ClubHouse: do social media para o social branding

  • Patrícia Soares da Costa
  • 4 Fevereiro 2021

Estar no ClubHouse é estar no frenesim do Web Summit ou da ONU, a saltar de sala em sala para a que mais nos interessa. Mas mais confortáveis: de pijama, despenteados, sem deslocações, sem pressão.

Há milhares de vozes em discussões intimistas, e nunca uma rede social foi tão escrutinada na fase inicial: o ClubHouse é uma audio only social app.

Entre a necessidade de conexão, mais além das distantes mensagens de texto, e a exaustão das invasivas videoconferências, o áudio é o meio-termo ideal. A fadiga ocular é reduzida, a interatividade é aplaudida, o consumo é passivo, em multitasking, sem fios.

  • Stop. Os próprios fundadores do CH criam uma sala para pedir feedback aos utilizadores, e aprender com a sua experiência.

A mais valia não é a comunicação mas sim a comunhão

Vídeos? Exigem dedicação. Podcasts? Obedecem a um guião e ficam gravados. Lives? Bruno Nogueira reúne 100 mil pessoas ao serão numa partilha tribal e efémera, mas sem interação.

No CH há a adrenalina do improviso, o medo de perder “aquela” intervenção, a liberdade de criar uma sala sobre qualquer tema, e a oportunidade de participar “levantando a mão”.

Há a expectativa de ver como vai ser gerido o frágil equilíbrio de escalar, sem diluir demasiado esta facilidade de acesso e colaboração.

  • Stop. O tubarão Daymond John e Grant Cardone debatem o poder do networking: “contacts equals contracts”.

Social listening: dizem a nós, de nós, dos nossos concorrentes

Foi avaliado em mil milhões de dólares. O acesso é só por convite, gerando desejo com a ideia de escassez, e para já, só para iPhone.

Não há ainda saturação e as marcas podem ambicionar impactar com diálogo e participação, solidificando uma comunidade envolvida. A conversa pode durar horas ou dias, com participantes de todo o mundo, e líderes de qualquer setor.

  • Stop. A quantidade de ouvintes que esgotam a sala de Elon Musk é inversamente proporcional ao seu tom intimista: os filhos não revelam interesse em Marte, e “bitcoin is on the verge of getting broad acceptance by conventional finance people.”

Do polido ao envernizado Instagram, para a vulnerabilidade

Há o fascínio glitterati com as dezenas de celebridades envolvidas, exibicionismo e vaidade. Mas também há quem faça quimioterapia e ali encontre empatia e conforto.

O imperativo improviso também pode ser um campo minado para as marcas, que necessariamente terão que estar abertas ao debate e espontaneidade.

Mas o valor desta audiência compensa esse risco: a demografia, a idade, o poder de compra, a dinâmica, a afluência, a inclusividade. É possível aceder a nichos e insights, e provocar a curadoria de temas e co-criação de conteúdos.

  • Stop. Elon Musk interroga frontalmente o co-fundador da RobinHood, a justiceira plataforma de trading que impôs perdas milionárias aos gigantes do investimento: “The people demand answers, and they want to know the truth.”

No futuro, o top influenciador social vai ser um bot

A monetização vai passar pelo pagamento a speakers, e salas patrocinadas por marcas. Os “acessos ao backstage”, os “lançamentos exclusivos”, e os “meet & greet de celebridades”, mas em modo áudio.

Há tribos sobre tudo: marketing digital, tech, gaming, turismo, culinária, yoga, meditação, neurociência, networking, vacinas, sexo, etc.. E sobre nada: há uma sala só para gritar a plenos pulmões a frustração daquele dia.

Há combinações improváveis, a debaterem temas onde nem sabíamos que acrescentam valor.

  • Stop. Ashton Kutcher e o autor do “Think Again” a discutir os psiconautas, e o uso de substâncias psicadélicas nas mudanças de padrões de comportamento: “You don’t have to believe everything you think, it’s not good for your learning and flexibility”.

As salas são ruidosas. Os aplausos, silenciosos: ligar e desligar consecutivamente o microfone, fazendo-o piscar.

Sem reprodução, tudo desaparece instantaneamente, mas os temas ressurgem no Reddit, Twitter, Instagram, LinkedIn, numa polinização cruzada de plataformas.

Confinados e despenteados, abrimos imensas vezes o frigorífico à procura de algo. É este impulso que potencia o ClubHouse.

*CEO da Marquinista e consultora de marcas.

  • Patrícia Soares da Costa

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