“Se o talento for liderado de forma meritocrática o resultado são empresas como a Sword”premium

Não faltam planos à Sword Health, o novo unicórnio nacional. Virgílio Bento quer contratar mais 300 pessoas e estender a atual solução tecnológica à reabilitação de outras patologias já em 2022.

É o mais recente unicórnio a nascer com cores nacionais: a Sword Health levantou 189 milhões de dólares e atingiu uma valorização de 2 mil milhões de dólares. Um desempenho que torna a startup a mais rápida a atingir o estatuto unicórnio em Portugal. É o sexto unicórnio nacional, juntando-se a este conjunto raro de startups portuguesas como a Farfetch, Outsystems, Talkdesk, Feedzai e Remote.

O nascimento da Sword Health, em 2015, está intimamente ligado à história e experiência pessoal do seu fundador, Virgílio Bento. Em 1994, o seu irmão foi atropelado, sofrendo múltiplos ferimentos graves e atirando-o para 12 meses de coma. Após três anos de tratamento contínuo, foi necessário recorrer a um centro de reabilitação em Cuba, onde cada paciente tinha um fisioterapeuta totalmente dedicado.

Virgílio Bento acreditou que a tecnologia podia ser a resposta para a oferta escalável de soluções de reabilitação física. E não está sozinho. Acaba de levantar 189 milhões de dólares, a terceira ronda do ano. Hoje são 250 colaboradores -- 155 em Portugal e 140 nos Estados Unidos. E não faltam planos já para 2022: querem contratar mais 300 pessoas e estender a atual solução tecnológica à reabilitação de outras patologias.

Quando lançou a Sword Health em 2015 imaginava que seria a startup nacional que atingiria mais rapidamente o estatuto unicórnio?

Nunca foi um objetivo atingir esta valorização. Eu comecei por uma motivação muito pessoal, muito direta, o nosso foco sempre foi ter esse impacto no mercado, na forma como tratamos e reabilitamos os nossos pacientes. A valorização e o crescimento económico da Sword Health é um efeito secundário do valor que estamos a entregar aos nossos pacientes. Nunca foi um objetivo, nem falávamos disso sequer -- ser unicórnio ou ser o mais rápido em Portugal -- porque o nosso foco esteve mesmo em ter os testemunhos dos pacientes. Isso sim para nós é que é a unicorn valuation.

Com os 189 milhões de dólares levantados pretendem desenvolver novas soluções digitais e recrutar 300 colaboradores. As tech queixam-se de dificuldades de contratação por escassez de talento, como vão contornar esta situação que tantas dores de cabeça estão a dar ao setor?

Não temos propriamente um problema no acesso ao talento. Quando as startups e as empresas se queixam de dificuldade no acesso a talento tem a ver com um problema de diferenciação. A Sword é muito diferenciada, não só porque temos um impacto à escala global, como toda a gente aqui dentro está a resolver um problema humano muito significativo. E quando temos as pessoas a juntaram-se à Sword, a primeira razão pela qual se juntam é pela nossa missão e pelo impacto humano que estamos a ter e, obviamente, pela capacidade de ter impacto à escala global: um developer que escreve linhas de código sabe que vai ter impacto à escala global em centenas ou dezenas de milhares de pacientes, vai mudar, efetivamente, a sua vida. Isso, por si só, leva a uma diferenciação que faz com que a atração de talento seja muito mais fácil. Não somos mais uma.

Nunca foi um objetivo, nem falávamos disso sequer -- ser unicórnio ou ser o mais rápido em Portugal -- porque o nosso foco esteve mesmo em ter os testemunhos dos pacientes. Isso sim para nós é que é a unicorn valuation.

Quando é que contam fechar as contratações?

Não temos uma timeline específica para isso, queremos fazer o mais rapidamente, sem nunca comprometer a qualidade do talento.

E ao nível de soluções digitais? Qual o próximo passo?

Desenvolvemos uma solução para o tratamento de patologias músculares-esqueléticas -- patologia cervical, do ombro, lombalgias --, a solução líder no mundo, um grande problema na saúde física. É o problema mais importante e, por isso, temos crescido tão rapidamente. O que vamos fazer a seguir é aplicar a nossa tecnologia ao tratamento de outras patologias no mundo da saúde física, como reabilitação neurológica, cardíaca, etc., problemas que têm impacto na saúde física das pessoas, mas que não estão ligadas especificamente às patologias músculo-esqueléticas, mas que é um problema muito importante para resolver e ao qual vamos estender a nossa tecnologia e aplicá-la a esses verticais da saúde física.

Quando é que arrancam? Ou já está a acontecer?

A intenção do nosso plano para 2022 é fazer essa expansão, os timings serão anunciados em 2022, mas essa é a nossa visão estratégica.

Na Web Summit o secretário de Estado para a Transição Digital disse haver um pipeline "muito grande" de novos unicórnios. Tem algum feeling de qual será o próximo? Mais um unicórnio português acontece pela vitalidade do ecossistema de startups nacional ou acontece apesar do ecossistema?

Nunca fui à Web Summit e não ouvi essas declarações e também não faço ideia de que outras startups possam chegar a esse nível.

Em relação ao facto de, para uma população tão pequena, o sistema empreendedor ser tão bem sucedido, claramente acredito que tem a ver com a qualidade do nosso talento, dos developers, dos designers, das equipas clínicas, operacionais, de gestão. Claramente tem a ver com a qualidade do talento em Portugal que, se for liderado e gerido de uma forma meritocrática, a pensar na escala global o resultado são empresas como a Sword, que tem uma valorização inacreditável, à escala dos Estados Unidos, não à escala portuguesa.

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