O bairro do impacto

É preciso, como Lisboa fez, encontrar uma forma de promover o impacto de forma real e sustentada. E é fundamental, além de criar estes espaços, dar-lhes visibilidade nas cidades.

Três anos de impacto. A Casa do Impacto, o braço de apoio ao empreendedorismo de impacto da Santa Casa de Lisboa, celebrou esta semana o terceiro aniversário do projeto. Na “festa”, que deu a conhecer a nova “cara” da Fábrica da Mitra — que será a nova sede da Casa do Impacto –, a diretora da incubadora, Inês Sequeira, fez um balanço dos últimos anos.

“A zona oriental de Lisboa marca um futuro promissor para o país. O Lisboa Social, no antigo espaço da Mitra, vem integrar a vertente social nas zonas do Beato e Marvila, que serão o novo polo do empreendedorismo da cidade, impulsionado pelo Hub Criativo do Beato. O impacto faz seguramente parte desse futuro, o que vai permitir dinâmicas pela proximidade geográfica de vários players muito relevantes e no lançamento do que se faz de melhor e mais inovador em Portugal. A economia só faz sentido se for assim, também social.”, disse Inês Sequeira, a propósito da novidade.

O projeto da Lisboa Social Mitra, apresentado em 2019 pelo, à data, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José António Vieira da Silva, conta com uma área de mais de sete mil metros quadrados (11 pavilhões) e será “o coração da economia social de Lisboa”. Detalhado na celebração do terceiro aniversário da Casa do Impacto, o espaço será o local de trabalho diário de cerca de mil pessoas, aberto às instituições e “um motor de desenvolvimento na cidade, naquilo que são as suas políticas sociais e naquilo que são as respostas da economia social na cidade de Lisboa”, classificava Edmundo Martinho, provedor da Misericórdia de Lisboa, no lançamento.

Em três anos, a Casa do Impacto acolheu mais de 200 residentes e incubou 48 startups, tendo apoiado mais de 190 projetos nos vários programas que dinamiza e disponibilizado dois milhões de euros para apoiar startups de impacto. Com 30 dezenas de parcerias nacionais e internacionais, conta com 15 programas de aceleração anuais, dois programas de investimento +Plus, quatro edições do concurso de investimento Santa Casa Challenge, 100 workshops e bootcamps e uma comunidade de mais de 9.000 participantes nos seus eventos. Dentro, 40% das suas startups têm fundadores internacionais, dos quais 40% são mulheres e 60% homens.

Baseando o trabalho de todos os dias nos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, entre os quais a diversidade e inclusão, o emprego, a saúde, a educação e o ambiente, a Casa do Impacto já serviu ou serve de espaço de incubação a projetos como Academia de Código, a GoParity, a Impulso, a Skizo, o SPEAK, a Spot Games e a 55+, entre outras. Inês Sequeira fala do trabalho que tem sido desenvolvido nos últimos três anos como parte de um processo para potenciar uma nova geração de startups, processo que conhecerá agora o seu novo nível na nova casa.

Como se gera impacto? É possível criar um bairro que, em vez de polarizar a cidade lhe dá as ferramentas para ser contaminada por políticas de igualdade, diversidade, inclusão, sustentabilidade? De que maneira o edifício de uma fábrica histórica da cidade pode servir de catalisador a um projeto de mudança que, com as aprendizagens do que foi, abarca gerações diferentes, ideologias distintas e uma vontade de ter impacto positivo na cidade e inspirar outras a fazerem o mesmo?

A Mitra, uma casa maior e à medida da comunidade, a Casa do Impacto terá um espaço três vezes maior para incubar projetos e acelerar negócios de impacto. A antiga fábrica da Mitra, agora com uma nova cara e uma nova dinâmica — um projeto ambicioso de integração, de promoção de igualdade e de diversidade, um espaço onde a diferença é valorizada e acolhida, em vez de ser afastada e colocada em causa -, vai levar a Marvila mais um braço de rasgo, dinâmica empreendedora e vontade de mudar o mundo. Um bairro de impacto, a partir de um cantinho da cidade com vista-rio, com larga vista, com vista-mundo.

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