O seguidor que ninguém quer

A Google vai deixar de nos vigiar enquanto navegamos na internet. A mudança é relevante para a publicidade, mas ainda é cedo para saber se é uma boa ou má medida para a privacidade dos utilizadores.

A Google surpreendeu-nos esta semana ao anunciar mudanças relevantes para a privacidade digital.

A empresa diz que vai deixar de vender publicidade com base no nosso histórico de pesquisas, e planeia parar de vigiar o nosso comportamento à medida que vamos navegando de site em site.

Já sabíamos que o Chrome iria abandonar os chamados cookies de terceiros no próximo ano, os famosos pedaços de código capazes de nos seguirem por todo o lado. Agora, numa decisão pouco esperada (pelo menos por mim, admito), a multinacional anunciou que vai deixar de os produzir e de os suportar nos seus serviços.

Será desta que vamos perder aquele seguidor que ninguém quer? Para já, a minha resposta é… não sei.

Julgo que ainda é cedo para opinar se a mudança versa a favor ou contra os utilizadores. Por norma, estas coisas não são brancas nem pretas e podem significar trade-offs que não conseguimos entender de imediato. Mas é uma novidade que valerá a pena acompanhar com olhar atento.

Atualmente, os anunciantes têm a possibilidade de usar este tipo de tecnologias para nos vigiarem na internet. A partir do nosso histórico de navegação, mas também das nossas pesquisas, estas empresas são capazes de traçar o nosso perfil e até de confirmar se comprámos o tal produto que vimos num anúncio.

A mudança que a Google anunciou trava o acesso dos anunciantes a este tipo de informação. Numa nota, a multinacional admite que a publicidade digital tem de evoluir para encarar as preocupações dos utilizadores com a privacidade, e é difícil não concordar. A questão é saber se as alternativas são melhores ou piores do que as existentes.

Segundo o The Wall Street Journal, uma dessas alternativas é uma nova tecnologia que recolhe dados do comportamento a nível local, no dispositivo do utilizador, e que permite aos anunciantes segmentarem publicidade com base em grupos de pessoas com interesses semelhantes, ao invés de utilizadores específicos.

Sendo, aparentemente, uma forma mais respeitadora da privacidade individual, a aposta indica, todavia, que as nossas vidas e comportamentos vão continuar a ser negociados num mercado de futuros. Ou seja, muda a forma, mas mantém-se a base do problema.

Para já, significa que o mercado está a mexer e que estas poderão não ser as únicas novidades a surgirem no curto-prazo. Confesso-me, desde já, curioso para saber qual vai ser a reação do setor, e sobretudo de concorrentes, como o Facebook.

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