Em atualização Mercados no vermelho com vitória de Trump

Os futuros sobre o Dow Jones estão a afundar 1,4% e o peso mexicano está em queda livre de 8%. Bolsas europeias abriram no vermelho.

A vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas atirou os mercados para o vermelho. As bolsas europeias abriram a cair mais de 1% — no PSI-20 a quebra foi de 3% –, o ouro está em máximos desde o Brexit e o petróleo está a cair.

Os futuros dos principais índices norte-americanos estão a apontar para uma abertura de Wall Street em queda. Os contratos futuros sobre o S&P 500 estão a perder 1,76% e o Dow Jones perde 291 pontos, o que equivale a uma queda percentual de 1,59%.

O sentimento de pânico dos investidores também já contagiou o mercado cambial, com o dólar a registar uma quebra de 3% face ao iene. O peso mexicano já esteve a perder 13%, naquele que é o maior tombo das últimas duas décadas.

A última vez que os mercados foram fortemente abalados por um evento politico foi em Junho, quando os britânicos, também contra todas as sondagens, votaram a favor do Brexit. Nessa altura, no espaço de dois dias, o índice S&P 500 acumulou uma perda de 5,3%.

“Com cada vez mais votos contados e com o cenário de uma vitória de Trump a ganhar forma, os mercados estão a afundar. Este cenário apanhou muitas pessoas desprevenida. Estamos todos muitos surpreendidos”, disse Karl Goody, um gestor de ativos de Sidney à agência Bloomberg, horas antes de ser dada a vitória a Donald Trump.

As sondagens e as casas de apostas (com probabilidades acima dos 80%) davam esta terça-feira a vitória aos democratas. Uma aposta que se veio a revelar totalmente errada.

A maior queda do peso desde a crise da Tequilla

No mercado cambial, além da desvalorização do dólar, o fator mais relevante tem sido o comportamento do peso mexicano que chegou a afundar 13% para um novo mínimo histórico.

Segundo o Financial Times, é a maior queda diária desde 1994 quando o país chegou a uma situação de quase bancarrota e foi obrigado a desvalorizar a moeda. Na altura da chamada crise da Tequilla, os mexicanos receberam a ajuda dos EUA e do FMI.

Agora, com a vitória de Trump, a economia mexicana pode voltar a sofrer um grande abalo. O republicano já disse que queria construir um muro na fronteira com o México, travar a imigração e rever os acordos de livre comércio com vários países. Mas a dura realidade e o custo astronómico deste projeto podem dificultar o cumprimento desta promessa eleitoral.

Segundo o Financial Times, que cita o jornal mexicano Reforma, a ministra dos Negócios Estrangeiros mexicana estava a dirigir-se para uma reunião de emergência no palácio presidencial.

Ouro com maior subida desde o Brexit

Nestas alturas de forte turbulência nos mercados, os investidores tendem a procurar ativos mais seguros para colocarem o dinheiro. É o caso do ouro que está a subir 4,8% para 1.337,38 dólares a onça, máximos de setembro.

Segundo a agência Bloomberg, esta é a subida diária mais expressiva desde junho, quando os britânicos votaram favoravelmente o Brexit.

Bem ou mal, a vitória de Trump é vista pelos mercados como um evento de risco”, justificou Ric Spooner, estratega do CMC Markets Asia Pacific Pty, em declarações à agência norte-americana.

Petróleo reage negativamente

O mercado petrolífero está a reagir muito negativamente à vitória de Donald Trump. Os preços da matéria-prima estão a cair quase 2%, num dia que começou marcado pelo arranque das principais praças europeias e norte-americanas no vermelho.

O Brent, negociado em Londres, segue em baixa de 1,6% para 45,31 dólares por barril. Já o WTI, negociado em Nova Iorque, cai 1,7% para 44,20 dólares por barril. “Uma presidência de Donald Trump vai significar protecionismo e isso pode traduzir-se em mais subsídios para as empresas e produtores de petróleo dos EUA”, diz um trader de petróleo em Singapura. Isto numa altura em que o objetivo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) é cortar a produção. Os futuros do WTI chegaram a cair 4% e o Brent cedeu mais de 3% durante a sessão asiática.

Brent afunda quase 2%

Fonte: Bloomberg
Fonte: Bloomberg

 

Ações Europeias com perdas acima de 1%. IBEX afunda mais de 2%

A vitória de Trump nas presidenciais norte-americanas está a ditar perdas um pouco por todas as praças bolsistas do Velho Continente. O índice Europe Stoxx 600 recua 1,23%, para os 330,8 pontos. Mas o IBEX é o índice nacional mas pressionado da Europa, sofrendo as perdas mais extensas desde a vitória do Brexit: recua 2,45%.bbc

Maré vermelha nas bolsas também chega a Lisboa. PSI-20 tomba 3%

A praça lisboeta acompanha o sentimento negativo das pares mundiais, com o PSI-20 a tombar 3,1%, para os 4.420 pontos, e 13 dos seus títulos a registarem perdas acima de 2%. A Mota-Engil e o BCP são os títulos que mais perdem: 7% e 6%, respetivamente. Mas são as energéticas que mais peso exercem: a EDP e a EDP Renováveis recuam mais de 4%.

 

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Apostas na subida de juros em dezembro nos EUA cai abaixo dos 50%

Cenário de vitória de Trump nas presidenciais dos EUA e a esperada volatilidade nos mercados financeiros faz baixar as apostas em relação à possibilidade de uma subida de juros no próximo mês para 47%. Ontem, ao final do dia, as apostas eram de 82%.

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