Estas empresas portuguesas estão na lista VIP da luta contra as alterações climáticas

Chama-se "A List" e é um clube exclusivo onde só entram 3% das empresas avaliadas pela CDP. EDP, CTT, Navigator e Sonae são as portuguesas nesta lista VIP. Mas há mais a dar cartas no ambiente.

Praticamente todas as empresas do mundo ambicionam fazer parte da exclusiva “A List” da organização global sem fins lucrativos CDP – Disclosure, Insight, Action (anteriormente designado como Carbon Disclosure Project). Em dezembro de 2020, foi revelada esta lista das companhias mundiais que estão já hoje a fazer um melhor trabalho na luta contra as alterações climáticas e a garantir um futuro mais sustentável: abrange 271 empresas, e quatro destas empresas na lista VIP são portuguesas: EDP, CTT, Navigator Company e Sonae.

Os rankings da CDP abrangem mais empresas nacionais, mas já com avaliações ligeiramente inferiores: Jerónimo Martins, Nos, Millennium bcp e Galp com nota A-; Altri, Toyota Caetano, Sonae Capital, e CGD com nota B.

A CDP tem como missão incentivar empresas e Governos a reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa, a salvaguardar os recursos hídricos e a proteger as florestas. Eleita como o principal fornecedor de análises climáticas e trabalhando com mais de 500 investidores com ativos na ordem dos 106 biliões dólares, a CDP alavanca assim o poder dos seus investidores e compradores para motivar as empresas a divulgarem e gerirem os seus impactos ambientais.

Mais de 9.600 empresas, com mais de 50% da capitalização do mercado global, divulgaram este ano os seus dados ambientais através da CDP. Isto além das divulgações de 800 cidades e 120 estados e regiões pela plataforma da organização, que a tornam numa das fontes de informação global mais rica sobre como as empresas e os governos estão a promover mudanças ambientais.

Cabe então à CDP eleger anualmente um grupo restrito de empresas e instituições com as melhores práticas, que avalia segundo critérios como metas climáticas, reporte de atividade sustentável, gestão de riscos ambientais ou iniciativas de proteção do ambiente.

“Liderar o processo de ação e transparência ambiental é um dos passos mais importantes que as empresas podem dar – e é ainda mais impressionante quando o fazem num ano tão desafiante como este pelo impacto da Covid-19”, comenta Paul Simpson, presidente executivo da CDP, na sua mensagem de felicitações às empresas distinguidas com a classificação “Leadership A”.

“Os níveis de risco para as empresas gerados pelas mudanças climáticas, pela desflorestação e pela insegurança hídrica são enormes, mas também sabemos que as oportunidades superam em muito os riscos de inatividade. A liderança do setor privado irá decerto criar um ciclo de ambição para uma maior ação governamental e garantir que as metas globais para uma economia sustentável se tornam realidade. A nossa ‘A List’ celebra as empresas que se estão a preparar para se destacar na economia do futuro ao agir hoje”, reforçou.

As 4 portuguesas no clube exclusivo onde só entram 3% das empresas avaliadas

Entre as quase 10 mil companhias avaliadas este ano, a EDP alcançou o nível mais elevado de desempenho – “Liderança” (Leadership) – e a classificação máxima de A nas duas principais categorias: mudança climática e gestão da água. Foi a primeira vez em seis anos que a elétrica conseguiu a nota máxima nas duas principais categorias. A estratégia da empresa passa por reduzir as emissões em 90% ate 2030 (face aos níveis de 2015) e chegar a 90% de produção de origem renovável nos próximos dez anos.

Também os CTT foram distinguidos pela CDP com o nível mais elevado de Leadership, na vertente Climate Change, com a pontuação A, um patamar onde chegam menos de 3% das quase 10.000 empresas avaliadas pela CDP. No âmbito das suas políticas de sustentabilidade, os CTT registaram uma redução das emissões em 64% desde 2008; 85% dos resíduos foram separados para reciclagem, no ano de 2019; a oferta CTT Expresso é neutra em carbono; e desde 2016, a aquisição de 100% de energia elétrica é proveniente de fontes renováveis. A empresa tem a maior frota ecológica do setor logístico do país com 327 veículos alternativos e já este ano lançou o serviço Green Deliveries, disponível para clientes empresariais, que permite que todas as entregas sejam feitas com veículos elétricos.

