JPMorgan espera “redução decente” dos juros portugueses

O JPMorgan Chase antecipa uma queda “decente” nas yields associadas aos títulos de dívida portuguesa assim que a DBRS confirmar o rating de Portugal em Outubro.

Portugal tem estado na mira dos investidores internacionais, mas não pelos melhores motivos. Os receios em torno do travão das compras por parte do BCE têm ditado uma subida das taxas no mercado. Mas o JPMorgan Chase antecipa uma inversão da tendência depois da decisão da agência de notação financeira canadiana DBRS.

Apesar o agravamento da perceção do risco dos investidores em relação a Portugal nas últimas semanas para máximos de sete meses, a agência de notação DBRS, a única das quatro grandes agências mundiais a colocar Portugal num grau de investimento, deverá confirmar a estabilidade do rating e do outlook no próximo dia 21 de outubro.

Neste cenário, os analistas do JP Morgan acreditam que a decisão da agência canadiana irá provocar uma “redução decente nas yields nacionais, segundo uma nota enviada a clientes obtida pela Bloomberg.

A perceção de risco de Portugal acentuou-se sobretudo depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter revelado no início do mês que não discutiu qualquer extensão do programa de compra de ativos no setor público.

É necessária precaução face à incerteza dos passos que o BCE tomará de seguida e em antecipação à decisão de rating por parte da DBRS.

JPMorgan

O mercado sinalizou esse anúncio como um perigo para o mercado obrigacionista português. Isto porque o ritmo de compra de dívida portuguesa por parte do banco central tem vindo a desacelerar nos últimos meses, o que levou alguns analistas a colocar a hipótese de a autoridade monetária poder vir a enfrentar dificuldades com uma possível escassez de títulos elegíveis para compras até final do ano. O Banco de Portugal já veio desmentir esse cenário, entretanto.

Ainda assim, com a situação financeira em Portugal “sob controlo”, JPMorgan crê que as próximas emissões de dívida portuguesas são “geríveis” se a instituição liderada por Mario Draghi continuar ativa com o seu programa de compras de títulos de dívida e o ambiente político no país permanecer estável.

Para já, o banco de investimento americano recomenda precaução “face à incerteza dos passos que o BCE tomará de seguida e em antecipação à ação de rating da DBRS” que deverá determinar a evolução dos yields nacionais.

Os juros das obrigações a 10 anos mantêm-se em níveis máximos de sete meses, depois de terem subido esta quarta-feira até aos 3,41%, refletindo o sentimento de alguma indefinição no mercado obrigacionista português.

Evolução dos juros das obrigações portuguesas a 10 anos

 

Enquanto isso, o diferencial de risco das obrigações portuguesas a dez anos face à bund alemã segue nos 340 pontos base, sendo o spread mais elevado desde fevereiro. Face à dívida espanhola, a dívida nacional registava um spread de 240 pontos base, o mais elevado desde março de 2013.

Evolução do diferencial dos juros da dívida portuguesa a 10 anos face à dívida alemã e espanhola

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