Por mais emails com emails de resposta!!!

  • André Reid
  • 21 Novembro 2019

Da mesma forma que a revolução digital altera os padrões dos nossos comportamentos, tem de haver uma reavaliação das regras de boa educação e de respeito para que tudo deixe de ser tão impessoal.

Vivo e trabalho há sete anos nos Estados Unidos da América, mais propriamente em Miami, de onde acompanho os meus clientes sediados em Portugal e no Brasil, pelo que a interação com esses clientes e prospects é diária e permanente.

Há relativamente poucos anos, quando tudo ainda era analógico, todas as comunicações eram telefónicas, não presenciais. No entanto, desde o momento em que surgiu a internet a forma de comunicarmos alterou-se radicalmente. Todos começámos a usar as novas formas de comunicar recorrendo ao email, a mensagens de texto, a aplicações no telemóvel como WhatsApp ou Facebook, para além de outros meios de comunicação digital que têm vindo a surgir, fruto da evolução e da rapidez da internet. Sem exceção, todas elas me parecem algo impessoais.

A interação presencial será sempre fundamental e dificilmente poderá vir a ser ultrapassada ou substituída. A importância do contacto pessoal, do poder ver e sentir o nosso interlocutor, será sempre mais eficiente e compreensiva do que qualquer outra. Se bem que, por exemplo, para mim que estou longe dos meus clientes, as chamadas de vídeo permitem esclarecer e resolver muitas situações no momento, de uma forma fácil e substancialmente mais económica.

Na minha comunicação com clientes, o e-mail tornou-se o principal substituto das chamadas telefónicas, pois não existe o risco de incomodar o cliente –- este lê a mensagem quando pode ou lhe for conveniente. Respondo sempre a todos os emails e mensagens que recebo, sejam do cliente mais importante ou de alguém a querer oferecer um serviço. Considero que um simples “não, obrigado!” é melhor que uma não resposta.

Existem também os spam de mensagens para grupos. A estas mensagens raramente respondo, já que, normalmente, têm o único propósito de dar conhecimento ao destinatário de um produto ou serviço, não exigindo uma resposta. Ou seja, há que diferenciar uma mensagem de email pessoal ou profissional de uma outra de divulgação comercial e, portanto, de menor relevância.

Pois bem, este é um assunto que me faz pensar particularmente, pois sempre que não obtenho uma resposta a um email por mim enviado, confesso que, passado um certo tempo, fico com uma certa irritação, consideraria até, ser uma falta de educação – é quase como desejar um bom dia a alguém e não obter qualquer resposta. A falta de interesse não deveria ser razão ou justificação para não se responder a um email.

Hoje, mais do que nunca, todos nós interagimos com muita gente e a gestão de expectativas é cada vez mais difícil de coordenar. Nas comunicações digitais não existem protocolos nem normas, no entanto, é importante haver racionalidade e bom senso, é preciso “separar o trigo do joio” – não que a minha mensagem seja a mais importante, mas porque considero que toda a gente deve obter uma resposta a uma comunicação de alguém com quem se relaciona, pessoal ou profissionalmente. Claro que é necessário investir algum tempo para responder a e-mails, embora a falta de tempo não possa ser uma desculpa se houver disciplina, e se se considerar que o e-mail é uma forma de comunicar com outra pessoa sem ela estar presente.

As novas tecnologias fazem com que todos nós facilitemos em quase tudo que fazemos, seja para chegar atrasados a um evento, cancelar um encontro em cima da hora, ou até deixar de responder a um email. Lembro-me bem de quando tudo era analógico. A verdade é que quase ninguém faltava aos seus compromissos – chegava a organizar jogos de futebol de onze por telefone com uma semana de antecedência e raramente havia uma falta de presença no jogo. Cancelar compromissos em cima da hora ou no momento em que estavam a decorrer era algo impossível. Com raras exceções, todos honravam os seus compromissos por respeito ao próximo.

Da mesma forma que esta revolução tecnológica e digital altera os padrões dos nossos comportamentos e interações, terá de haver uma reavaliação das regras de boa educação e de respeito para que tudo deixe de ser cada vez mais impessoal e indiferente. Não podemos deixar que a tecnologia nos torne em seres cada vez mais egoístas e isolados, mesmo que comunicando diariamente com imensas pessoas. O mundo real é bem mais verdadeiro do que o virtual.

  • André Reid
  • Director / Financial Advisor - Bulltick Weallth Management

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Por mais emails com emails de resposta!!!

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião