Depois do teletrabalho e dos modelos híbridos… e agora 2022?premium

Após a revolução no mundo do trabalho imposta pela pandemia, o que nos reserva o ano que agora arranca? Os líderes de pessoas e empresas traçam os desafios que vão marcar 2022.

Depois de quase dois anos de viver e trabalhar em pandemia, em 2022 o foco do mundo do trabalho centra-se no essencial: as pessoas. Serão elas o motor dos planos de crescimento das empresas e é a sua indisponibilidade que está a gerar preocupação em muitos setores. Não faltam ambições ao nível da contratação: 84% dos empregadores nacionais tencionam reforçar o seu quadro de pessoal neste ano, indica o “Guia do Mercado Laboral”, da Hays, o valor mais elevado desde que o Guia é realizado. Cativar sangue novo é que não se afigura fácil, com apenas 74% dos colaboradores dispostos a mudar de emprego. Embora acima dos valores de 2017 e 2019, anos pré-pandemia em que a vontade de mudar de emprego atingiu mínimos históricos, espelha um arrefecimento em cinco pontos percentuais na disponibilidade do talento em dar um novo rumo à sua vida profissional.

O turismo é uma das exceções. Aqui não faltam pessoas desejosas de sair do setor — 87% tem essa intenção — agravando a escassez crónica de talento. Mas não é o único. Na construção, 77% dos trabalhadores querem mudar de emprego, o que, num setor onde faltam cerca de 70 mil trabalhadores, pode ser um “obstáculo” na execução dos 16,6 mil milhões de euros da bazuca europeia, alertou o presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), Manuel Reis Campos.

Nas tech o problema é outro. É dos setores onde os profissionais estão mais indisponíveis para mudar, o que combinado com a elevada procura por talento TI, vai, certamente, aumentar a temperatura salarial e a pressão junto dos líderes de pessoas para cativar e reter a sua gente. Para mais que, agora, mais do que nunca, a competição pelo talento é global. É que, se com os novos modelos flexíveis de trabalho as empresas alargaram a sua rede de recrutamento, os colaboradores têm igualmente ao seu dispor a aldeia global para procurar o desafio que melhor os satisfaz. Talvez por isso, muitos dos operadores ouvidos pela Pessoas destacam a retenção de talento como um dos temas que irá ganhar maior visibilidade em 2022.

Será um dos desafios no mundo do trabalho que arranca 2022 com uma nova regulação do teletrabalho que não agrada a todos os empregadores — mais de metade (62%) está contra o pagamento obrigatório de despesas com o teletrabalho, como energia e internet, ainda que dedutíveis pela empresa; e quase quatro em cada dez contra o “dever do empregador se abster de contactar o trabalhador no período de descanso, ressalvando as situações de força maior”, revela um inquérito da Associação Empresarial de Portugal — mas que é, cada vez mais, um tema para os colaboradores em contexto de entrevista: 60% valoriza esta modalidade como benefício, indica o estudo da Hays. Já do lado dos empregadores, apesar de 54% disponibilizar alguma modalidade de teletrabalho, “denota-se ainda alguma indefinição em relação a políticas ou regras de implementação dentro das estruturas”.

Definições nos modelos de organização que as empresas querem adotar no pós-pandemia que, certamente, deverão ser mais claras em 2022. E não só. Da banca à educação, do retalho à indústria tech, dos transportes ao imobiliário, a Pessoas ouviu operadores de vários setores que apontam as tendências e os desafios no mundo do trabalho e das suas empresas.

Banca

“Um ano marcado pela transformação do negócio”

Nuno Cardoso Filipe, DRH do BPI, em entrevista ao ECO/Pessoas - 26ABR21
Nuno Filipe, diretor de recursos humanos do BPI.Hugo Amaral/ECO

“2022 será um ano de definição de alguns dos principais pilares de um modelo de trabalho mais híbrido, que sofreu um avanço significativo com a pandemia. No caso da banca, em que grande parte dos colaboradores trabalham em contacto direto com os clientes, o presencial continuará a estar muito presente, sobretudo nestas funções. Nos serviços centrais poderão vir a ser definidas regras de maior flexibilização entre o trabalho presencial e o teletrabalho. Outras tendências serão o reforço do equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar e o desenvolvimento de programas de saúde e bem-estar, nos quais a componente da saúde mental merecerá especial cuidado.

