Fundos: corrida aos CTT antes da queda das ações até ao preço da OPV

Foi uma corrida atrás das ações do CTT. Fundos nacionais aplicaram mais de 5 milhões em ações dos Correios em setembro, aproveitando os 'saldos'. Mas títulos voltaram a desvalorizar desde então.

Foi uma corrida atrás das ações do CTT durante o mês de setembro. Com a desvalorização de 12% observada em agosto, os fundos de investimento nacionais aproveitaram o “desconto” para reforçar as suas carteiras com títulos da empresa de correio postal e aplicaram um total de mais de cinco milhões de euros. No final de setembro já detinham 16,2 milhões de euros investidos em ações da cotada liderada por Francisco Lacerda, de acordo com os dados revelados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Só que em setembro e em outubro os CTT voltaram a desvalorizar. E de forma acentuada.

Se a principal aposta continuou a ser a Nos, a verdade é que o olhar dos gestores dos fundos nacionais esteve sobretudo focado nos CTT. Os Correios viram o seu valor nas carteiras dos fundos disparar quase 48% em setembro. Para Steven Santos, gestor do BiG, a oportunidade falou mais alto.

“Consideraram que a desvalorização dos CTT era excessiva e incrementaram a sua posição junto do preço registado depois da oferta pública de venda. Deste modo, os fundos compraram os CTT de forma oportunista numa zona de sobrevenda técnica”, explicou Santos ao ECO. “A entrada no setor da banca tem sido encarada como um possível motor de crescimento da empresa, mas o mercado parece não ter descontado devidamente os investimentos e custos de estrutura inerentes a esta atividade, o que motivou a desvalorização acentuada no último ano”, acrescentou o responsável.

Os CTT CTT 0,00% têm sido uma das cotadas mais penalizadas na bolsa portuguesa. Desde o início do ano, as ações já encolheram mais de 30%, com os investidores a manifestar muitas reservas em relação à empresa após um primeiro semestre em que os resultados ficaram aquém do esperado. Na primeira metade do ano, o lucro dos CTT ficaram nos 31,7 milhões de euros e, aquando da apresentação das contas, a administração liderada por Lacerda reviu em baixa as metas para o resto do ano.

Em resultado desta desconfiança, a outrora estrela do PSI-20 chegou a baixar esta semana para um preço aquém dos 5,52 euros com que chegou à bolsa, em dezembro de 2013. Mas desde que tocou nos 5,511 euros na última segunda-feira os CTT já recuperam cerca de 10%, tendo fechado a sessão desta sexta-feira acima dos seis euros. Para Steven Santos, a explicação é técnica: “Do ponto de vista técnico, a ação dos CTT está a inverter, depois de ter ativado uma cunha descendente”.

As preferidas dos gestores

Os Indicadores de Síntese dos Fundos de Investimento Mobiliário divulgados pela CMVM mostram que, no final de setembro, os gestores nacionais mantinham cerca de 170,1 milhões de euros aplicados em títulos da bolsa portuguesa no final daquele mês, menos 0,5% face ao mês anterior. A Nos manteve-se no topo das preferências dos fundos portugueses, concentrando 16,7 milhões de euros do património dos fundos (-2,6% face a agosto).

Fonte: CMVM (Valores em milhões de euros)
Fonte: CMVM (Valores em milhares de euros)

O grande salto foi protagonizado pelos CTT, que entrou diretamente para o segundo lugar das mais preferidas dos fundos, relegando a EDP Renováveis para o terceiro posto – gestores dos fundos tinham 14,2 milhões de euros aplicados na empresa de energia renováveis, menos 3,6% do que em agosto.

A fechar o top 5 das preferidas dos gestores nacionais estão a Sonae e Navigator. Ambas as cotadas concentraram menos atenção e investimento da parte dos fundos nacionais, onde têm apostados 13 milhões de euros (queda 9% face a agosto) e 12,7 milhões de euros (queda de 8%), respetivamente.

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