Theresa May não vai fazer favores ao setor financeiro no acordo do Brexit

  • Marta Santos Silva
  • 3 Outubro 2016

O acordo da saída do Reino Unido da União Europeia não vai ter concessões especiais para as empresas de serviços financeiros, numa quebra com o defendido pelo antecessor David Cameron.

Theresa May tem uma visão diferente da de David Cameron para a City de Londres. Por isso, de acordo com fontes que preferem permanecer anónimas, não vai fazer favores especiais às empresas de serviços financeiros no acordo do Brexit.

A primeira-ministra do Reino Unido não vai dar primazia ao setor financeiro nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, segundo disseram à Bloomberg três figuras da administração de May.

Embora várias empresas do setor financeiro com base em Londres, como a JPMorgan Chase & Co e o UBS, tenham ameaçado levar pelo menos parte da sua atividade para o estrangeiro se o acordo para a saída do Reino Unido vier a prejudicar a sua atividade, as fontes da Bloomberg garantiram que Theresa May não vai ter como prioridade conseguir um acordo particularmente favorável para o setor.

Ao contrário de David Cameron, que teve como um dos pontos centrais da sua campanha contra o Brexit o impacto negativo que a saída da União Europeia teria na City, o bairro financeiro da capital britânica, Theresa May dá mais importância a outras questões.

Este domingo, perante a conferência do partido conservador britânico em Birmingham, a primeira-ministra anunciou que o Reino Unido irá ativar o Artigo 50, que dá início ao processo formal de saída da UE, até março de 2017, e sublinhou que a principal prioridade será o controlo do fluxo migratório para o interior do Reino Unido, sugerindo que isso seria mais importante do que ter um maior acesso ao mercado único. Sem se referir de todo ao setor financeiro, May sublinhou ainda que procurará um acordo que permita o livre comércio de bens e serviços.

À Bloomberg, uma das fontes próximas do governo que não quis ser identificada garantiu que alguns dos principais líderes de serviços financeiros na City ainda não se tinham apercebido de que estão prestes a perder a sua posição de destaque para o governo britânico, e que ficariam chocados quando se apercebessem das circunstâncias. A mesma fonte sublinhou que as ameaças frequentes de mudar o negócio para Frankfurt ou Dublin não seriam levadas a sério pelo governo de Theresa May.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Theresa May não vai fazer favores ao setor financeiro no acordo do Brexit

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião