que reforça a confiança e vai ser o alicerce sólido em que vai assentar o Team Charter. Por outro lado, o facto de todo o processo ser feito em caminhada na natureza cria um ambiente de descontração e bem-estar que vai ativar outros caminhos de pensamento que nem eram percecionados anteriormente. Até pode parecer magia, mas na verdade a ciência explica tudo. Num momento em que as organizações estão a lidar com os desafios de voltar à normalidade, este programa, que é feito a caminhar, pode ser o melhor acelerador para esse processo.

 

São programas que fazem sentido manter em continuidade, mantendo o sentir do pulso das equipas, dos colaboradores?

Faz sentido voltar ao processo ciclicamente, em função dos desafios que a equipa vai enfrentando. Mas claro que há aprendizagens que passam diretamente para as práticas diárias da equipa – a mais frequente é passar a fazer reuniões em caminhada, com benefícios claros para a saúde dos indivíduos, mas também ao nível da rapidez e qualidade das decisões.

Como é que se monitorizam os resultados?

No imediato, é claramente percetível a evolução entre o diagnóstico realizado imediatamente antes do programa e o estado da equipa no final do programa. Claro que os efeitos mais duradouros serão verificados com observações futuras.

O tema da saúde mental tem ganho visibilidade, sobretudo, com a pandemia. É um aspeto que querem ou podem endereçar neste tipo de ações?

É inevitável que o tema surja sempre que olhamos de forma honesta para as organizações, como acontece necessariamente neste programa. E é verdade que o simples facto de levar os participantes a caminhar na natureza, a falar sobre como se sentem e a pôr a sua vida em perspetiva vai ter um impacto positivo. No entanto, o foco deste programa é o desenvolvimento das equipas a partir dos seus membros – a saúde mental é um tema de enorme importância que merece ser abordado de forma autónoma e comprometida pelas organizações.

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