DBRS: “Há uma visão negativa” sobre a banca

A agência de notação financeira alerta que a perceção sobre a banca nacional continua a ser negativa. Diz que as medidas que estão a ser adotadas são positivas, mas ainda há grandes desafios.

A queda do BES, a resolução do Banif e, mais tarde, a transferência das obrigações sénior do Novo Banco para o banco mau pesam na visão dos investidores sobre a banca nacional, alerta a DBRS. Estão a ser dados passos no bom sentido, mas o malparado e os baixos rácios de capital continuam a pesar no setor financeiro português. Além do “desafio” que é a venda do Novo Banco.

“Ainda que as medidas que estão a ser tomadas possam aliviar a visão negativa sobre o setor, o processo de venda Novo Banco continua a pesar. O que há de novo? Há uma alteração no Fundo de Resolução que fará com que os bancos do sistema financeiro não vai ter de registar novas perdas já que poderão cobrar a diferença entre o valor de venda do Novo Banco num prazo alongado. Pode acelerar a venda do Novo Banco, mas este processo continua a ser um desafio”.

A banca continua a enfrentar riscos. Especialmente o elevado nível de malparado. E a preocupação é maior tendo em conta o crescimento económico do país.

Maria Rivas

Vice-presidente da DBRS

A DBRS nota, numa conferência com analistas realizada esta tarde, que apesar do Novo Banco, há uma evolução positiva relativamente à CGD, o banco público. “Portugal chegou a acordo com a Comissão Europeia para recapitalizar o banco. Isso é positivo. Poderá promover a estabilidade do sistema ao ter um grande banco com rácio de capital mais elevados“, nota Maria Rivas, vice-presidente e analista responsável para os bancos portugueses e espanhóis.

“São boas medidas, mas a banca continua a enfrentar riscos. Especialmente o elevado nível de malparado. E a preocupação é maior tendo em conta o crescimento económico do país”, remata. “O malparado está a cair, mas o stock continua a ser elevado”, nota, sublinhando que “a limpeza do balanço dos bancos é importante. Mas o processo, em Portugal, é lento“. E “os bancos estão pouco capitalizados para fazerem essa limpeza dos balanços”.

Outra das preocupações dos investidores é, segundo a DBRS, “a baixa rentabilidade do setor e os rácios de capital baixos apresentados”. A DBRS nota que “os bancos estão a trabalhar no sentido de aumentar os seus rácios de capital, em particular a CGD, o BCP, que está em negociações para a entrada da Fosun no capital, e o BPI está a ser adquirido pelo CaixaBank”. “Os bancos estão a fazer progressos nos rácios, mas é preciso rácios mais elevados para limparem os seus balanços“, conclui.

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