O simpático elefante na sala

  • Bruno Horta Soares
  • 11 Novembro 2016

Jonh Global saiu de Bangalore e chegou ao Web Summit, conheceu Lisboa, ouviu o primeiro-ministro anunciar 200 milhões de apoios e, apesar das dúvidas, continua a acreditar num mundo mais global.

John Global chegou há dias ao aeroporto Humberto Delgado vindo de Bangalore, Índia, para participar na Web Summit. A cidade onde nasceu há muito que se tornara pequena para a ambição da sua nova start-up digital na área da Big Data & Analytics e o mercado da Índia começava a ser uma limitação para ganhar a escala necessária projetada no plano de negócios. Esta era uma enorme oportunidade para troca de experiências, partilha de conhecimento e quem sabe para conhecer novos parceiros de todo o mundo.

À chegada, John apanhou um Uber e em conversa com o simpático motorista registou as suas preocupações de trabalhar numa atividade que ainda aguarda enquadramento legal, mas que vai funcionando.

Ao chegar ao local onde iria ficar alojado (uma alojamento local reservado pelo Airbnb), foi recebido por um simpático casal jovem que lhe comunicou que a encomenda de materiais para a conferência que tinha feito no AliExpress e que tinha pedido para entregar no destino já tinha chegado a Portugal, mas que estava retida na alfândega. “Devem ser taxas!”, disseram eles, como quem tem conhecimento de causa.

Tudo era perto em Lisboa e rapidamente chegou à Alfândega onde um simpático funcionário lhe pediu para regressar depois do almoço por o sistema estar em baixo e não ser possível concluir o processo.

Há males que vêm por bem e a espera forçada permitiu-lhe um passeio não planeado bela fascinante baixa onde se cruzou com um grupo de jovens muito simpáticos que lhe indicaram o melhor local para comer um peixe grelhado que não irá esquecer, mas que custou a pagar por não existir pagamento em cartão disponível.

Mas o grande dia chegou e com uma pesquisa rápida na BláBlá Car, conseguiu arranjar boleia para a Web Summit. Pelo caminho pode apreciar a beleza da cidade, engalanada por estes dias com os outdoors de promoção a Berlim e Silicon Valley, bem como com os inúmeros cartazes de promoção da inovação e emprego que alguma associação empresarial com um logo de uma caravela tinha distribuído por toda a cidade.

João Local, o simpático motorista improvisado e estudante finalista de engenharia, falou-lhe dos seus planos para o futuro e de como também ele pensava lançar o seu negócio, só ainda não sabendo se o iria fazer em Portugal pelas dificuldades inerentes aos custos de contexto e por ser tão difícil encontrar profissionais nas áreas tecnológicas.

Paddy entrou e o pavilhão foi ao rubro! Nunca tanta inovação, ambição e iniciativa se tinham encontrado no mesmo local e à mesma hora e a energia via-se, ouvia-se e sentia-se. Do meio dos confettis apareceu “Antony Cost”, o simpático primeiro ministro de Portugal, que tal como John e os restantes 53 mil participantes, ele estava visivelmente entusiasmado e deixou um recado a todos para que, independentemente de tudo o que virem ou ouvirem, se “lembrem de Portugal como dinâmico, progressivo e aberto a negócios” e que o seu governo era o principal promotor do empreendedorismo em Portugal.

John ficou impressionado com o anúncio do apoio de 200 Milhões, só não conseguiu entender se seria um programa para os três dias da Web Summit, até ao final do ano ou para investimentos em Lisboa, tal era a alegria do simpático presidente capital de Lisboa, segundo ele “uma das mais dinâmicas, vibrantes e abertas capitais da europa”.

John Global começava a ficar um pouco baralhado com aquilo que via e que ouvia, mas o mais importante era o que o tinha trazido ali: ambicionar viver num mundo cada vez mais livre e global e acreditar que a sua pequena start-up nascida em Bangalore poderia um dia contribuir para uma sociedade mais aberta, mais transparente e sobretudo mais justa dos pontos de vista económico e social.

Fundador e ‘CEO’ da Iniciativa Liberal (https://manifesto.liberal.pt)

  • Bruno Horta Soares

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