Moçambique quer reestruturar dívida que emitiu há sete meses

Valor das eurobonds emitidas há apenas sete meses afunda depois de o governo de Moçambique ter contratado consultores para negociar uma reestruturação dessa emissão.

Moçambique surpreendeu os investidores quando anunciou esta terça-feira a contratação das consultoras Lazard e White & Case para negociar com os seus credores os termos da emissão de Eurobonds, no montante de 732 milhões de dólares, ocorrida em abril deste ano.

Em mercado secundário, o valor destas Eurobonds estavam a afundar pelo segundo dia, tendo desvalorizado mais 35% (21 cêntimos de dólar) para os 60 cêntimos de dólar desde que o governo de Maputo revelou planos para reestruturar esta linha de obrigações para estar qualificado para retomar a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Evolução do preço das Eurobonds moçambicanas desde a sua emissão em abril

Fonte: Bloomberg (Valores em dólares)
Fonte: Bloomberg (Valores em dólares)

O governo de Moçambique, que está a enfrentar dificuldades em pagar o serviço da dívida denominada em dólares depois da forte depreciação da sua moeda este ano, já admitiu estar com problemas de sobreendividamento, encontrando-se atualmente em violação de cinco indicadores de excesso de dívida do FMI.

Maputo vai pedir aos seus credores que aceitem um perdão parcial ou então novas maturidades para estas “obrigações do atum”, como são conhecidas porque foram emitidas com o objetivo de financiar a criação de uma indústria pesqueira nacional. No entanto, a maior parte deste financiamento foi gasto em operações de seguros associados com o empréstimo.

“Moçambique não consegue manter o seu orçamento sob controlo e é culpa sua, não dos obrigacionistas. Não tenho qualquer pena dos responsáveis”, referiu Lutz Roehmeyer, gestor do Landesbank Berlin Investment. Os investidores foram “enganados” quanto ao tamanho da dívida do país no início deste ano, acrescentou este responsável que comprou cerca de um milhão de dólares em obrigações da país, em 2014 e 2015.

"Moçambique não consegue manter o seu orçamento sob controlo e é culpa sua, não dos obrigacionistas. Não tenho qualquer pena dos responsáveis.”

Lutz Roehmeyer

Landesbank Berlin Investment

 

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