Corticeira afunda 10% após Amorim vender posição

Desconfiança total dos investidores em relação à produtora de cortiça depois de Américo Amorim ter alienado uma fatia importante na Corticeira. Ações afundam 10%.

O negócio rendeu 105 milhões de euros à Amorim International Participations e a Investmark, sociedades detidas por António Ferreira Amorim e por Américo Ferreira Amorim, que venderam 10% da Corticeira. Mas os investidores estão a olhar para a transação com alguma desconfiança. No meio da pressão vendedora, os títulos da produtora de cortiça afundavam 9,75% até 7,82 euros. Ainda assim, a cotada liderada por Rios de Amorim continua a acumular um ganho de 30% em 2016.

“Com o principal acionista a vender 10% do capital da empresa junto de investidores institucionais, o mercado ajustou em baixa. Esta operação em específico representa uma colocação significativa do capital da empresa, o que poderá ajudar a explicar uma desvalorização tão expressiva em bolsa”, explicava ao ECO Steven Santos, gestor do BiG. “Além disso, muitos investidores parecem ter aproveitado para tomar mais-valias, visto que a ação atingiu recentemente máximos históricos. A Corticeira Amorim foi uma das poucas ações nacionais a viver um bull market em 2016″, acrescentou.

"Com o principal acionista a vender 10% do capital da Corticeira Amorim junto de investidores institucionais, o mercado ajustou em baixa. Esta operação em específico representa uma colocação significativa do capital da empresa, o que poderá ajudar a explicar uma desvalorização tão expressiva em bolsa.”

Steven Santos

Gestor do BiG

Entretanto, o PSI-20, o principal índice português, cedia cerca de 0,5% até 4.517,92 pontos, com 15 cotadas no vermelho. Com nota de destaque para as ações do setor energético.

A EDP cedia 0,24% até 2,90 euros, depois de ontem ter anunciado que lucrou menos nos primeiros nove meses do ano. A elétrica apresentou resultados líquidos de 615 milhões de euros, menos 16% que no período homólogo. Também a EDP Renováveis e a Galp, duas cotadas com grande peso no índice nacional, seguiam com perdas que não iam além dos 0,5%.

Ações da Corticeira terminam mal a semana

Fonte: Bloomberg (Valores em euros)
Fonte: Bloomberg (Valores em euros)

“A conjuntura externa deverá marcar a abertura nacional, sendo a apresentação de resultados relegada para um plano menor”, diziam os analistas do BPI no Diário de Bolsa. “O principal tema da atual conjuntura é a incerteza que rodeia a campanha eleitoral americana, quando faltam apenas quatro dias para as eleições. As sondagens continuam a apontar para uma indefinição”, acrescentaram.

Com Wall Street a registar o maior ciclo de perdas em cinco anos — após o fecho de ontem no vermelho –, o sentimento dos investidores europeus também não era muito positivo. Frankfurt, Madrid, Milão, Londres… as principais praças no Velho Continente perdiam em torno de 0,5%.

(Notícia atualizada às 8h45 com citação do BiG)

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