Do sentido de comunidade

  • Hugo Volz Oliveira, João Figueirinhas Costa e Sara Noronha Ramos
  • 13 Fevereiro 2019

Porque é que as comunidades organizadas são importantes?

O que são “as” comunidades

O Presidente da República diz que Portugal tem uma “coesão social invejável” à escala europeia e mundial, “baseada numa proximidade de pequenas comunidades”. O que é verdade, se pensarmos em comunidades de acordo com as definições mais comuns.

Mas comunidade significa tantas coisas que se tornou num lugar-comum. Antes da era digital, queria quase sempre referir um lugar físico onde um grupo de pessoas se agregava. Hoje em dia, tem mais a ver com a identidade que um grupo de pessoas tem — ou escolhe ter.

E, talvez ainda mais importante, tem a ver com o carinho partilhado por esse grupo de pessoas. Como Fabian Pfortmüller – um empreendedor social e criador de comunidades – uma vez explicou, é esta relação preocupada que cimenta a confiança de um grupo.

Desta confiança nasce a partilha. E da partilha brota colaboração, apoio, criação. Esta criação não tem necessariamente um fim. Ao contrário de movimentos, as comunidades não precisam de ter um objetivo ou um resultado. A vontade de criar relações fortes é o fim que interessa.

Porque naturalmente já gerimos os nossos dias à volta de um propósito. Trabalhar. Estudar para trabalhar. Tirar férias para recuperar. Trabalhar para tirar férias. Chegar à reforma cansado de férias. E esse trabalho tende a afastar-nos das relações fortes que uma dia tivemos.

Assim, uma comunidade – no contexto deste artigo – é um grupo mais ou menos formal de pessoas com relações positivamente fortes entre si, derivado de uma identidade partilhada. Pois relações negativamente fortes minam a confiança e o sentimento de pertença.

A importância das comunidades

É irónico que sobrevivemos enquanto espécie graças à construção de comunidades. Porque estes grupos amplificam as nossas capacidades. Mas, agora que a tecnologia nos exponencia como nunca, sentimos uma falta de sentido generalizado. E uma falta de contacto.

Parece que vivemos para mostrar e não para contar – já que quem conta um conto não recebe um like. Que vivemos em multidão, mas sabemos que o outro é estranho — mesmo que o conheçamos. E que os estranhos que não conhecemos estão contra nós por defeito.

Ou seja, sentimo-nos sozinhos e sabemos que sozinhos não somos nada. Mas muitos têm medo de abraçar — ou de criar — uma comunidade — por mais pequena e informal que seja — para colaborar e construir, seja tudo ou nada. Porque o que se quer é crescer com companhia.

Com boa companhia. E cada vez falta menos inspiração para procurar essa companhia, ou então formar um grupo — idealmente “analógico” — e desenvolver as relações entre essas pessoas, de uma forma que não seria possível com um círculo de amigos.

Porque podemos ser amigos sem partilhar a mesma identidade ou com quem desiste de perceber a nossa vontade de questionar o porquê das coisas. E fazer parte de um grupo assim é como ter um grupo de orientadores pessoais e profissionais focados em compreender.

Mas também temos também de conseguir contribuir como gostaríamos de receber. Temos de integrar como gostaríamos de ser incluídos. Ou seja, temos de fazer isto tudo sem esperar diretamente nada em troca. Porque ao sermos parte do todo, crescemos em conjunto.

O caso das comunidades internacionais

Na tal definição corrente, uma comunidade é um grupo de pessoas que se juntam porque têm interesses em comum e que subscrevem a determinadas regras de convivência, normalmente por viverem na mesma área. Mas essa definição tende a excluir quem é diferente.

Isso costumava ser problemático, especialmente para os que ousam situar-se fora do centro. Mas neste mundo globalizado é mais fácil ultrapassar estas dificuldades. Antes nascíamos numa comunidade, que agora podemos transcender procurando quem vive longe.

O exemplo da Sandbox, uma comunidade internacional que está agora à procura de novos elementos no Porto, é um caso desses. Na sua primeira versão, começou apenas na Suíça e foi-se expandindo pelo mundo fora – contando agora com membros de mais de 100 países.

Ora, nós na Sandbox encontrámos comunidade no tal espaço que muitas amizades tradicionais não conseguem ocupar. Um grupo forte, com valores semelhantes, de suporte, mas com perspetivas diferentes. E com uma linguagem comum em constante construção.

Temos vontade de cuidar de nós e dos outros, de aprender sobre o mundo de forma profunda. Ganhamos óculos novos que nos fazem ver melhor. E daí ficamos com uma sensibilidade cultural não disponível em experiências profissionais, em livros ou na internet.

Se tudo isto já é valioso à escala local ou nacional, é impagável à escala internacional. Sentimo-nos mais capazes de navegar o sempre incerto mundo. E acabamos por perceber que são mais as semelhanças do que as diferenças entre nós e alguém nos antípodas.

Sandbox é uma comunidade de jovens que gostam de explorar o mundo. Usamos tecnologia e troca de ideias para criar uma sociedade à nossa medida. Somos uma comunidade eclética de nómadas, empresários, jornalistas, académicos, políticos e influenciadores de mais de 100 países. Somos digitalmente conectados, democráticos e favorecemos a cocriação com o objetivo de alavancar os nossos recursos coletivos para enfrentar os maiores desafios de nossa geração. Temos como valores a abertura, autenticidade, audácia e confiança, valores estes que caracterizam a interação na comunidade.
  • Hugo Volz Oliveira
  • João Figueirinhas Costa
  • Sara Noronha Ramos

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Do sentido de comunidade

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião