DBRS. Como a Zona Euro ficou presa na sua própria armadilha

A austeridade nos países mais endividados poderá ter sido em vão, diz a DBRS, que explica como a Zona Euro ficou presa na sua própria armadilha.

Com o Banco Central Europeu (BCE) cada vez mais limitado nas suas ações para animar a economia da zona euro e o Pacto de Estabilidade e Crescimento a impedir políticas orçamentais mais arrojadas, os países mais endividados estão de mãos atadas e pouco podem fazer para colocar o rácio da dívida sobre o PIB numa sólida trajetória descendente, considera a agência canadiana DBRS, que coloca a seguinte pergunta: “Estarão os países com muito endividamento condenados a viver com o fardo da dívida indefinidamente? Se sim, é apenas uma questão de tempo até um choque externo fazer descarrilar todos os esforços de estabilização”.

Com uma dívida de 124,8% do PIB esperada para final do ano, Portugal está incluído neste lote. E as opções para atenuar o fardo da dívida são poucas. Ou mesmo nenhumas, afirma a agência canadiana.

“Para os países altamente endividados, as opções políticas são mais limitadas. Na Zona Euro, uma união mais flexível e a mutualização da dívida ajudaria a restaurar a confiança dos investidores, empresários e consumidores. Mas a partilha deste fardo de elevado endividamento é difícil politicamente e, por isso, improvável de acontecer. Depois de anos de austeridade, ajustamentos estruturais para promover o crescimento são politicamente difíceis de implementar”, justifica a agência canadiana.

"Para os países altamente endividados, as opções políticas são mais limitadas. Na Zona Euro, uma união mais flexível e a mutualização da dívida ajudaria a restaurar a confiança dos investidores, empresários e consumidores. Mas a partilha deste fardo de elevado endividamento é difícil politicamente e, por isso, improvável de acontecer. Depois de anos de austeridade, ajustamentos estruturais para promover o crescimento são politicamente difíceis de implementar.”

Agência de notação financeira DBRS

Segundo os analistas, há duas alternativas para dar alguma folga a estes países. Uma era a autoridade monetária do euro aumentar as metas para a inflação – perto mas abaixo dos 2%, uma sugestão já deixada por vários economistas, como Paul Krugman -, utilizar o helicopter money, ou apoiar diretamente os gastos orçamentais. “Contudo, não é claro como estas medidas seriam bem-sucedidas na promoção do crescimento”.

A outra alternativa é países menos endividados, como a Alemanha e a Holanda, estimularem o crescimento das suas próprias economias através do investimento público e, com isso, influenciar positivamente a atividade económica na zona da moeda única. Mas também esta medida é altamente improvável.

“Ações mais atraentes, como o Conselho Europeu recomendou recentemente, seriam para os países menos endividados promover estímulos orçamentais amigos do crescimento e em contracíclicos, como o investimento em infraestruturas, educação e inovação e conhecimento. Contudo, a austeridade orçamental está incorporada nas regras do pacto de estabilidade e, apesar das recomendações do Conselho Europeu, dificilmente este cenário se alterará”, diz a DBRS, que estima o impacto de um forte aumento da procura na Alemanha e Holanda: “Juntamente com a desvalorização do euro, iria aumentar o PIB em cerca de 0,5% ao ano em países como a França, Espanha, Itália, Portugal e o resto da Zona Euro“, estimam os analistas. “Mas com eleições a aproximarem-se em ambos os países, tais programas não são politicamente viáveis”, acrescentam de seguida.

Além das baixas taxas de juro, baixa inflação e lento crescimento, a DBRS junta outros fatores que desviaram a atenção dos responsáveis europeus do ajustamento económico necessário para a Zona Euro regressar com força à retoma.

“Incidentes com terrorismo, o aumento da imigração, a continuação das negociações na Grécia e o crescimento do populismo – o caso mais evidente foi o referendo que levou os britânicos a votar saída da União Europeia – contribuíram para a incerteza quanto às perspetivas económicas e do ritmo de integração económica e financeira europeia”, ressalva a agência.

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