Teodora Cardoso. Governo deve explicar uso de redução de juros da dívida para consegui-la

  • Lusa
  • 21 Setembro 2016

A presidente do CFP, Teodora Cardoso, admitiu hoje que é possível uma redução dos juros da dívida se o Governo conseguir explicar como é que vai aplicar o que gasta com esses juros.

“Neste momento estamos a gastar 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em juros da dívida. Se deixarmos de o pagar vamos gastar noutras coisas. Para quê? Se conseguirmos explicar para que é que vamos usar a redução dos juros da dívida possivelmente consegui-la-emos”, afirmou Teodora Cardoso.

A presidente do Conselho de Contas Públicas (CFP) respondia a questões colocadas pela plateia durante o ‘workshop’ “A Dívida Pública Portuguesa: perspetivas num contexto de incerteza”, que decorreu esta manhã na Faculdade de Direito de Lisboa.

Anteriormente, Teodora Cardoso considerou que “não há condições” europeias para uma reestruturação da dívida, mas defendeu “a necessidade de se perceber para que” será usado “o resultado de uma negociação”.

Por sua vez, o economista Ricardo Paes Mamede, que participou no mesmo ‘workshop’, considerou que “é muito difícil que a reestruturação da dívida não venha a acontecer”, afirmando que “as condições da economia portuguesa são incompatíveis com os níveis de despesa de juros de dívida”.

Ainda assim, o professor do ISCTE considerou que esse “não será um processo sem dificuldades políticas”.

Por sua vez, a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua voltou a insistir na reestruturação da dívida para incentivar o crescimento económico, salientando que “há cada vez menos autores a achar que o problema [das dívidas soberanas] se resolve com austeridade e com consolidação orçamental”.

Concluindo que Portugal, como vários países da zona euro, não tem saldos primários (que excluem os juros da dívida) suficientes “nem para anular o crescimento [da dívida], nem para reduzir a dívida pública” a deputada do BE afirmou que “a maioria da zona euro teria de estar num permanente ajustamento violentíssimo nos próximos 20 anos”, com “causas graves para a economia” dos países da zona euro.

“Estamos a apontar todo o nosso otimismo, porque queremos ser muito otimistas e nem pensar em reestruturar [a dívida], porque estamos a basear-nos numa opção matemática, que é termos saldos primários desta dimensão”, disse.

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