Como encontrar o sentido da vidapremium

Depois da família, carreira e ocupação, bem-estar material, e amigos e comunidade ocupam os lugares seguintes na lista de fatores mais mencionados como trazendo significado à vida.

É um cliché: ano novo é época de balanço e de recomeço. Perspetivamos novos planos e vontades, pensamos no que foi e no que virá e, muitas vezes, elencamos objetivos para os meses que vêm. Há dois anos foi igual: todos os planos escritos num papel, numa agenda, elencados mentalmente numa lista de to-dos que abre o ano. Só que 2021 foi ano de transformação profunda: todas as listas que fizemos foram colocadas em stand by: a pandemia foi um "plano" nunca considerado e a forma como reagimos a ela foi, talvez, o maior desafio da nossa vida. Talvez por isso faça tanto sentido este estudo sobre "onde as pessoas, em todo o mundo, encontram o significado da sua vida" feito pelo Pew Research Center.

E, ainda que Portugal não tenha sido considerado neste inquérito, façamos também este exercício. Onde encontramos significado para as nossas vidas e o que nos faz continuar? A primavera de 2021 foi fértil em repensarmos as razões que nos fazem levantar de manhã. Todos os dias. Os japoneses chamam a isto "Ikigai", a razão pela qual nos levantamos de manhã. O nosso propósito, o sentido da nossa vida.

O estudo, que contou com a participação de mais de 19 mil pessoas de 17 públicos diferentes, tentou entender em que áreas específicas os inquiridos encontram o propósito, o significado das suas vidas, quais as principais fontes de satisfação e o que os faz continuarem. E fá-lo, tentando olhar de perto para as grandes transformações que ocorreram e têm decorrido desde que, em 2021, fomos "apanhados" por uma pandemia, a primeira da história das nossas vidas.

Os números são claros: 14 das 17 economias analisadas consideram a família a maior fonte de significado das suas vidas do que qualquer outro fator. O que se destaca nesta dimensão? O impacto dos relacionamentos com pais, irmãos e netos, pessoas com quem frequentemente os inquiridos mencionam passar o seu tempo de qualidade. O desejo de viver a vida de forma a deixar um mundo melhor para os filhos é outra das motivações que as pessoas consideram ter um peso importante na energia com que começam os seus dias e na sua busca por propósito.

Depois da família (38%), carreira e ocupação (25%), bem-estar material (19%), e amigos e comunidade (17%) ocupam os lugares seguintes na lista de fatores mais mencionados como trazendo significado à vida. A saúde mental aparece em 6.º lugar, seguida de sociedade e instituições (14%), hóbis e lazer (10%), educação e aprendizagem (5%), natureza e atividades ao ar livre (5%), parceiro romântico (4%), serviço e envolvimento (3%) e viagens e novas experiências (3%).

O estudo, que contou com a participação de mais de 19 mil pessoas de 17 públicos diferentes, tentou entender em que áreas específicas os inquiridos encontram o propósito, o significado das suas vidas, quais as principais fontes de satisfação e o que os faz continuarem.

"Ao mesmo tempo que há algumas similaridades entre os lugares comuns -- por exemplo, a família é a fonte principal de significado na maioria dos lugares -- há também diferenças numerosas que sublinham o fator único de cada cultura e público.", explica o estudo. Participantes de países como a Austrália, Nova Zelândia, Grécia e Estados Unidos dizem, em pelo menos 50% dos casos, que é a família aquilo que, nas suas vidas, dá sentido às suas existências. Por outro lado, no caso da carreira e da ocupação, os italianos dizem considerar esta dimensão muito importante (43%) ao passo que os participantes sul-coreanos revelem a sua pouca ligação a este fator (menos de 6% considera-a em primeiro lugar nas preferências).

Uma das conclusões mais interessantes em matéria de saúde é que a ênfase a este tema não está diretamente ligada à pandemia da Covid-19. Ainda assim, alguns ligaram os dois fatores -- saúde, em geral, e ligada à Covid-19 -- entre si, considerando-os diretamente proporcionais. "Tive Covid e isso foi a coisa mais assustadora, e mudou realmente a minha visão perante a vida", assinala uma participante americana. Outro inquirido holandês acrescentou: "O que me parece realmente enriquecedor na vida são coisas como: desporto, duas ou três vezes por semana; comer uma dieta variada... agora, nesta pandemia, temos de garantir que conseguimos fazer exercício suficiente e tentar trazer estrutura à tua vida, planeando os dias e as semanas".

É inegável que a pandemia veio mudar tudo, de uma forma tão evidente como aquela com que nos sentimos mudados, e de uma forma tão profunda que só os anos futuros demonstrarão. Mas vale a pena pensar, para já: o sentido da nossa vida mudou ao longo dos anos ou manteve-se, inalterado, durante toda a nossa vida? De que forma a pandemia mudou a razão pela qual nos levantamos de manhã? Juntem-se os planos, as respostas, as dúvidas e os objetivos. Neste arranque de novo ano, o que queremos fazer com esta resposta?

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