Os 6 livros que os alunos portugueses têm de ler e que você devia espreitar

O título talvez seja um exagero, mas ajudam certamente a ficar mais instruído. O ECO fez um levantamento dos livros lidos nas faculdades portuguesas. Conheça seis "bíblias" para o mundo dos negócios.

Não é só Harvard que tem reputação a nível mundial. As universidades portuguesas têm conseguido melhorar a sua posição no ranking internacional. É, por isso, relevante saber o que leem os alunos das faculdades nacionais para se preparem para o mundo dos negócios.

Os alunos portugueses de cursos de economia, finanças ou gestão têm o dia dominado por números, mas as letras fazem parte do conhecimento que têm de adquirir. Estas são seis escolhas dentro de toda a bibliografia que é recomendada por faculdades de todo o país. De finanças públicas a macroeconomia, passando por soft skills, capacidade de gestão e empreendedorismo, são várias as escolhas para desafiar o seu cérebro e, quem sabe, optar por regressar à cadeira do Ensino Superior.

1. Microeconomia (Paul Krugman e Robin Wells)

É um nome inevitável numa lista destas. Paul Krugman foi o Nobel da Economia em 2008, mas as suas obras, principalmente a nível académico, não são de agora. Em 2004, o economista norte-americano escreveu, com a colega Robin Wells, o livro Microeconomia. Esta é uma das leituras principais da cadeira de Economia I do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

microeconomia Paul Krugman

O livro reúne os principais fundamentos da microeconomia com a narrativa de Krugman. Lá pode encontrar exemplos, casos de estudo e novas abordagens para este ramo da economia. As palavras do académico introduzem os estudantes com instruções transversais a vários tipos de escolas ou cursos. Nada melhor para poder começar o seu estudo com um livro que lhe dará ferramentas para leituras mais exigentes.

2. A Crise Financeira Internacional

No curso de Economia da Universidade do Minho, os autores portugueses são os escolhidos para explicarem as teorias económicas aos alunos. Neste caso, o livro A Crise Financeira Internacional, publicado em 2009, pega na atualidade pós-queda do Lehman Brothers e faz o retrato da economia global antes e depois da crise. Esta foi (ou ainda é) uma crise excecional que resultou em medidas excecionais, como as que foram aplicadas em Portugal.

Publicado pela Universidade de Coimbra em 2009, o livro foca-se no papel do Estado para salvar o sistema financeiro, onde anteriormente não entrava e deixava a autorregulação dos mercados aplicar-se. “É preciso não esquecer que, nesta crise, as falhas do mercado foram também falhas do Estado, que em muitos casos optou por se manter alheado de muitos dos desenvolvimentos que estiveram na origem da crise financeira”, explicam os autores. Um livro interessante para saber as causas e efeitos de uma crise invulgar.

3. Empreendedorismo e Inovação

No ISCTE os alunos com a cadeira de empreendedorismo têm como bibliografia básica o livro de Soumodip Sarkar, o professor do Departamento de Gestão da Universidade de Évora. O autor — que passou por Northesterm e Harvard, nos EUA, e inclusive trabalhou no Harvard Institute for International Development — traz no Empreendedorismo e Inovação um retrato da inovação e empreendedorismo como duas necessidades de Portugal.

O guru em inovação explica que os portugueses têm de adotar as boas práticas de outros países, “mas também de perceber a inovação e usá-la como uma ferramenta do empreendedor”. De forma a despertar o espírito de empreendedorismo no leitor, Sarkar responde a questões como: “Empreendedorismo e criar um negócio é a mesma coisa? Os empreendedores nascem assim ou o empreendedorismo pode ser aprendido? Que características definem um empreendedor?” Se quiser saber as respostas tem de ler o livro e transformar-se num aluno empreendedor.

4. A Teoria e a Política Monetária na Atualidade

A política monetária dos bancos centrais, da Reserva Federal dos EUA ao Banco Central Europeu, tem estado na mira de todos os investidores, economistas e políticos. No curso de Economia da Universidade do Porto os alunos têm de ler o livro A Teoria e a Política Monetária na Atualidade de Paulo Mota e Abel Costa Fernandes, um manual de dois professores da Faculdade de Economia. Como premissa está o facto da economia monetária ser importante na condução da política económica no enquadramento atual.

politica monetaria

“Da sua leitura resulta igualmente um conhecimento aprofundado do funcionamento dos bancos centrais, enquanto autoridades monetárias, com especial ênfase no caso do Banco Central Europeu e, também, da Reserva Federal dos Estados Unidos da América”, explicam os autores. O livro tem vários exemplos, com resoluções à medida que avança na leitura, para fazer o retrato da política monetária na atualidade. O livro foi publicado em 2015.

5. Strategic Management

Stategic Management é uma prova de fogo. Tem 464 páginas e faz parte da bibliografia do Master in Management (mestrado em gestão) da NOVA School of Business. Da autoria de Garth Saloner, Andrea Shepard e Joel Podolny, o livro foca-se nas capacidades de gestão necessárias para levar um negócio a bom porto. Se quiser ser um gestor no futuro, este livro pode prepará-lo exaustivamente para essa responsabilidade.

Os autores garantem que o livro tem as ferramentas e os conceitos necessários para construir as capacidades de gestão. O objetivo é ajudar gestores a pensarem estrategicamente para estabelecer progressos.

6. Crise e Castigo – Os desequilíbrios e o resgate da economia portuguesa

Com prefácio de Durão Barroso, Crise e Castigo é um livro recente (de abril de 2016) da autoria de Luís Aguiar-Conraria, Fernando Alexandre e Pedro Bação. No seguimento do livro sobre a crise internacional, esta leitura é um complemento para perceber o passado da economia portuguesa, nomeadamente os desequilíbrios que Portugal tinha e continuou a ter. O marco principal é o resgate da Troika, um momento decisivo nas finanças públicas portuguesas. Este é um dos livros que os alunos de Economia da Universidade do Minho têm de ler.

crise e castigo

Os autores do livro publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos referem-se ao período pós-integração europeia como o que provocou um maior agravamento dos desequilíbrios, ao contrário do que se poderia pensar. Porquê? Os autores falam da “persistência num modelo económico esgotado e do crédito fácil”. “A longa estagnação e a crise financeira internacional conduziram ao terceiro pedido de resgate no pós-25 de Abril, desta vez a uma Troika. As causas da crise e o castigo que se lhe seguiu são o tema deste livro”, rematam.

Editado por Paulo Moutinho

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