Localização e flexibilidade. O que é que os trabalhadores querem do escritório onde trabalham?

A flexibilidade será, cada vez mais, um fator de atração e retenção de talento, aponta o estudo "What workers want", da Savills. Conclusões resultam de inquéritos a 11 mil trabalhadores europeus.

Os trabalhadores cingem-se, na maioria do tempo, ao seu espaço de secretária, não aproveitando outras áreas do escritório.Pixabay

Localização, flexibilidade e… um espaço de trabalho que zele pelo bem-estar dos trabalhadores, uma espécie de “segunda casa”. Mais de metade dos trabalhadores (56%) passam entre 70% e 100% do seu tempo de trabalho na sua secretária, “usando muito pouco tempo noutras áreas do espaço de trabalho”. O espaço de trabalho dos portugueses reduz-se, muitas vezes, à área de uma secretária, explica o estudo “What workers want”, desenvolvido pela Savills Portugal e apresentado esta terça-feira no hub Criativo do Beato, em Lisboa. Mas há mais.

“A evolução dos espaços do escritório tem de ir muito ao encontro desta nova forma de os trabalhadores verem o espaço de trabalho. E a geração millennial é a que mais tem feito pensar os responsáveis em como é que motivam as pessoas a ficar no espaço do escritório e a escolher determinada empresa para trabalharem. São gerações muito criativas e que valorizam muito o trabalho colaborativo”, alerta Alexandra Gomes, da área de research da consultora imobiliária, sobre uma das maiores tendências nesta área.

Segundo o estudo, o open space continua a ser a disposição mais escolhida pelas empresas para implementar os seus escritórios. Na maioria dos casos (55%), os inquiridos descrevem o seu espaço de trabalho como um open space. Entre as mais-valias deste tipo de escritório estão a otimização do espaço, a redução de custos, a facilidade de comunicação e o estímulo à criatividade e ao trabalho de equipa, uma maior flexibilidade e uma melhor coordenação entre equipas. Como desvantagens, optar por um espaço de trabalho em open space gera maior movimento, mais ruído, menos privacidade e aumenta o risco de descontentamento com fatores como a luz, a temperatura, entre outros.

“A fórmula vencedora será sempre aquela que consegue cruzar e responder harmoniosamente e de forma efetiva ao conjunto de necessidades diversas que são importantes para os trabalhadores e que tem uma contribuição importante para a sua satisfação, bem-estar e níveis de produtividade”, refere o estudo.

No estudo participaram 1.005 trabalhadores de escritórios divididos entre Lisboa (50%), norte do país (27%) e centro do país (15%). Dos entrevistados, 63% são trabalhadores com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos, e entre os 35 e os 44 anos. Em termos de distribuição por setores, os inquiridos trabalham sobretudo nas áreas de serviços públicos e do Governo (11%) e em tecnologia (11%), mas também na indústria (8%), em saúde (8%) e educação (7%), entre várias outras.

“É imperativo perceber os utilizadores e entender os seus comportamentos, deixando margem a novas formas de ocupação do espaço. Mudar vários paradigmas sob a influência de novas gerações que irão exercer, durante as próximas décadas, força disruptiva que vai afetar cada vez mais as decisões no setor do real estate“, explica o estudo.

A localização do escritório dentro da cidade é um dos elementos mais valorizados pelos trabalhadores. Mais de metade dos inquiridos a nível europeu (54%) e ainda mais, a nível nacional (57%) prefere trabalhar no centro da cidade. “Estar perto de casa, poupar tempo e dinheiro na deslocação casa-trabalho, ter mais tempo para a família são algumas das razões que podem levar os trabalhadores a optar por espaços de trabalho em zonas mais suburbanas, de maneira a estarem mais próximos das suas casas”, avança a Savills, alertando ainda para o facto de o aumento dos preços no centro das cidades fazer com que muitas empresas tendam a ter, cada vez mais, escritórios-satélite a um curto espaço de tempo.

Remote, agile e hotdesks

Trabalhar remotamente e ter uma maior flexibilidade dentro do trabalho que se desempenha são dois fatores valorizados pelos trabalhadores, de acordo com o estudo da Savills. Do total de inquiridos, 48% dos trabalhadores portugueses diz que a cultura da empresa já prevê e encoraja a trabalhar de forma mais flexível e 68% dos inquiridos refere que a empresa providencia tecnologia que permite trabalhar fora do espaço ou do horário regular de trabalho.

“A necessidade de maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, adaptar o ritmo de trabalho à altura do dia em que somos mais produtivos, poupança em tempo e deslocações”, justifica Alexandra Gomes, da área de research da Savills. “Poderemos, no entanto, ter uma sensação de deslocamento, distrações familiares e aumento do horário de trabalho”, alerta.

De acordo com as conclusões do inquérito, 40% dos trabalhadores europeus pensam mudar de trabalho durante os próximos cinco anos e isso deve-se, sobretudo, a quererem uma diminuição no tempo que gastam no percurso casa-trabalho (17%). Mas há mais fatores que apontam para essa mudança: um trabalho mais agile, o espaço de trabalho pessoal mais cuidado e personalizado e o design interior são outras das razões que podem pesar na hora de mudar.

“Juntámos os vários países europeus, equipas de research da Savills, para descobrir o que os trabalhadores realmente querem”, explicou Patrícia de Melo e Liz, CEO da Savills Portugal, sublinhando as conclusões do estudo têm sobretudo a ver com pessoas e com o seu bem-estar no local de trabalho.

Muitos dos colaboradores não sentem conforto, não estão devidamente comprometidos, não sentem que haja um envolvimento naquilo que são os objetivos da empresa”, explica Joana Rodrigues, architecture director da Savills Portugal, acrescentando: “Há um conjunto de fatores muito mais importante do que o valor salarial”. “Tudo o que é a inovação tecnológica, é muito importante ter isso em conta, muitos dos líderes estão conscientes de que vai haver essa evolução tecnológica mas, segundo a Harvard Business Review, 71% desses líderes não estão ainda preparados para essa transformação”, adianta.

Feito em Portugal a 1.005 pessoas, a nível europeu as perguntas do estudo foram realizado a um total de 11.000 inquiridos em 11 países europeus. Limpeza, conforto, iluminação qualidade de ar, nível de ruído, temperatura e segurança são alguns dos fatores básicos mais valorizados na hora de avaliar o espaço de trabalho ideal.

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