Joana Marques Vidal, a “Donzela da Justiça”

Sai a contragosto. Não sai por causa de um auto de fé e nem é "Donzela de Orleães" como Joana d'Arc. A história também tratará de fazer justiça ao que Joana fez pela Justiça.

“Os poderosos safam-se sempre”. “A Justiça só toca na raia miúda”. “A Justiça não funciona”. “A Justiça é corporativa”. “A Justiça tem ligações perigosas com a política”. São frases que felizmente, e muito por obra de Joana Marques Vidal, vamos ouvindo cada vez menos nos cafés e nos táxis do país.

É o Monte Branco, é Ricardo Salgado, é José Sócrates e a Operação Marquês, é António Mexia, é Manuel Pinho, é o Benfica e a toupeira, é o Tutti-Frutti, é Oliveira Costa, é Zeinal Bava, é Henrique Granadeiro, é Miguel Macedo, é Armando Vara. De sucateiros a poderosos, Joana Marques Vidal colocou uma venda nos olhos, como é de bom-tom na Justiça, e foi tudo a eito.

Há não muitos anos, procuradores do Ministério Público que investigavam o caso Freeport queixavam-se de ter 27 perguntas para fazer ao primeiro-ministro José Sócrates e não ter tempo para as colocar porque alguém mais acima na hierarquia achou por bem impor prazos irrealistas ao processo. Joana Marques Vidal fez 27 perguntas a todos os que tinha de fazer: primeiros-ministros, banqueiros, empresários, dirigentes desportivos, enfim, os poderosos deste país.

Joana Marques Vidal incomodou sempre os socialistas e são eles que agora estão no poder e que tinham a incumbência de escolher a continuidade ou não da Procuradora-Geral da República. Escudaram-se numa hipotética limitação constitucional que não existe e esconderam-se por detrás de um princípio saudável de não eternização de mandatos mas que, no caso de Joana Marques Vidal, por todas as razões e mais algumas, não deveria ter sido aplicado. Cunha Rodrigues esteve 16 anos no cargo. Joana Marques Vidal merecia mais do que seis.

“Ficou muita coisa por fazer”, disse esta sexta-feira Joana Marques Vidal que revelou que nunca sequer lhe foi colocada a hipótese de continuar. E a cortesia de Belém e São Bento fez com que, só ontem às 20h00, a PGR soubesse que ia ser substituída por Lucília Gago. Pedro Passos Coelho, que propôs o nome de Joana Marques Vidal para o cargo de PGR, diz que “não houve a decência de assumir com transparência os motivos que conduziram à sua substituição”.

Escolheu Costa, e Marcelo anuiu. Anuiu e desiludiu. A PGR não é Joana d’Arc e não foi queimada numa fogueira. Mas desde janeiro que o Governo colocou Joana Marques Vidal em lume branco, depois de a ministra Van Dunem ter dado uma entrevista à TSF em janeiro a preanunciar a saída da PGR, com base num preceito constitucional que não existia e não existe.

A história tratará de fazer justiça à mulher que mais fez pela Justiça de Portugal. Joana não fez o Cerco a Orleães, mas fez um cerco aos poderosos em Portugal. Até lá, os poderosos e as toupeiras em Portugal vão festejando e dançando à volta de uma fogueira à espera que a PGR volte a ser aquilo que chegou a ser no passado, uma mera Secretaria de Estado do Governo.

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