Continuará a ser um ano marcado pela transformação do negócio, com um impacto direto na necessidade de apoiarmos a adaptação das pessoas, através de formação/aprendizagem. Não se perspetiva um grande movimento de recrutamento externo, fruto desta transformação do próprio setor, mas haverá sempre oportunidades, sobretudo nas áreas da tecnologia e da regulação.”

Construção

“Algumas profissões necessitam de anos de formação”

Aniceto Viegas, CEO da Avenue.

“No setor da construção, sentimos que os nossos parceiros se esforçam para fidelizar os seus colaboradores e os seus subempreiteiros. Algumas profissões necessitam de anos de formação e existe uma clara carência de algumas atividades. Esta carência obriga-nos a todos da cadeia de valor — promotores, projetistas e empresas de construção civil — a rever o tipo de construção, pensando em soluções técnicas mais industrializadas e menos feitas à medida. No imobiliário, mais especificamente nos escritórios, as principais tendências passam pela vertente da sustentabilidade e da flexibilidade. Os locais de trabalho são cada vez mais uma ferramenta de captação e de retenção de talentos e a grande maioria das empresas comunica e afirma os seus compromissos através dos seus escritórios.

O bem-estar dos colaboradores é outra tendência em destaque para os próximos anos. Os escritórios devem ser flexíveis para acomodar facilmente as alterações de layout interior que uma empresa pretende implementar, mas também deve ter espaços que proporcionam o bem-estar e a interação dos seus colaboradores.”

Farmacêutico

“Regime que advém das novas regras (do teletrabalho) é mais rígido e burocrático”

Filipa Mota e Costa, diretora-geral da Janssen Portugal.

“O ano de 2022 vai ser de continuidade e de consolidação do que vivemos nestes últimos anos, sendo clara a necessidade de sistematizar a transformação que já começou. Será exigido às empresas cada vez mais agilidade, sem perder o foco no seu trabalho. E os trabalhadores continuarão a procurar novas formas de trabalhar, mais flexíveis. Esta é a nossa tendência enquanto companhia, a flexibilidade sem nunca deixar de ter como foco a importância da colaboração e proximidade, mas também dando espaço aos colaboradores para poderem gerir a sua vida profissional e pessoal. Esperávamos que a legislação laboral trouxesse um regime mais flexível, que permitisse ser o próprio trabalhador com o empregador a fixar os termos do teletrabalho, implementando um efetivo regime híbrido.

Ao contrário do esperado, o regime que advém das novas regras é mais rígido e burocrático. A flexibilidade que foi aprovada e promovida por todos face às circunstâncias vividas foi desvalorizada pelo legislador.”

Imobiliário

“Estarão mais fortes as empresas que ofereçam condições de progressão profissional”

Rosário Morgado, diretora de recursos humanos da ERA Portugal.

“No setor imobiliário, como em qualquer outro, as empresas vivem e vencem sobretudo em função das pessoas que conseguem agregar. Em diferentes setores assiste-se a um desfasamento entre a definição do perfil do candidato, ao nível da descrição de tarefas e responsabilidades a assumir, assim como as competências técnicas e sociais. As empresas precisam de apostar na formação e na requalificação dos seus colaboradores, bem como desenvolver equipas multidisciplinares com complementaridade de conhecimentos, competências e qualificações. Poucas empresas estão preparadas para este grande desafio de fazer crescer as pessoas e de assumir a formação profissional dos seus colaboradores, tendo em conta o seu potencial humano e a sua diversidade. Nos próximos anos, e não só em 2022, estarão mais fortes as empresas que se foquem no alinhamento entre a gestão de recursos humanos e a estratégia de negócio, bem como aquelas que ofereçam condições de progressão profissional aos colaboradores.

Temos o grande desafio de harmonizar, por um lado, os ambientes de trabalho com elevada produtividade e rentabilidade e, por outro lado, espaços de afirmação da singularidade de cada indivíduo, ou seja, promover espaços de flexibilidade e de relações felizes.”

Educação

“Recrutamento de professores e investigadores está globalizado e é extremamente competitivo”

Miguel Ferreira, presidente do conselho científico da Nova SBE.

“As principais tendências para 2022 são o teletrabalho e a transformação digital. No entanto, o teletrabalho terá sempre uma expressão limitada na educação em que a interação entre professores, investigadores, alunos e staff é uma componente fundamental dos processos de aprendizagem, investigação e inovação. O mercado para o recrutamento de professores e investigadores está globalizado e é extremamente competitivo. As universidades nos EUA e também algumas na Europa e Ásia têm modelos de negócio baseados em preços elevados e doações de privados que lhes permitem oferecer condições remuneratórias e de trabalho muito acima da capacidade da generalidade das escolas europeias. A capacidade de atração de talento é limitada e exige um esforço significativo baseado nas nossas vantagens competitivas como sendo um ambiente de trabalho colegial, grupos de investigação focados em temas relevantes para a sociedade e o estilo de vida português.

