“Impacto social e ambiental é a maior oportunidade económica dos nossos tempos”, diz António Miguel da Maze

Criada em 2013 pela Fundação Calouste Gulbenkian, a Maze acredita que próxima vaga de investimento será em negócios de impacto. O tema serviu de base ao mais recente episódio do Start now. Cry later.

Impacto social e ambiental não tem de ser sinal de pouco negócio, muito pelo contrário. Criada em 2013 pela Fundação Calouste Gulbenkian, seguindo a intenção de ter um projeto ligado ao impacto, a Maze existe para “provar que o impacto social e ambiental é a maior oportunidade económica dos nossos tempos”, explica António Miguel, managing partner, em entrevista ao podcast “Start now. Cry later”. “Não temos de estar sempre a sacrificar retornos financeiros para ter impacto. Há toda uma nova vaga de investimento tech e startups que pode ter muito impacto e criar valor económico e é para isso que nós existimos”, assinala.

António Miguel estudou gestão e finanças e, quando saiu da universidade, tomou “uma decisão muito importante”: não ir trabalhar para uma empresa tradicional ou uma consultora, como muitos dos colegas. Um dia, leu na revista The Economist sobre um projeto de obrigações com impacto, “investidores que tinham mais impacto financeiro quanto mais impacto social e ambiental tivessem”. Candidatou-se para trabalhar na Social Finance, que faz “o que a Maze faz” no Reino Unido.

Quatro anos depois do arranque da experiência, decidiu voltar para Portugal. Acabou por ser contactado pelo professor Filipe Costa que, em conversa com o fundador da Social Finance, percebeu que o perfil de António Miguel podia adequar-se ao projeto de impacto que estava a desenvolver com a Fundação Calouste Gulbenkian.

“Sempre achámos que isto é uma oportunidade: os melhores negócios, os negócios do futuro, são aqueles que lucram ao resolver problemas sociais e ambientais em vez de lucrarem com esses problemas. Se falamos em problemas ambientais ou sociais, temos sempre enormes desafios”, sublinha.

Por isso, acredita, o aparecimento de um unicórnio de impacto é uma questão de tempo. “O paradigma está a ser posto de parte e há quatro razões para isso: se falarmos de problemas sociais e ambientais, são problemas enormes. Quem quer que resolva o desperdício alimentar, por exemplo, não só vai fazer muito dinheiro como vai resolver um problema enorme. Depois, porque é o que o talento quer: millennials querem propósito e isto não é aquele tipo de bullshit que aparece nos relatórios. A guerra pelo talento vai passar pelas empresas que conseguem mostrar que têm algo mais do que retorno para os acionistas”, detalha. “Depois, é o que os consumidores pedem. E, por último, por ser o que os consumidores querem, é o que os investidores querem. Isto tudo junto é um racional económico muito forte”.

E, ainda que a perceção externa de Portugal em matéria de impacto seja de uma “liderança em termos de investimento”, António Miguel assinala que falta “algum reconhecimento interno”. “Somos um país relativamente mais conservador, onde este sistema lucro-impacto ainda é tabu. (…) Mas acho que isso está a mudar. Portugal tem algo que é incrível: se pensar em problemas sociais, nos EUA e Alemanha, a dimensão absoluta é tão grande que zerar os problemas é impossível. Os números dos problemas sociais em Portugal são zeráveis e, por isso, pode funcionar como exemplo e base de experimentação para outros países”, defende.

Pode ouvir o episódio completo “Profitable impact” aqui:

O podcast “Start now. Cry later” é um projeto da jornalista Mariana de Araújo Barbosa e da Startup Portugal, que conta com o apoio da revista Pessoas. Pode ouvir os episódios e seguir o projeto aqui.

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