Não matem o PSI-20!

Se até hoje nunca se conseguiu voltar a chamar empresas para a bolsa, como é que agora se vai atrair novos negócios para o mercado de capitais? Sem a montra, é impossível.

Longe vão os tempos em que as empresas quase faziam fila à porta da bolsa. O Estado, por seu lado, (re)privatizava negócios que outrora tinham sido nacionalizados. E os privados, por outro, aproveitavam o impulso para se financiarem, não nos bancos, mas no mercado de capitais. Não se endividavam, vendiam capital.

Bons tempos esses em que a bolsa era uma máquina de fazer dinheiro. Uma máquina que gerava financiamento para as empresas obterem os fundos que precisavam para crescerem, para criarem emprego e, no fim de contas, para puxarem pela economia. Isto ao mesmo tempo que se fomentava a poupança de um povo que entretanto deixou de saber o que isso é.

O capitalismo popular viveu o seu auge na década de 90, mas rapidamente começou a definhar no novo milénio. Depois de novas reprivatizações que esmagaram os pequenos investidores, de entradas em bolsa que os enganaram e de OPA como a da Brisa e a da Cimpor que depenaram aqueles que ainda mantinham a confiança na bolsa, vieram as quedas bombásticas da PT, primeiro, e depois do BES.

Desde então, a bolsa portuguesa nunca mais se recompôs. A fila de espera para entrar, em tempos, deu lugar a uma corrida à saída de emergência. Perderam-se empresas atrás de empresas. A bolsa definhou. E continua a definhar sem que ninguém consiga (ou mostre querer) inverter este caminho para o fundo do poço.

Chegou-se ao ponto de o principal índice da bolsa nacional, o PSI-20, ser apenas 20 no nome. Há anos que o PSI é tudo menos 20. Já foi 19 e é 18 porque tem de ser. As regras, as mesmas que há muito impedem que mais empresas subam de divisão pois foram desenhadas para todos os mercados Euronext, assim o exigem. O mínimo são 18. Ou melhor, são, mas vão deixar de o ser.

O PSI-20 morreu. Vai ser só PSI… a ver se deixa de ser motivo de chacota. Matam o PSI a bem da liquidez que os grandes investidores tanto exigem. São os fundos que replicam os índices que querem essa liquidez. São eles que precisam dela para conseguirem negociar em Lisboa sem medo de ficarem presos com ações de empresas que algumas vezes até se esquecem de acordar ao toque do sino de abertura.

Matam o PSI-20 ao criarem uma “linha da vida” — lembrando aqui a de Paulo Teixeira Pintos nos tempos de CEO do BCP — nos 100 milhões de euros de capitalização bolsista com base no capital efetivamente disperso em bolsa. E matam porque se já há poucas na montra da bolsa, vão ser ainda menos. E cada vez de menos setores. A energia, que já era a toda poderosa do PSI, vai ser a dona disto tudo.

Se até hoje nunca se conseguiu voltar a chamar empresas para a bolsa, como é que, agora, com estas regras se vai atrair novos negócios para o mercado de capitais? Quem é que vai querer colocar a empresa na bolsa para a ver relegada para a segunda divisão? Infelizmente, a resposta vai continuar a ser a de sempre: ninguém!

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