DBRS preocupada com subida dos juros portugueses

Agência canadiana, que mantém Portugal elegível para as compras do BCE, elogia estabilidade política mas fraco crescimento económico e subida dos juros preocupam.

Para a agência de notação financeira canadiana DBRS, a recente subida das ‘yields’ associadas às obrigações portuguesas assusta.

Com uma revisão do rating esperada para meados de outubro, a DBRS está preocupada com o agravamento da perceção de risco por parte dos investidores em relação a Portugal. “No geral, a situação política parece boa suficiente… infelizmente, os juros das obrigações têm subido, aumentando assim o seu custo de financiamento no mercado”, referiu Fergus McCormick, economista-chefe e diretor de ratings soberanos da DBRS, em entrevista à Bloomberg.

Na mesma entrevista, McCormick salientou ainda como fator negativo o frágil crescimento económico em Portugal observado na primeira metade do ano, que foi “metade do que era esperado”. “Assim, temos duas notícias negativas e uma positiva”, resumiu o responsável.

No mercado secundário, os juros associados às obrigações do Tesouro a dez anos subiam até 3,346%, e vai a caminho da maior subida mensal desde o início do ano. Já o diferencial face à dívida alemã mantinha-se a rondar a casa dos 350 pontos, o nível mais elevado desde fevereiro deste ano.

"No geral, a situação política parece boa suficiente… infelizmente, os juros das obrigações têm subido, aumentando assim o seu custo de financiamento no mercado.”

Fergus McCormick, economista-chefe e diretor de ratings soberanos da DBRS

Bloomberg

A DBRS prevê rever o rating de ‘BBB’ de Portugal no dia 21 de outubro. É esta a agência que mantém a dívida portuguesa elegível no âmbito do plano de compras de ativos do Banco Central Europeu (BCE) e, nesse sentido, é com grande expectativa que o mercado está a antecipar esta decisão. Um downgrade colocaria as obrigações nacionais num patamar de investimento considerado especulativo. Com Portugal fora do radar do BCE, os juros nacionais iriam agravar-se ainda mais.

Se o BCE deixa de comprar, então os investidores também deixam de comprar”, explicou David Schnautz, estratega do Commerzbank, à Bloomberg. “Isso poderia facilmente levar ao corte no acesso ao mercado a juros confortáveis para Portugal”, acrescentou o analista, que espera que a DBRS coloque a dívida nacional em perspetiva negativa sem alterar, porém, o rating.

Caixa é evento “one-off”

Para a DBRS, a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos é uma evento “one-off”, que não se vai repetir, e por isso não deverá implicar uma “ação de rating” da parte da agência. “É uma boa intenção tentar resolver os problemas relacionados com o setor bancário, mas a verdade é que têm uma elevada dívida e estão muito expostas a choques. Isso é um motivo de preocupação”, disse McCormick.

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