Um desafio adicional é o objetivo da generalidade das escolas em aumentar a diversidade do seu corpo docente. Prevê-se que 2022 seja um ano bom para as escolas recrutarem professores e investigadores no mercado internacional pois vários candidatos adiaram um ano a entrada no mercado académico pós-doutoramento devido à pandemia.”

Energia

“Procuramos perfis com grande disponibilidade para aprender”

Manuela Pinto, diretora de RH da Repsol.

“Já não encaramos tanto como uma tendência, mas antes como um imperativo: potenciar a tecnologia, privilegiar o trabalho colaborativo, em rede, em qualquer espaço. Esta constante capacidade de adaptação, certamente, irá marcar 2022. Com a pandemia ainda a dar sinais de vitalidade, esta resiliência é a chave. Não me refiro apenas às novas formas de trabalho, mas também, ou essencialmente, ao mindset das pessoas, que, dentro da incerteza que ainda paira, terão de ser capazes de se adaptarem aos desafios. Nas organizações, teremos de providenciar o apoio necessário, as ferramentas, mas também outros tipos de apoio e acompanhamento. Temos de ser ainda mais próximos. Temos ainda o desafio da transição energética, de preparação para um mundo neutro em carbono, como espelha a estratégia da Repsol, de neutralidade carbónica até 2050.

Para abraçar estes desafios e aventuras, procuramos perfis com uma grande disponibilidade para aprender, mas também com a audácia de pensar diferente, de introduzir novas perspetivas.”

Indústria tech

“Flexibilidade quanto ao local a partir do qual se trabalha veio para ficar”

Pedro Henriques, diretor de recursos humanos da Siemens Portugal.

“Em várias áreas, como, por exemplo, as tecnologias de informação (TI), vemos cada vez mais empresas a contratar profissionais em Portugal em regime predominantemente remoto. Já se fala em globalização do mercado de trabalho há muitos anos, mas creio que nunca antes se viram tantos anúncios de emprego procurando colaboradores para trabalhar a partir de casa e prestar serviços para qualquer parte do mundo. Em 2022, esta tendência acentuar-se-á. As alterações que a pandemia originou diluíram os limites geográficos de Portugal e do mundo. Muitas empresas, algumas norte-americanas e do norte da Europa, veem Portugal como uma fonte de talento muito interessante.

Temos excelentes profissionais no nosso país que não queremos perder sendo o teletrabalho um dos fatores de retenção. A flexibilidade quanto ao local a partir do qual se trabalha veio para ficar e, consequentemente, a forma como as empresas e as pessoas vivem o local de trabalho também mudou independentemente das muitas aprendizagens que todos continuamos a ter. Temos cada vez mais empresas a contratar em Portugal em áreas tecnológicas, o que é ótimo para o país e para os portugueses. Mas esta realidade tem colocado uma pressão grande no mercado de trabalho dada a falta de profissionais altamente especializados.

É necessário apostar ainda mais na requalificação de profissionais de áreas em que há desemprego, assim como promover a abertura de mais cursos técnicos e universitários na área das TI, por exemplo. Outro desafio, que decorre da maior pressão no mercado de trabalho, é saber como atrair e reter talento. E isso passa, obviamente, por ouvir os nossos colaboradores, perceber quais são as suas necessidades, preocupar-nos com a pessoa e não apenas com o profissional e dar respostas sustentadas a essas necessidades através de pacotes de benefícios mais abrangentes, flexibilidade horária, bem como um maior foco no bem-estar e no equilíbrio pessoal e profissional.”

Operador postal/Encomendas

“Manter-se-á muita imprevisibilidade, com reforço de contratação nas alturas de maior atividade”

Marisa Garrido, diretora de pessoas e cultura dos CTT.

“Em termos de setor, estamos em crer que se mantêm as tendências dos últimos meses, com muita imprevisibilidade, com reforço de contratação nas alturas de maior atividade, uma vez que se perspetiva que as tendências de compra online em Portugal se mantêm, o que se traduz em desafios para a atração e seleção de novos colaboradores, especialmente para as áreas operacionais.

