Pedro Marques: “Rui Rio tem estado numa lógica de oportunismos sucessivos”

Governo e PSD assinaram um acordo para os fundos comunitários. Foi selado com um aperto de mão entre Costa e Rio, mas desde então o líder do PSD tem atacado o Executivo. Pedro Marques critica.

O Governo e o PSD aproximaram-se com o acordo sobre a posição portuguesa na negociação do quadro plurianual de fundos estruturais para a próxima década. O aperto de mão entre António Costa e Rui Rio aconteceu há cerca de um mês, deixando antever uma aproximação entre os dois partidos, mas desde então o líder do principal partido da oposição tem feito vários ataques ao Governo, o último dos quais sobre a impreparação para a época de incêndios que mereceu uma resposta dura de Pedro Marques. O ministro do Planeamento critica o “oportunismo político”. “Rui Rio, depois dos acordos políticos que fez com o Governo há cerca de um mês, tem estado numa lógica de oportunismos sucessivos e de imediatismos sucessivos na sua atuação política”, diz, em entrevista ao ECO24.

Numa altura em que o verão se aproxima, a falta de meios para o combate aos incêndios tem marcado a agenda. Há receios de que as tragédias do ano passado possam repetir-se por falta de preparação do Executivo. Pedro Marques, ministro do Planeamento, diz que “tal como nós [no Ministério do Planeamento e Infraestruturas] trabalhámos na reconstrução das casas, todos os meus colegas de Governo estão a trabalhar para preparar esta época de incêndios”, diz em entrevista ao ECO24.

Pedro Marques afasta a ideia de “impreparação” do Governo, apesar das críticas que têm sido feitas, entre elas as do presidente do PSD. Rui Rio fala numa “trapalhada” que mostra a incapacidade do Governo para planear a época de incêndios, um ataque que não ficou sem resposta por parte do ministro do Executivo de Costa. “Rui Rio, depois dos acordos políticos que fez com o Governo há cerca de um mês, tem estado numa lógica de oportunismos sucessivos e de imediatismos sucessivos na sua atuação política”, diz.

“É falar de baixas de impostos, de aumentos da Função Pública, de mais dinheiro para os agricultores afetados quando o Governo já pagou 62 milhões de euros de apoios extraordinários aos agricultores afetados. Isto parece-me apenas imediatismo na gestão política“, diz Pedro Marques em entrevista ao programa que resulta de uma parceria entre o ECO e a TVI24.

Quem se afastou da orientação estratégica de definir uma abordagem estrutural e começou a tratar da espuma dos dias foi o líder do PSD. O que nós estamos a fazer é pensado, é estruturado e está a ir para o terreno”, defende Pedro Marques, salientando não só o trabalho que está a ser feito agora como o que fez na resposta aos incêndios do ano passado.

“Tivemos um incêndio que afetou mais de um milhar de casas, espalhadas por todo o território, com necessidade de confirmar a titularidade das casa de primeira habitação, lançar empreitadas de obras públicas para reconstruir tudo”, notou, salientando que “estão mais de 800 casas em obra ou concluídas”. “Isto é muito significativo”, rematou. “Já entregámos as primeiras casas às famílias afetadas. E temos casas em reconstrução, centenas de casas. “A nossa expectativa é que a totalidade das casas estarão concluídas até ao final do ano“, concluiu.

Da “espuma dos dias” aos “banhos de ética”

Depois de já ter afirmado que o líder do PSD passou a “tratar da espuma dos dias”, Pedro Marques voltou a criticar Rui Rio quando questionado sobre a sucessão de notícias relativamente ao Governo de José Sócrates, do qual fez parte. O ministro do Planeamento e das Infraestruturas do Executivo de António Costa, reagindo às palavras de Rio sobre Sócrates e também Manuel Pinho, afirmou que se tratou de “mais uma dessas tentativas dos chamados banhos de ética do PSD”.

Sobre os processos que envolvem o antigo primeiro-ministro e o ex-ministro da Economia, Pedro Marques recusou fazer comentários. “Não comento processos judiciais”, disse, acrescentando que espera “que toda a verdade seja apurada a benefício da nossa democracia. E que seja apurada pela Justiça”.Enquanto membro de um Governo, como ministro, e como há separação clara de poderes, espero que a Justiça apure tudo”, rematou o governante.

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