Para onde vai o dinheiro na energia?

  • Eduardo Moura
  • 31 Julho 2020

A descarbonização e o hidrogénio verde estão a atrair todos os capitais e vontades. As petrolíferas estão rendidas à transição energética.

Como é que a Iberdrola comunica o seu novo investimento no Hidrogénio Verde? Diz que 150 milhões de euros vão gerar 700 postos de trabalho e evitar emissões de 39.000 tCO2/ano. Trata-se de um parque fotovoltaico de 100 MW, com baterias e eletrólise para gerar hidrogénio. Que este combustível será usado na fábrica de amoníaco verde para o cliente Fertiberia, produtora de fertilizantes. Que é uma parceria entre as partes. Pronto a funcionar em 2021. E que a Fertiberia reduzirá assim 10% do seu consumo de gás natural.

O que é que a portuguesa Bondaldi, produtora de amoníaco e fertilizantes, está muito inclinada a fazer? Não é exatamente o mesmo tipo de raciocínio da Fertiberia? Não é isso que o governo português diz que é muito interessante? Um cliente de gás natural passar a ser cliente de hidrogénio verde.

Já reparámos na comunicação da BP aos mercados? Está em todo o lado nos media. Em 2050, a BP será carbonicamente neutra. Não contaminará o ambiente com 1 grama de CO2. E os combustíveis que vender, ao serem queimados, vão emitir menos 50% de CO2 do que atualmente? Como é que este gigante compromisso é possível? Em que tecnologias a BP vai investir para chegar ao objetivo em 30 anos?

E a Galp? Leram a comunicação do seu investimento de 20 milhões na plataforma de inovação scale-up em transição energética? Qual é a razão de fundo que justifica a plataforma de inovação?

Portanto, o que sabemos, através de tantas notícias semelhantes, é que sob o manto da descarbonização, todo o setor energético está a ficar alinhado no mesmo curso. Todo o setor energético vai reduzir, abandonar ou compensar os combustíveis fósseis. E que os próximos anos vão acelerar esta tendência. Vamos ver mais e mais investimento em hidrogénio verde, em sequestro de carbono, em redução das emissões, em mudanças de fontes de energia.

É este o mundo novo em que vivemos na energia. Parcerias. Movimentos. Inovação. Criação e destruição de emprego. Descarbonização. É aqui que está o redemoinho que atrai os capitais. É por aqui se faz a perequação do lucro. É sobre este assunto que todas as autoridades europeias estão a regular. Tudo obedece à descarbonização. Os fundos europeus, as regras de financiamento bancário, as regras bolsistas. São todos, todos, mas mesmo todos os analistas, investidores e decisores financeiros.

Pensamos na conjugação destas coisas todas, na convergência delas, e colocamo-nos uma questão? Isto é bom ou mau para o mundo? Somos a favor ou contra? Que cautelas devemos ter?

  • Eduardo Moura
  • Gestor. Diretor-adjunto de Sustentabilidade na EDP

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