Novo crédito à habitação cresce 50% em 2016

Nos nove primeiros meses deste ano, os bancos concederam mais de quatro mil milhões de euros em novo crédito à habitação.

O ano de 2016 está a ser marcado pela recuperação do crédito para a compra de casa, para níveis anteriores à crise financeira. Dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal indicam que nos nove primeiros meses do ano os bancos concederam mais de quatro mil milhões de euros em novos empréstimos para a aquisição de habitação. É o nível mais elevado dos últimos seis anos.

A maior disponibilidade dos bancos para financiar este tipo de operações, cuja face mais visível é a redução dos ‘spreads’ aplicados, sustenta um crescimento de 51% no montante total do novo crédito à habitação concedido no acumulado do ano, ascendendo a um total de 4.173 milhões de euros no final de setembro. Seria necessário recuar até ao mesmo período de 2010, para assistir a níveis de concessão mais elevados. Nessa altura, os bancos disponibilizaram 7.805 milhões de euros em novos empréstimos para a compra de casa.

Este aumento no acumulado do ano inclui já os 512 milhões de euros concedidos em novos empréstimos para a casa durante o mês de setembro. De acordo com o Banco de Portugal, as novas operações subiram ligeiramente face aos 477 milhões concedidos em agosto, mas na comparação homóloga regista-se um crescimento expressivo: aumentou 36% face 376 milhões em setembro de 2015.

Concessão de novo crédito para compra de casa em recuperação

Fonte: BDP (Valores em milhões de euros, no final do 3º trimestre)
Fonte: BDP (Valores em milhões de euros, no final do 3º trimestre)

A finalidade de aquisição de compra de casa é o principal motor que alimenta o crescimento dos níveis de concessão de crédito às famílias, em Portugal, num cenário para o qual o crédito ao consumo também contribui.

Nos primeiros nove meses deste ano, os novos empréstimos ao consumo cresceram 22,73%, para atingir um total de 2.781 milhões de euros. Numa análise comparativa, em termos homólogos, trata-se do valor mais elevado dos últimos oito anos.

Em contraciclo, de salientar a quebra dos empréstimos com outros fins concedidos aos particulares. Até setembro, foram concedidos 1.425 milhões de euros de empréstimos com essa fim, menos cerca de 10% face aos 1.579 euros que tinham sido disponibilizados no mesmo período de 2015. Trata-se ainda do valor acumulado mais baixo desde 2012.

Em termos globais, o crédito aos particulares aumentou 26,8%, este ano, para um total de 8.379 milhões de euros, o montante mais elevado desde o mesmo período de 2011.

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