A brincar se dizem as verdades!

  • Manuel Peixoto
  • 16 Abril 2021

Há momentos em que o trabalho e a vida se tornam mais sérios e difíceis. Ter sentido de humor não apenas pontua e compensa a seriedade, mas permite que o significado das palavras apareça.

Ao ver com os meus filhos um filme de desenhos animados (“Divertida-mente”) lembrei-me de vos falar sobre o humor. Sendo primeiro necessário, falar de … histórias. A história típica tem três actos que são mais ou menos assim: O primeiro acto diz-nos qual é o problema e por que esse problema nos deve preocupar. O segundo acto é quando tudo corre mal – muito, muito mal. O terceiro acto é onde, ao contrário da vida real, tudo é resolvido, de forma positiva e simpática. Tal como na vida real, a história deve terminar com uma… surpresa.

Ao ver os filmes da Disney e da Pixar, lembra-me a preocupação destes em procurar sempre histórias que tivessem significado, algo que tivesse eco na nossa mente, ressoasse em nós pessoalmente, que emergisse das nossas experiências individuais ou coletivas, que iluminasse a vida com jogos e diversão, as aventuras e as emoções. Lembro-me do filme “Ratatouille”, este não era apenas um rato – era um pequeno rato corajoso com grandes sonhos, tornar-se um chefe de classe mundial, ou ainda este filme “Inside Out (Divertida-Mente)” onde as emoções são aqui descritas como aventuras divertidas pelo qual todos nós passamos, com reflexo na nossa vida real.

Descobrimos que a melhor forma de ligar este significado às pessoas num nível fundamental e emocional é de provavelmente o transmitir com humor. Na verdade, é muito difícil apontar um significado mais profundo sem ser com uma pitada de humor. Sem isso tudo fica aborrecido ou irritante, ou muito óbvio. Na realidade não é preciso as coisas serem muito sérias para serem credíveis; é como se fosse uma palestra. Ninguém quer uma palestra com um orador aborrecido ou monocórdico, mesmo com um conteúdo sério e honesto. Todos escolhemos a palestra mais vibrante e divertida.

Humor não tem a ver com piadas ou arbitrariedade, para fazer sentido ou impactar deve surgir naturalmente dos nossos próprios personagens. O espaço e a textura que criam humor na narrativa de uma história, ou ao longo do papel de um personagem, é o que cria significado para si, enquanto público. É assim que penso que a vida também deve ser. Todos nós queremos ter sentido nas nossas vidas. Há momentos em que o trabalho e a vida se tornam mais sérios e difíceis, mundanos e stressantes. Ter sentido de humor não apenas pontua e compensa a seriedade, mas permite que o significado das palavras apareça. Momentos inesperados com colegas de trabalho, parceiros, famílias e amigos agitam as coisas e mantêm-nos alerta, atentos e focados. Definem a forma do seu relacionamento tanto quanto os seus momentos difíceis. A diversão e o vínculo aos bons momentos são de grande valor durante os momentos difíceis em que as coisas ficam mais complicadas. Permite-nos ver a vida de outra forma e de um outro prisma, olhando para os pontos positivos e da forma que possamos tirar partido das situações com algo de valor e motivação, o humor é o ingrediente que permite tudo isso.

Isto é verdade não apenas para nós como indivíduos, mas também para nós enquanto coaches e líderes no nosso quotidiano. Continuamos a enfrentar muitos problemas desde o início da pandemia Covid-19. A vida é mais difícil, vivemos problemas sérios. Problemas de dinheiro, problemas de cultura, perda de membros da nossa família e da nossa equipa. Nestes momentos, o que descobri foi que o que, por vezes dizia como coach não importava – eram apenas palavras sob a forma de perguntas que se foram, sumiram; o que as pessoas perceberam foi como eu me comportei com elas, estive presente, devolvi empatia e o impacto das minhas perguntas na vida delas. É preciso colocar perguntas onde se possam admitir as falhas e desenvolver ações que demonstrem valores reais com significado e que acrescentem valor nas nossas vidas.

Devolvam-nos momentos de felicidade. Fazer isso com um sentido de humor, saudável – com perspectiva intelectual, empatia, escuta e a humanidade que isso nos traz – é uma parte vital para responder ao inesperado, de adaptar- se a novas realidades. Palavras importam pouco; comportamento e atitude são o que contam. O sentido de humor é a parte que nos torna humanos. É algo que nos liga e fortalece. A sua implantação no nosso quotidiano, não torna as coisas menos sérias ou leves, significa que é capaz de seguir em frente, apesar destas coisas difíceis, sérias, monocórdicas ou pandemicas.

E é exatamente isso que um adepto da prática do coaching profissional e ético faz, no…. terceiro acto. Adaptamo-nos, mudamos, motivamos o nosso coachee a resolver o seu problema. Vejam o exemplo destes filmes, eles fazem isso com humor… e, às vezes, com uma pitada de paprika. Há trabalho sério e profissional, pontuado por humor – é aí que
encontramos significado.

O coaching é um processo que leva a pessoa de um lugar onde está para outro onde quer chegar. O caminho é por vezes sério e difícil. O coach tem no humor as armas para por vezes derrubar barreiras, obstáculos ou “gremlins”(sabotadores), que o coachee teima em manter. Quando desenvolvemos estratégias de empatia, escuta activa e sentido de humor com perguntas de comunicação direta fazemos história e acrescentamos significado na vida do
nosso coachee.

Quem não gosta de uma bela história? Quem não sorri com uma pitada de humor? Experimente e veja o impacto que tem em si. Não vai querer outra coisa! Deixe-se Brilhar!

 

Nota: o autor escreve ao abrigo do antigo acordo ortográfico.

  • Manuel Peixoto
  • Comissão Executiva do Grupo Português de Coaching da APG

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