Nos CTT, 2022 é mais um ano onde a transformação assume um papel central e neste âmbito, as áreas prioritárias são as pessoas e de operações. Somos uma empresa de pessoas, com mais de 13.500 colaboradores, onde as operações se destacam pelo tipo de atividade. Vamos claramente apostar no desenvolvimento de uma organização de trabalho assente na flexibilidade que contribua para a melhoria da experiência dos colaboradores, alavancado no valor como marca empregadora no panorama nacional, e que promova a agilidade da organização como um todo e o foco nos principais objetivos de negócio.

Pretendemos reforçar as nossas necessidades internas, investindo cada vez mais na criação de programas de integração de jovens talentos em fase inicial de carreira, não apenas para as funções corporativas como já o fazemos, mas apostando definitivamente em programas equiparados orientados exclusivamente às operações e lojas próprias, já a partir do início de 2022.”

Recursos humanos

“Não podemos achar que mesas de matraquilhos fazem a diferença, pois nada compete com 'o novo local de trabalho'”

André Ribeiro Pires, chief operating officer da Multipessoal.

“Para 2022 verifica-se um otimismo generalizado por parte dos empregadores sobre o crescimento das suas atividades, no entanto esta perspetiva é acompanhada por um receio ainda maior: a falta de força produtiva em quantidade suficiente para dar resposta às necessidades mais imediatas. O agravar da escassez de recursos faz com que antecipemos que a conversão e requalificação serão uma tendência nos próximos anos em Portugal. Urge formar os atuais colaboradores com skills que normalmente eram procuradas no mercado.

Na contratação, os maiores desafios passam pela inversão que o mercado sofreu ao longo dos últimos anos. Deixaram de ser as empresas a escolher as contratações para passarem a ser os candidatos a escolher as empresas.

O employer branding é há muito uma realidade efetiva em Portugal e as empresas que não o promoverem e desenvolverem, vão ter mais dificuldade em atrair. Esta escassez generalizada pode levar a um empolamento dos vencimentos pagos.

O terceiro grande desafio, passa por uma zona mais abrangente. Vivemos num mercado ainda mais global, onde é possível mudar de empresa e manter o mesmo local de trabalho: a nossa casa. Cada vez mais empresas globais procuram talento em Portugal e conseguem garantir pacotes financeiros mais atrativos e adequados às suas economias. Se, até agora, o ambiente do local de trabalho era fator crítico de sucesso, hoje não podemos achar que umas mesas de matraquilhos ou um espaço de convívio podem fazer a diferença, pois nada compete com 'o novo local de trabalho'.”

Retalho alimentar

“Continuar com o projeto de expansão em Portugal”

Andreia Lima, coordenadora de captação e centro de seleção da Mercadona Portugal.

"A Covid- 19 veio para ficar e, desta forma, todas as empresas tiveram de se adaptar. O bem-estar dos trabalhadores é aquilo que a Mercadona considera mais importante, focamo-nos numa política de recursos humanos que aposta na formação de todos os nossos colaboradores, na promoção interna, na igualdade e num pacote salarial atrativo. Em 2022 vamos continuar com o nosso projeto de expansão em Portugal, consolidando a nossa presença nos distritos onde já estamos implementados e dando continuidade ao plano de expansão que contempla abrir supermercados em novos distritos do país.

2022 será também marcado pelo arranque do projeto de um dos maiores investimentos da Mercadona em Portugal, o bloco logístico de Almeirim. Haverá também grande esforço de contratação, sendo, por isso, faseado”.

Retalho não alimentar

“Equipas presenciais e à distância trazem desafios aos líderes”

Nuno Carvalho, operational talent development manager da Worten.

“O retalho manteve atividade no confinamento, mas teve uma transformação significativa no reforço do online, que deverá manter grande protagonismo nos próximos anos. Os serviços que agregamos ao produto e os que vendemos como produto autónomo são uma das vias de diferenciação. Todas as funções relacionadas com desenho, suporte e gestão de gama de serviços estarão, por isso, em alta. E também as funções relacionadas com IT e data. Nestas áreas em especial, mas também nas de suporte administrativo e financeiro, competimos num mercado global que a generalização do teletrabalho veio facilitar.