Também na exclusiva “A List” está a The Navigator Company, que foi novamente distinguida pela CDP como líder mundial no combate às alterações climáticas e reconhecida a sua atuação, no último ano, na redução de emissões, pela diminuição dos riscos climáticos e pelo desenvolvimento de uma economia de baixo impacto de carbono. Apesar das emissões de CO2 da Navigator representarem apenas cerca de 1% das emissões nacionais, a empresa decidiu antecipar em 15 anos, de 2050 para 2035, as suas metas de neutralidade carbónica, investindo para isso 158 milhões de euros.

A presença portuguesa na “A List” fica completa com o Grupo Sonae, que foi novamente reconhecido pelas suas ações concretas para reduzir emissões de gases de efeito de estufa, mitigar riscos climáticos e desenvolver a economia de baixo carbono, tendo evoluído em 2020 para o patamar mais elevado, que reúne as empresas com maior pontuação do mundo em matéria de sustentabilidade corporativa ambiental.

Segundo o CDP, a Sonae é “uma das poucas empresas de alto desempenho. Através de iniciativas concretas em prol do clima, está a afirmar a sua liderança, ambição, ação e transparência ambiental corporativa a todo o mundo”, afirma a organização. Exemplo disso é a antecipação da neutralidade carbónica para 2040.

Empresas portuguesas brilham nos rankings ambientais internacionais

No grupo das empresas A- está a Jerónimo Martins, Galp e Nos. O grupo português de retalho alimentar foi o único do setor a obter o nível de liderança no combate à desflorestação nas quatro commodities associadas a este risco (óleo de palma, madeira, gado bovino e soja). O resultado reflete as práticas da Jerónimo Martins na preservação ambiental, que têm vindo a ser reconhecidas internacionalmente com a inclusão em mais de 60 índices de sustentabilidade, entre os quais o Eurozone 120 e Europe 120, ambos da Euronext Vigeo-Eiris, ou os FTSE4Good Global e Europe Indexes.

Já a Nos, que em 2020 submeteu pela primeira vez à CDP as suas práticas no combate às alterações climáticas, conseguiu uma classificação A-, ultrapassando a média para a região e para o setor, e obteve pontuação máxima nas iniciativas de monitorização e redução de emissões e no modelo de governance. Foi a única empresa de telecomunicações avaliada em Portugal. Pontuou também acima da média europeia em parâmetros como a gestão de riscos climáticos e a integração do tema na estratégia e planeamento de negócio.

A Nos é também avaliada pela VigeoEiris, divisão da Moodys, tendo sido considerada em 2020 como a 5ª melhor empresa de telecomunicações na Europa, num total de 41 empresas.

Este ano, a Galp foi nomeada pela CDP como uma das petrolíferas que adotaram de forma mais eficaz as melhores práticas sobre as questões climáticas, melhorando os resultados do ano anterior e atingindo o nível de “Liderança” e a classificação A-. De acordo com a empresa, este resultado reflete a forma como Galp está a “alinhar a sua carteira de ativos com modelos de negócio, produtos e serviços com baixas emissões associadas. A Galp alcançou a classificação máxima de A nas categorias de Governação, Divulgação de Oportunidades, Divulgação de Riscos, Processos de Gestão de Riscos, Envolvimento na Cadeia de Valor e Emissões de gases com efeito de estufa de Âmbito 1, 2 e 3.

Recentemente, a Galp já havia obtido a classificação de empresa mais sustentável da Europa do seu setor durante 2020 no Dow Jones Sustainability Indices (DJSI), onde foi considerada a terceira melhor a nível mundial.

Além da “A-List” da CDP – Disclosure, Insight, Action, em 2020 quatro empresas portuguesas foram convidadas para integrar a família de índices Dow Jones Sustainability Indices (DJSI): EDP, Galp, Jerónimo Martins e Banco Comercial Português. Além dos indicadores económicos e financeiros, estes índices avaliam critérios como a transparência, a gestão corporativa, as relações com os investidores, a responsabilidade socioambiental e a qualidade de gestão.

O Dow Jones Sustainability Index, um dos índices de referência mundial na área da sustentabilidade, foi criado em 1999 como o primeiro benchmark do desempenho não-financeiro para empresas cotadas a nível global. A edição deste ano – para a qual foram convidadas a participar 3.467 empresas do S&P Global Broad Market Index –, contou com mais 19% de participações face ao ano anterior.

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