Editorial

#ComPrimos e enteados

O inquérito promovido pelo Ministério das Finanças mostra a confusão instalada entre o que é o PS e o Estado.

O Ministério das Finanças enviou um inquérito a mais de 500 mil trabalhadores da Função Pública com perguntas absolutamente inacreditáveis, foi noticia e logo a seguir o ministro Mário Centeno suspendeu a ação. Uma espécie de inquérito pidesco, responsabilidade política de António Costa e Mário Centeno, por ato ou… incentivo político durante quatro anos de que tudo é possível ao PS no Estado. Talvez seja por isso que o cartaz da Iniciativa Liberal #ComPrimos motivou tantas reações. É ali que mais dói, não é?

Durante quatro anos, António Costa e Mário Centeno conseguiram afastar a ideia de que o PS não sabe tomar conta das contas públicas do Estado, mas que sabe ainda mais tomar conta dos seus. Dos seus, leia-se familiares, amigos e militantes do partido. E se o Estado funciona hoje pior, os portugueses, mostram as sondagens, continuam a preferir dinheiro no bolso a serviços públicos a prestar… melhor serviço público. E esta preferência só é mesmo posta em causa quando o mesmo português que responde à sondagem tem de ir a um hospital ou usar um transporte público. É o que temos, e só nos podemos queixar de nós próprios, não do PS e do Governo, que estão a responder aos incentivos que têm.

Saber tomar conta dos seus também é uma arte. Sobretudo quando levada ao extremo como este Governo já a levou. O ‘familygate’, os negócios, os ajustes diretos são casos evidentes de que os socialistas tomaram conta do Estado. Mas se bem o pensaram, melhor o fizeram: Se já temos a família e amigos, precisamos de saber o que pensam os mais de 500 mil funcionários públicos sobre as “grandes decisões” deste Governo e as “péssimas decisões do Governo de Passos Coelho” (atenção, aviso para ler com ironia). O caso, revelado pelo Observador, é demasiado grave para ser ultrapassado com uma nota de comunicação social a suspender o inquérito a dois meses das eleições (pura coincidência, por certo).

  • “Considerando que a elevada visibilidade do assunto em período pré-eleitoral pode comprometer a fiabilidade dos resultados, inviabilizando todo o inquérito e a comparabilidade com os resultados obtidos em 2015, o Governo determinou a suspensão temporária do inquérito”, explica o Executivo, em comunicado enviado pelo gabinete do ministro das Finanças.

Não, o inquérito nada tem a ver com o de 2015, nem na forma, nem na substância. Este inquérito é político-partidário, não é o que foi o de 2015, um inquérito sobre funcionamento e organização do Estado e da Administração Central. Quem validou estas perguntas? E o que seria feito com os resultados? Temos as respostas, mas, por pudor, deixo-as à imaginação do leitor. Certo é que o inquérito foi suspenso apenas porque foi notícia.

A Iniciativa Liberal fez um cartaz de guerrilha mesmo ao lado de outro do PS, com um António Costa sorridente a garantir “cumprimos”. No cartaz da Iniciativa Liberal, o claim é 2 #ComPrimos, numa alusão tão óbvia como eficaz ao controlo do Estado por parte do PS. A iniciativa da Iniciativa motivou reações e desconforto de alguns dos mais destacados socialistas. Ao fim de quatro anos de governação, e de um inquérito, percebemos todos porquê. Há #ComPrimos e enteados, o país que não é do PS.

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