Duas outras linhas continuarão determinantes: a igualdade de género, especialmente de mulheres em funções de liderança, e o reforço da contratação de pessoas com deficiência. Para as funções que permitam trabalho à distância, vamos viver a calibração dos modelos presenciais e remotos. A flexibilidade das empresas para o full remote ou a proporção entre dias em presencial e remoto são variáveis que candidatos e colaboradores têm, cada vez mais, em conta na avaliação de propostas. A nova realidade de equipas em regime presencial e à distância traz desafios à configuração dos espaços de trabalho e às lideranças de equipas.”

Segurador

“Enquanto não baixar carga fiscal, empresas terão sempre desafio tremendo”

Rita Lago, corporate culture & people engagement manager da Fidelidade.

“Teremos que continuar a apostar na promoção do bem-estar das nossas pessoas, tema transversal às empresas, mas também a apostar na capacitação tecnológica. Os novos modelos de trabalho são uma reflexão que queremos fazer em 2022, até porque, a adoção que fizemos do teletrabalho resultou do contexto pandémico e necessitamos de definir modelos para contextos pós-pandémicos.

Ao nível da contratação, grande parte das empresas e dos setores terá desafios muito semelhantes, a diferença vai residir ao nível da competitividade dos países e mercados, por exemplo Portugal vs. o Norte da Europa, e a dificuldade de Portugal em competir com estes mercados. Enquanto os governantes não fizerem um trabalho de fundo exaustivo que permita baixar as cargas fiscais sobre o trabalho e, não criarem mecanismos de atração para os jovens que procuram o primeiro emprego, empresas terão sempre desafio tremendo entre mãos.”

Transportes

“Mercado competitivo torna a retenção de talento num desafio”

Manuel Pina, diretor-geral da Uber em Portugal.

“Podemos dividir as tendências em duas áreas: os colaboradores que trabalham nos nossos escritórios e os motoristas e parceiros que usam a nossa aplicação para trabalhar e gerar rendimento. No caso dos colaboradores, em 2021 a Uber adotou como política global o sistema de trabalho híbrido, em que os nossos colaboradores podem optar por passar até 50% do tempo a trabalhar remotamente. Este benefício também tem sido muito importante para atrair talento, contribuindo para os nossos esforços no preenchimento das mais de 200 vagas criadas desde a inauguração do novo Uber Hub em Lisboa.

No que se refere aos motoristas e parceiros Uber, a flexibilidade e a facilidade de acesso a rendimentos serão dois pontos prioritários em 2022. Temos observado um mercado laboral cada vez mais competitivo, com as empresas a trabalhar além dos pacotes tradicionais de benefícios para atrair profissionais, o que acaba por tornar a retenção de talentos num grande desafio para as empresas. Tem sido uma época especialmente rentável para os profissionais mais qualificados, que são disputados por empresas de todo o mundo, mas acredito que a Uber está muito bem posicionada para competir por esses talentos.”

Turismo

“Principal desafio advém da escassez de recursos humanos”

Gonçalo Rebelo Almeida, administrador da Vila Galé.

“O setor será inundado de ofertas de emprego, pois a grande maioria dos players irá ter uma grande necessidade de recrutamento para as funções operacionais. Este desajustamento entre a procura e a oferta, irá conduzir a uma justa e salutar melhoria das condições oferecidas aos colaboradores contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida. Outra tendência será a necessidade de requalificação e formação de recursos, pois o setor terá que atrair pessoas de outros setores que irão necessitar de formação.

O desenvolvimento de competências digitais e tecnológicas poderá ser também uma tendência/necessidade, em especial nas áreas de marketing, vendas e atendimento ao cliente. As operações internas dos hotéis também estão a ter evoluções tecnológicas através da utilização de sistemas de registos e dispositivos móveis, que também irão aumentar a necessidade de desenvolvimento das competências digitais. As competências humanas de relacionamento terão que ser aperfeiçoadas e melhoradas, na medida em que dois anos de pandemia e ausência de contacto de proximidade, também afetou o desempenho nestas áreas.

O principal desafio advém da escassez de recursos humanos para as áreas operacionais de restauração, cozinha e serviços de limpeza. No período pré-pandemia já se verificava esta carência, mas o facto de o setor ter estado quase parado durante cerca de dois anos, fez com que muitos profissionais destas áreas tenham optado por mudar de setor. O objetivo global do setor será recuperar estes profissionais e atrair novos recursos para a atividade. O outro desafio será mostrar as vantagens e benefícios que os colaboradores podem ter por trabalharem nesta atividade, que muitas vezes não são devidamente percecionados.”

(Este artigo é parte integrante da edição de janeiro/fevereiro da Pessoas já à venda)

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