França. A discriminação pode custar até 14% do PIB

  • Marta Santos Silva
  • 20 Setembro 2016

Estudo francês estima que a redução de apenas algumas facetas da discriminação contra mulheres e descendentes de imigrantes pode resultar num ganho de 6,9% do PIB.

Que a discriminação tem um custo social elevado já era sabido mas um novo estudo, realizado em França, avaliou o seu custo económico no mercado de trabalho e concluiu que, se a discriminação fosse totalmente erradicada, o PIB francês seria 14,1% maior.

O estudo realizado pelo think tank France Stratégie concluiu que, mesmo com alguns progressos mais modestos na redução da discriminação contra as mulheres e contra os descendentes de imigrantes — nomeadamente reduzindo os desfasamentos na taxa de emprego e no acesso aos postos de trabalho mais bem remunerados –, permitiria que o PIB aumentasse em 6,9%. Tendo como referência o PIB francês em 2015, trata-se de ganhos à volta dos 150 mil milhões de euros, segundo escreve esta terça-feira o jornal francês Le Monde.

“É preciso ter em mente, entenda-se, que os ganhos associados [à redução da discriminação] só se manifestarão a longo prazo”, escreve o comissário-geral da France Stratégie, Jean Pisani-Ferry, no editorial que acompanhou o estudo. “Nenhuma política pode, como um golpe de varinha mágica, pôr fim a preconceitos multisseculares nem fazer desaparecer a interiorização, pelos próprios interessados, da desigualdade“.

É por isso que o estudo, que deverá ser entregue esta terça-feira à ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, e ao ministro da Juventude, Patrick Kanner, opta pela estimativa de um aumento do PIB de 6,9% no final de 20 anos, com uma subida anual de 0,3%. Estes valores surpreenderam os investigadores. “Os números aos quais chegámos são mais elevados do que aqueles que tinham em mente a maioria dos observadores”, diz Pisani-Ferry.

Os investigadores tiveram em conta quatro aspetos nos quais se exprimem as desigualdades no mercado de trabalho. Com tudo o resto em pé de igualdade – educação, meio socioeconómico, experiência, entre outros – as mulheres e os descendentes de imigrantes têm menos acesso ao emprego, aos postos mais bem remunerados, ao trabalho a tempo inteiro, e sofrem ainda de desigualdades na educação. No cenário intermédio, em que os dois primeiros problemas são corrigidos a longo prazo, o think tank prevê que haja ganhos de 2% do PIB e uma descida nas despesas públicas de 0,5%.

Para calcular as desigualdades, a France Stratégie partiu dos dados do inquérito ao emprego realizado pelo INSEE, o instituto de estatística francês, para avaliar as diferenças registadas entre filhos de imigrantes, mulheres, homens sem ascendência migratória direta e pessoas que viviam em zonas urbanas sensíveis.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa.

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