Editorial

Os eleitores (do Estado) têm muita força

Rui Rio e Assunção Cristas querem manter as 35 horas de trabalho na Função Pública apesar das críticas que fizeram. Como é que se muda a economia se o Estado fica na mesma?

Rui Rio e Assunção Cristas foram críticos severos, e bem, da redução do horário de trabalho da Função Pública para as 35 horas, pela gritante desigualdade em relação ao setor privado, pelo impacto negativo no funcionamento dos serviços públicos e o consequente impacto financeiro nas contas públicas. Tudo confirmado a partir de julho de 2016, mas chegados a agosto de 2019, o PSD e o CDS poderiam propor uma reversão desta reversão. Mas, não. Nem isso, nem uma reforma das carreiras e do sistema de avaliação, porque nos eleitores do Estado não se toca.

Rui Rio e Assunção Cristas já descansaram os funcionários públicos, as 35 horas de horário de trabalho são para manter. Nenhum dos dois partidos quer tocar nesta medida. Sem ingenuidades, depois da decisão do Governo, dificilmente um partido na oposição com aspirações a substituir o PS no poder poderia mudar esta decisão, seria um suicídio político. Mas para ganharem a confiança do setor privado — e o CDS assume que esse é o seu mercado — não chega fazerem de conta que não há um elefante na sala. O outro, neste domínio, é o salário mínimo diferente entre o setor público e o privado. Mas é isso que o PSD e o CDS estão a fazer e isso não lhes permite ganhar votos nos “eleitores públicos”, mas fá-los perder votos entre os “eleitores privados”. Desiludidos.

Qual era a alternativa? Poderiam manter as 35 horas de trabalho semanal, mas juntavam-lhe uma política exigente de avaliação de desempenho e de mudança nas carreiras. O que nos mostra esta omissão? Que o Estado, e quem lá está dentro, manda. Põe e dispõe. Desde logo governos.

O Estado português não é eficiente, tem falhas enormes, não protege os mais desfavorecidos apesar de se alimentar como poucos. É, por isso, gordo, enorme, pesado. Mas tudo isto é sinónimo de votos, que o PSD e o CDS não querem perder. Só que não percebem que não os vão ganhar, porque o PS já tratou disso nos últimos quatro anos, nem vão ganhar aqueles que olham para este Estado e só vêm um sorvedouro de impostos. E uma máquina que tem de ser financiada.

Ao não tocarem no Estado, na sua estrutura e organização, ao manterem as 35 horas sem mais, o PSD e o CDS abdicam de mexer onde mais é necessário, a bem da economia privada e do próprio Estado e dos serviços que presta.

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