Coaching no pós-Covid

  • Maggie João
  • 7 Outubro 2020

O nosso impacto como profissionais é enorme, sobretudo nestas áreas de suporte socioprofissional, onde o coaching se enquadra.

Que se silenciem as vozes que querem voltar ao rame-rame que existia antes da Covid-19 ter entrado nas nossas vidas. Que se silenciem as vozes que ironizam sobre o novo normal. Que se calem os que, em momentos de crise, não encontram oportunidades de reflexão e melhoria.

Demos voz aos que olharam para a Covid e entenderam aqui o momento perfeito para se reinventarem como profissionais e também como pessoas. Demos voz aos que meditaram durante estes últimos meses, e fizeram crescer a vontade de melhorarem nos vários papéis que desempenham e, na verdade, que já colhem frutos das novas práticas que colocaram em vigor nas suas vidas.

A era Covid veio, sem dúvida, agitar as nossas águas, desacomodar os que já se tinham instalado na rotina e na mesma forma de fazer as coisas. E o coaching não foi exceção.

Se antes o coach só oferecia sessões presenciais, nestes últimos meses, viu-se quase obrigado a tentar o online, e a fazer coaching virtual, pela sua própria sobrevivência profissional. Se antes o cliente achava que o coaching através de plataformas online não era tão eficaz, surpreendeu-se com os resultados conseguidos durante esta pandemia.

Nestes últimos meses, muitos foram os que conseguiram fazer uma grande limonada dos limões que a vida lhes atirou. Alguns conseguiram desenvolver as suas capacidades e competências enquanto coaches, outros intensificaram a aprendizagem contínua e outros ainda aplicaram um outro estilo de presença na forma como fazem coaching.

O que é certo é que ninguém ficou indiferente ao que esta pandemia nos trouxe. O nosso impacto como profissionais é enorme, sobretudo nestas áreas de suporte socioprofissional, onde o coaching se enquadra.

Para mim, o coaching pós-covid veio libertar ainda mais a coragem de aparecer para o meu cliente, de exercer uma curiosidade ainda mais profunda, para que o cliente possa criar conexões no que partilha e perceber os padrões a que se sujeita, perceber formas de fazer diferentes – e quem sabe até melhores – dado o objetivo que quer atingir. Pessoalmente, a minha reflexão profissional vem no sentido de estar ainda mais presente nas sessões com os meus clientes, criando uma parceria ainda mais forte durante as mesmas, sendo o espelho diante do cliente, partilhando as expressões que ele/a usa, palavras verbalizadas, vocalizando sentires surdos mas válidos, tratando a narrativa do cliente, como uma porta de entrada à exploração, não como o destino em si.

Olho para o cliente como um ser inteligente, com recursos que, neste dado momento, precisa de rever a sua estratégia de vida ou de atuação, abordar algumas verdades.

E, se ainda se vê como aquela pessoa que vai ajudar o cliente a resolver a situação trazida, desengane-se: como dizem os anglo-saxónicos – eleve o seu game! Faça coaching à pessoa, não ao problema. Parece fácil esta frase, que de tão badalada pode até já ser considerada um cliché. Mas é a mais pura das verdades!

A era pós-covid é uma era que vem testar-nos as aprendizagens que obtivemos durante a pandemia e que vem mostrar, mais uma vez, que só sobrevivem às adversidades os mais resilientes. Seja resiliente então, reinvente-se, melhore a sua prática, peça ajuda e, no meio disto tudo, ponha um pouco de lado a ideia de fazer e lembre-se de ser. “Fazer coaching” versus “Ser coach”. Ser ainda corajoso, mais curioso, mais presente, mais generoso, ser mais e ser melhor. Ser coach.

Também, o GPC (Grupo Português de Coaching) está a reinventar-se, preparando mais ofertas para os seus membros se sentirem mais bem preparados para a tamanha façanha que é a profissão de coaching.

2020 é um ano de muitos desafios. Como dizia a nossa Florbela Espanca, “que nos saibamos perder, para nos encontrarmos”. Brindo ao nosso encontro, connosco próprios, com uma nova forma de ser, com um novo olhar sobre a prática de coaching e com uma renovada oferta aos nossos membros coaches, para que consigam desenvolver-se agilmente nas águas agitadas de 2020!

*Maggie João é coordenadora do GPC e membro da direção nacional da APG.

  • Maggie João

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