Igualdade económica de género? Só em 2186

  • Juliana Nogueira Santos
  • 26 Outubro 2016

O Fórum Económico Mundial divulgou os dados relativos à igualdade de géneros que revelaram que o nosso país ainda tem muito a fazer.

Portugal tem aparecido nas notícias como um dos melhores países para se nascer mulher: um estudo feito pela ONG Save the Children interpretou indicadores como o casamento infantil, a quantidade de mulheres no parlamento e a conclusão do ensino secundário e colocou o nosso país em oitavo lugar. Esta posição foi justificada com a forte presença de mulheres na Assembleia da República – foram eleitas 76 deputadas, que perfazem um terço do hemiciclo.

Mesmo assim, será que podemos dizer que isto é suficiente? Estar no top 10 deste estudo confirma que Portugal é um país igualitário, em que nascer homem ou mulher oferece as mesmas oportunidades no futuro? O mais recente relatório sobre as diferenças globais de género do Fórum Económico Mundial afirma que isto não é assim tão linear.

O relatório analisou indicadores mais gerais, como a educação e as oportunidades económicas, e revelou que, no panorama global, a igualdade se situa nos 68%. Em relação à paridade económica entre géneros, o valor desce substancialmente para os 59%. O dado mais sonante é a previsão dos anos que serão necessários para atingir a igualdade de género a nível mundial, que no ano passado se encontrava nos 118 anos e este ano aumentou para 170, anunciado uma inversão nos processos de garantia de igualdade.

O nosso país encontra-se no 31º lugar entre 144, tendo a pontuação mais forte nas áreas do empoderamento político (36º lugar) e na participação e oportunidade económica (46º lugar). Ficou-se pelo 63º lugar na formação académica e pelo 76º lugar na saúde e sobrevivência. Mas o que é que isto quer dizer em termos concretos?

Rácio mulheres/homens

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A análise demográfica afirma que por cada 10 homens existem 11 mulheres no nosso país.

Minutos de trabalho por dia

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A disparidade é clara no que toca à média de minutos que cada um dos sexos trabalha por dia. Enquanto as mulheres trabalham 559 minutos por dia — cerca de nove horas e meia –, os homens ficam-se pelos 469 minutos — quase oito horas. Conclui-se que estas fazem mais horas do que as previstas por lei.

Ordenado médio

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A quantidade de horas que são passadas em serviço não é proporcional ao ordenado recebido, com uma diferença de quase 10 mil euros na média.

Lugares de administração em empresas

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Em entrevista ao ECO, e quando questionada se espera ver mais mulheres na liderança de empresas cotadas, Maria João Carioca, presidente da bolsa de Lisboa, afirmou que “o caminho tem de ser feito, o caminho está a ser feito, com uma derivada que acho francamente insatisfatória”. É exatamente isto que mostram os números revelados: enquanto existem 89 homens nos quadros administrativos das cotadas em bolsa, as mulheres perfazem um total de 11.

Trabalho não pago por dia

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O conceito de trabalho não pago refere-se às tarefas diárias na vida privada, quer sejam rotinas de casa, como cozinhar ou lavar roupa, ou o cuidado de crianças e idosos. Assim, 59% do trabalho diário das mulheres é dirigido para estas tarefas, enquanto os homens dedicam 21% do seu trabalho diário a esta questão.

O Fórum Económico Mundial criou também uma calculadora personalizável que permite analisar com mais detalhe o seu caso em particular , tendo em conta a idade, o sexo e o país de origem.

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