Preço da OPA do BPI nas mãos da CMVM

Regulador poderá nomear um auditor independente, caso considere que oferta não é equitativa.

A Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) tem nas mãos o preço da oferta pública de aquisição do CaixaBank sobre o BPI, na medida em que terá de analisar se o controlo do BFA, que agora está nas mãos de Isabel dos Santos depois de a Unitel ter adquirido os 2% ao BPI, está refletido no preço e, como tal, a contrapartida é equitativa para todos os acionistas.

O artigo 188º do Código dos Valores Mobiliários diz que a contrapartida de uma OPA tem que ser equitativa, não discriminando qualquer acionista. E, é precisamente para analisar se há discriminação entre os acionistas que a instituição liderada por Carlos Tavares terá de intervir. Caso a CMVM chegue à conclusão de que o valor não é equitativo para todos os acionistas, procede à nomeação de um auditor independente que irá definir a contrapartida mínima.

Fontes de mercado adiantam ao ECO que as contas são fáceis de fazer: com o BFA avaliado em 1400 milhões de euros e, com o prémio de controlo a variar — regra geral — entre os 20% e os 30% do valor dessa avaliação, o valor correspondente aos 20% é 280 milhões de euros. A Unitel pagou pelos 2% do BFA 28 milhões de euros e, este valor subtraído aos 280 milhões de euros resulta em 252 milhões de euros o que, a dividir pelos 311, 523 milhões de ações (correspondentes a 21,46% do capital do BPI) que a empresária detém diretamente e indiretamente (Santoro, BIC e Fernando Teles), dá 81 cêntimos por ação.

As mesmas fontes dizem, com base nestas contas, que o valor justo a pagar aos pequenos acionistas e que refletisse o prémio de controlo seria então 1,944 euros por ação (resultante do soma do valor da OPA 1,134 euros por ação com os 81 cêntimos resultantes do prémio de controlo).

O CaixaBank foi obrigado a subir o preço de 1,113 euros para 1,134 euros por ação no âmbito da passagem de OPA voluntária a obrigatória, o que aconteceu devido à desblindagem dos estatutos do BPI, em assembleia geral de 21 de setembro. Com a desblindagem, o CaixaBank, maior acionista do BPI, passou a responder pela totalidade das ações que detém no banco liderado por Ulrich: 45,5%, quando até essa data apenas votava com 20% do capital. O novo preço corresponde à média ponderada da cotação do BPI nos seis meses anteriores à data da desblindagem dos estatutos.

Em virtude da passagem da OPA de voluntária a obrigatória, o CaixaBank fez hoje chegar à CMVM o pedido de registo da oferta.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Preço da OPA do BPI nas mãos da CMVM

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião