A arte de dar e receber feedback

  • Mariana Santos Silva
  • 29 Setembro 2021

Muitos dos conflitos entre colegas ou gestores poderiam ser resolvidos se comunicássemos de forma honesta, respeitosa e no momento certo.

A maioria dos desafios em diferentes relações surgem devido à falta de comunicação: pais e filhos com mentalidades e perspetivas completamente diferentes não sabem muitas vezes como comunicar na mesma linguagem; casais assumem que a outra pessoa tem a capacidade psíquica de adivinhar o que a outra está a pensar ou desejar, resultando numa lacuna de comunicação. Estas situações não diferem muito do que acontece no contexto empresarial – muitos dos conflitos entre colegas ou gestores poderiam ser resolvidos se comunicássemos de forma honesta, respeitosa e no momento certo.

Como tal, ter uma cultura baseada em feedback é um elemento fundamental para uma organização e é algo que deve ser vivido diariamente, com todo o investimento e dedicação que requer. É de facto inspirador pensar num ambiente honesto como este, mas é também necessário tempo e motivação para o construir. Trata-se assim de mostrar porque é que o feedback é importante para que exista uma cultura saudável, de criar momentos que o proporcionem e de aprender a dominar a arte de o dar e receber, de forma a encontrar o caminho para a progressão em equipa.

Promover o entendimento mútuo é o componente essencial do feedback. E há tantos exemplos em que tal é necessário — desde trabalhar com um colega difícil ou começar a trabalhar numa nova equipa ou até mesmo passar por uma reorganização da empresa. A comunicação pode ser a ferramenta para encontrar soluções quando surgem incertezas, inseguranças ou incompatibilidades. Alternativamente, a solução poderia passar por uma abordagem de cima para baixo, com orientações sobre o modo de trabalhar e a forma como os colaboradores se devem comportar dentro da organização, mas confiar nas pessoas para que se tornem numa equipa e caminhem juntos para atingir os objetivos é uma forma muito mais produtiva de lidar com estas situações.

A colaboração é a chave para a inovação e criar parcerias com ferramentas como a Skoach, um coach virtual de equipas no trabalho, que visa aumentar motivação e produtividade, identificando áreas de melhoria e desafiando cada membro a contribuir para uma melhor experiência de equipa, pode agregar muito valor e orientar as empresas nesse sentido. Ao criar espaços seguros para que essas conversas aconteçam, os colaboradores sentem-se mais seguros e abertos para se envolverem em conversas transparentes que podem trazer valor real e um caminho para o progresso.

É justo afirmar que dar feedback é uma competência que precisa de ser trabalhada para ser alcançada. No entanto, para a pessoa que o está a receber é igualmente importante e difícil, sendo que há muito a aprender sobre o ato de ouvir. Perguntas simples como “como se sente em relação a isto?” ou “concorda com este feedback que foi partilhado?” podem ser muito mais poderosas do que apenas uma conversa unilateral.

Uma forma de cultivar esta cultura dentro de uma organização é, por exemplo, através de iniciativas como Feedgize, uma fusão de duas palavras: Feedback + Energize que juntas significa “Energizar-se a si próprio através do feedback constante”. Esta prática é um poderoso instrumento de comunicação, permitindo uma compreensão mais aprofundada de cada colaborador e dos colegas, o que permitirá reconhecer quais os esforços necessários para uma melhoria constante.

Feedgize sessions” foi o nome que a Beta-i deu às sessões bianuais de feedback centradas no crescimento e desenvolvimento e baseadas numa perspetiva 360 (o indivíduo, os seus pares, a quem reportam e o gestor). Para complementar estas sessões que decorrem de seis em seis meses, existem também as “coffee awareness chats” entre os gestores e a sua equipa direta, o que resulta numa conversa contínua sobre oportunidades de crescimento e desenvolvimento, permitindo aos colaboradores perceber e avaliar o seu desempenho, de forma a que possam constantemente avançar e progredir nas suas carreiras.

Ao ver o feedback em ação, é fácil entender por que é uma ferramenta de comunicação essencial que deve ser incorporada nas organizações. Primeiro, intencionalmente, e depois, organicamente. Estas avaliações e momentos de transparência impulsionam o trabalho em equipa e fazem-nos sair da nossa bolha para nos compreendermos uns aos outros e colaborar. O feedback alimenta a colaboração, que por sua vez impulsiona a inovação e o progresso, e é isso que as organizações devem ser.

  • Mariana Santos Silva
  • Head of Talent da consultora Beta-i

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