Mais humanos

  • Mariana de Araújo Barbosa
  • 31 Outubro 2019

O toque humano é a tecnologia de ponta da Sociedade 5.0. E cada um de nós tem um papel essencial na hora de adotar os princípios desta nova revolução - a das pessoas - nas empresas e na vida.

Às vezes dou por mim a responder a mensagens com emojis. Um ok é um emoji de fixe. Uma gargalhada é um smile a chorar de tanto rir. Um olá é uma mão aberta. Contentamento, expresso-o com o emoji de braços abertos. Uma desilusão transforma-se numa carinha amarela com os olhos brilhantes. E nunca pára.

Falamos cada vez menos cara a cara, permitindo à tecnologia criar-nos camadas de distância. No Japão, por cada pessoa que nasce há 50% de probabilidade de ela viver até aos 100 anos. E isso levanta tanto problemas económicos como de qualidade de vida. Vivemos vidas mais longas. E essa longevidade vai escondendo, ano a ano, vulnerabilidades.

Tudo isto se traduz, também, numa enorme vulnerabilidade dos estados: uma população que vive mais traz encargos para o sistema de saúde e, também, para a Segurança Social, que lidam com uma população que está a envelhecer — e a adoecer — e, por sua vez, traz a escassez de mão-de-obra. A agência Reuters até fez contas: no Japão há 1,63 empregos disponíveis para cada pessoa que está à procura de trabalho. Foi precisamente com este problema entre mãos que o país lançou as primeiras linhas que desenham aquilo que se apresenta como uma sociedade ideal, capaz de voltar a posicionar o ser humano no centro da transformação tecnológica. Chamou-lhe Sociedade 5.0 e, desse conceito, surgiu o de Pessoas 5.0, que coloca as pessoas no centro. Nesta equação, a tecnologia não exclui nem é excluída: fica antes numa posição de complemento, uma espécie de ferramenta necessária para resolver os problemas estruturais da sociedade mas que em nada substitui as relações interpessoais.

A maior revolução é esta que se faz de emojis de mãos abertas – claro – mas, sobretudo, de uma sociedade de pessoas incapazes de dispensar os abraços.

P.S.: A colagem que vê na capa desta Pessoas foi pensada e elaborada pela artista portuguesa Margarida Girão, uma forma de a nossa revista homenagear as características humanas que a arte requer e exulta, alinhando a capa ao tema que serve de pretexto a esta edição. Pode assinar a revista aqui.

Capa da revista Pessoas número 5 com ilustração de Margarida Girão.D.R.
  • Mariana de Araújo Barbosa

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

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  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
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No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

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