Libra: A maior vítima do Brexit

  • Rita Atalaia
  • 31 Outubro 2016

É oficial: a libra é a moeda com pior desempenho entre as principais divisas este ano. A moeda já caiu quase 20% contra o dólar desde que o Reino Unido decidiu sair da União Europeia.

A libra tornou-se na maior vítima do debate sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. A moeda já caiu quase 20% contra o dólar desde que o país decidiu sair. E é oficialmente a moeda com o pior desempenho este ano. Passou dos 1,3679 para os 1,2212 dólares em apenas quatro meses.

Mas porquê esta reação? A moeda britânica tornou-se no principal veículo para os investidores expressarem a sua oposição a esta decisão. Primeiro no referendo e depois a qualquer sinal dado pelos políticos de que o Governo está a caminho de uma saída difícil. Ou seja, um acordo com a UE que dê mais ênfase ao controlo da imigração do que à permanência no mercado da região. Um mercado que tem 500 milhões de clientes.

Depois de o mercado saber o resultado do referendo a 23 de junho, a moeda desabou mais de 8% para 1,3679 contra o dólar. Hoje segue nos 1,2212 dólares. Face ao euro regista uma subida de 0,5% para 1,1144 euros.

Libra em forte queda

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Fonte: Bloomberg (valores em dólares)

O governo de Theresa May realçou o facto de uma queda da divisa aumentar a competitividade do país. Mas esta queda reflete os receios dos investidores de que a nova relação do Reino Unido com os maiores parceiros comerciais seja, em última instância, negativa para a economia britânica.

“A grande questão aqui é porque é que a libra caiu”, questiona Swati Dhingra, do Centre for Economic Performance, em Londres. Está a cair “porque os fundamentais são fracos, ou porque a economia pode abrandar ou porque as barreiras comerciais vão aumentar — e isso parece ser o mais provável — por isso, não ajuda necessariamente a economia”, realça Swati Dhingra.

Queda não está a ajudar a economia

Prova disso é a inflação. Os preços do Reino Unido estiveram próximos de um máximo de dois anos. Mas as estatísticas dizem que há poucas evidências de que esta queda esteja a ajudar os preços a subir. O índice de preços no consumidor subiu 1,0% em termos homólogos em setembro. Tratou-se da maior subida desde novembro de 2014.

“Não há uma prova explícita de que a queda da libra esteja a impulsionar os preços dos bens de consumo”, diz Mike Prestwood, responsável pelo gabinete nacional de estatísticas do Reino Unido.

Quem ganha e quem perde

Há vencedores e perdedores com a queda da libra. As empresas exportadoras que “não são demasiado impactadas pelo aumento dos custos das importações” beneficiam com a queda da moeda, tal como as empresas cujos produtos base não têm preço em libras, explica Simon Derrick, responsável de estratégia de mercado do BNY Mellon. “A acrescentar a isto estão empresas domésticas a vender no mercado doméstico contra concorrentes que vendem produtos estrangeiros no mesmo mercado e, claro, a indústria ligada à época natalícia”, disse Derrick.

Entre os perdedores estão “empresas estrangeiras no Reino Unido que não conseguiram fazer hedging do risco cambial”, empresas com “empréstimos significativos no estrangeiro” e importadoras e empresas ligadas à industria natalícia fora do Reino Unido. “A indústria dos transportes vai assistir a um disparo dos preços de energia em libras.” Contudo, o aumento dos preços dos alimentos no Reino Unido deve ser limitado, uma vez que existe uma grande concorrência entre as retalhistas, realça Derrick.

Por outro lado, há quem diga que esta descida protege o Reino Unido no Brexit. Para Ben Broadbent, vice-governador do Banco de Inglaterra (BOE), esta queda à pique pode ajudar a economia britânica a proteger-se de eventuais choques que resultem da decisão. Quando questionado na rádio da BBC, se o BOE iria intervir caso a libra ficasse muito fraca, Broadbent afirmou que a flexibilidade da taxa de câmbio representa uma importante almofada para a economia.

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