Argentina. 1º bilionário tech manda no eBay latino

Marcos Galperín cruzou-se em Silicon Valley com o eBay. Estudou na Califórnia nos anos 90 na altura das 'dot-com'. Acumulou inspiração, regressou à Argentina e criou a Mercado Libre numa garagem.

Depois de 17 anos a liderar a empresa que criou, Galperín é o primeiro bilionário tecnológico da Argentina e, a Mercado Libre, a plataforma de comércio online líder da América Latina.

Mil milhões de dólares: é este o património líquido de Galperín, segundo o índice de bilionários da Bloomberg, além dos 9,6% que detém na empresa. A Mercado Libre tem um valor de mercado de 7,3 mil milhões de euros e é já a empresa mais valiosa da bolsa argentina.

De 1999 para 2016, a empresa saiu da garagem, construiu as instalações ‘mãe’ em Buenos Aires e já anunciou uma nova sede em São Paulo. O novo espaço tem 33 mil metros quadrados com uma sala de massagens, mesas de ping-pong e um terraço com painéis solares. E vão chegar mais 100 milhões de investimento para criar cinco mil postos de trabalho, garantiu Marcos Galperín. O futuro sorri para a Mercado Libre?

Brasil é a galinha dos ovos de ouro

Os dados da agência financeira mostram que a maior parte do total dos ganhos (587,6 milhões de euros) vem do Brasil: a Mercado Libre faturou 262 milhões de euros com o mercado brasileiro, ultrapassando o mercado de origem, o argentino, que faturou 220 milhões de euros. As restantes receitas têm origem na Venezuela e no México. Em 2016 a previsão é de domínio para o mercado brasileiro com 51% das receitas.

Logo da empresa Mercado Libre, líder do comércio online na América Latina.
Logo da empresa Mercado Libre, líder do comércio online na América Latina.

Este ano, a empresa estima que as receitas vão crescer 24%. No total, a Mercado Libre prevê faturar 728,6 milhões de euros em 2016 e a bolsa de valores tem acompanhado esse otimismo: o valor de uma ação duplicou em comparação com o início do ano. A evolução positiva deu um recorde: a 22 de setembro fechou o dia com cada ação a valer 191 dólares.

A empresa tem – e prevê-se que continue a beneficiar – do crescente número de utilizadores de internet na América Latina. Em 2015 houve um aumento de 11% para 116 milhões de pessoas, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado eMarketer.

A acompanhar essa subida estão as vendas online – onde a Mercado Libre se mexe -, que cresceram 23%. Além disso, a estratégia atual é a de apostar no mobile, tendo a empresa organizado um conferência sobre o tema.

Mas nem tudo são boas notícias para a empresa. A autoridade fiscal argentina está a rever os benefícios fiscais dados às empresas de software. Segundo a Bloomberg, a Mercado Libre diz que não é a única empresa inspecionada e que tem cumprido com todas as condições legais.

Atualmente, a empresa tem como principal acionista o próprio EBay, que comprou 20% (atualmente 18,4%) da empresa dois anos depois de ser lançada e acordou não competir no mercado da América Latina.

Graças a isso, o então e atual CEO Marcos Galperín tornou-se segundo bilionário argentino, o primeiro com negócios na tecnologia. O primeiro bilionário argentino foi Jorge Horacio Brito, o dono do Banco Macro.

Editado por Mariana de Araújo Barbosa

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