Presidente do IAPMEI: “PME apresentam níveis médios de endividamento elevados e baixo nível médio de capitais próprios”

Jorge Marques dos Santos espera que o processo de reprogramação do Portugal 2020 "esteja concluído em tempo útil de forma a não traduzir descontinuidades relevantes" no apoio às empresas.

O presidente do IAPMEI, Jorge Marques dos Santos, reconhece que ainda há empresas com dificuldade de acesso ao crédito, acesso esse que se torna ainda mais difícil quando as empresas estão descapitalizadas. Em entrevista por escrito ao ECO, no dia em que a agência atribui o selo de PME Excelência a 1947 empresas, Jorge Marques Santos fala ainda da necessidade de concluir a reprogramação do Portugal 2020 em “tempo útil” para que não haja “descontinuidades relevantes” nos apoios às empresas. E recorda que estão “abertos diversos concursos em várias medidas dos sistemas de incentivos, disponibilizando mais de 400 milhões de euros de fundos, para projetos de I&D, qualificação, internacionalização, inovação produtiva e empreendedorismo”.

A atribuição da distinção da PME Excelência continua a ser relevante para as empresas?

Claro que sim. Para a empresa que recebe, é um benefício de imagem e de notoriedade, e um traço diferenciador que lhe permite relacionar-se com vantagem com a sua envolvente. Mais importante ainda é quando se movem no contexto internacional e em mercados onde ainda não são conhecidos. Para clientes e para fornecedores, é confiança adicional, com todas as vantagens que isso implica.

As PME continuam a queixar-se de falta de acesso ao crédito? O crédito só está disponível para aquelas que na realidade não necessitam?

As PME, continuam a procurar e a obter crédito num montante apreciável, e sendo verdade que na análise de risco das operações, por parte da banca, há empresas com maior dificuldade no acesso a crédito, é também verdade que o Estado, através do IAPMEI e do Sistema de Garantia Mútua, disponibiliza soluções de crédito, com cobertura parcial de risco, o que tem permitido o acesso a crédito por parte de milhares de empresas, designadamente micro e pequenas empresas e outras PME, superando dificuldades de mercado no acesso a crédito por parte das empresas.

O problema passou agora a ser mais em termos de capitalização?

Sendo certo que as PME Portuguesas apresentam, níveis médios de endividamento elevados, e baixo nível médio de capitais próprios, o que constitui um constrangimento no seu processo de financiamento, a capitalização das PME está na ordem do dia. Com o Programa Capitalizar, foram já implementadas diversas medidas visando apoiar e incentivar o apoio à capitalização das PME. O conjunto de medidas envolve: medidas fiscais para reforço e remuneração dos capitais próprios; medidas de financiamento (Linhas de Crédito e Fundos de Capital de Risco); medidas de apoio à recuperação de empresas em dificuldade. Todas as medidas estão devidamente divulgadas e a sua consulta pode ser efetuada no site do IAPMEI.

As PME Portuguesas apresentam níveis médios de endividamento elevados, e baixo nível médio de capitais próprios, o que constitui um constrangimento no seu processo de financiamento.

Jorge Marques dos Santos

Presidente do IAPMEI

Muitas empresas admitem que não sabem quais as medidas que fazem parte do programa capitalizar. O que é preciso fazer para aumentar o nível de divulgação?

Muitas foram as sessões de divulgação de apresentação do Programa Capitalizar e todas as medidas estão devidamente identificadas e descritas no site do IAPMEI, mas temos sempre de continuar a divulgar. No âmbito da implementação do RERE (Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas) e também da dinamização de processos de transmissão empresarial, o IAPMEI em articulação com vários parceiros da envolvente empresarial continuará a divulgar medidas do programa capitalizar.

Está preocupado com o facto de o montante global do Sistema de Incentivos, no âmbito do Portugal 2020, estar praticamente esgotado?

O dinamismo das empresas no atual ciclo económico tem vindo também a traduzir-se numa procura muito significativa aos apoios do Portugal 2020, nomeadamente aos sistemas de incentivo que apoiam as várias estratégias de inovação, competitividade e internacionalização. Apesar do Portugal 2020 prever uma dotação indicativa superior em cerca de 20%, aquela procura traduziu-se num ritmo de aprovações bastante superior ao verificado em período homólogo do QREN. A resposta a esta necessidade das empresas, está a ser considerada no processo de reprogramação do Portugal 2020 atualmente em curso, com vista a criar condições orçamentais para dar sustentabilidade aos vários instrumentos até final do programa.

Tem alguma indicação de que as empresas vão ser beneficiadas no âmbito da reprogramação do PT2020? Essa reprogramação surgirá quando?

A reprogramação tem como objetivo responder efetivamente às necessidades das empresas pelo que é expectável que a mesma as venha a beneficiar. O processo de reprogramação é complexo tecnicamente e implica uma avaliação e aprovação pelas autoridades Europeias, razão pela qual não é possível assumir à cabeça uma data para a sua conclusão. Espera-se contudo que o mesmo esteja concluído em tempo útil de forma a não traduzir descontinuidades relevantes. Salienta-se que estão atualmente abertos diversos concursos em várias medidas dos sistemas de incentivos, disponibilizando mais de 400 milhões de euros de fundos, para projetos de I&D, qualificação, internacionalização, inovação produtiva e empreendedorismo.

O processo de reprogramação é complexo tecnicamente e implica uma avaliação e aprovação pelas autoridades Europeias, razão pela qual não é possível assumir à cabeça uma data para a sua conclusão. Espera-se contudo que o mesmo esteja concluído em tempo útil de forma a não traduzir descontinuidades relevantes.

Jorge Marques dos Santos

Presidente do IAPMEI

Na avaliação do IAPMEI quais as principais necessidades das PME e o que pode Executivo fazer para as colmatar?

São múltiplas as necessidades das PME, e pela própria dinâmica dos mercados, surgirão novos desafios e novas necessidades. As políticas públicas, deverão continuar e mesmo a aumentar o apoio às PME portuguesas, em múltiplos domínios, designadamente: a qualificação e a internacionalização; a adoção de tecnologias de informação, na senda da digitalização integral da gestão, da conceção, e de processos; a ligação entre as PME e os centros de investigação, incrementando a geração de valor através de processos de inovação e a oferta de soluções de financiamento em resposta necessidades específicas e de soluções de mitigação de riscos.

Era importante rever os critérios de definição de PME para que mais empresas se encaixem neste conceito?

A Comissão europeia está a fazer uma revisão dos conceitos que definem os critérios para chamar uma empresa de micro, pequena ou média, tendo aberto uma Consulta pública sobre a revisão da definição de PME que termina a 6 maio 2018. O IAPMEI está a promover a participação das PME portuguesas neste procedimento, de modo a que as suas opiniões individuais sobre esta matéria possam ser tidas em consideração na avaliação. As empresas estão a ser convidadas a responder ao questionário da Comissão Europeia o qual visa avaliar em que medida a atual definição de PME é adequada e a estudar opções para possíveis alterações à recomendação.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Presidente do IAPMEI: “PME apresentam níveis médios de endividamento elevados e baixo nível médio de capitais próprios”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião