Novo Banco: Vender “depressa e bem, não há quem”

  • Leonor Rodrigues
  • 10 Novembro 2016

O CEO do Novo Banco afirma que, independentemente do resultado do processo de venda da instituição financeira, está disponível para continuar o trabalho no banco. "Vim para ficar", diz.

O Novo Banco apresentou, pela primeira vez, lucros de 3,7 milhões de euros num trimestre. Na apresentação de uma nova exposição de fotografia no Marquês de Pombal, em Lisboa, o CEO sublinhou que os resultados mostram que o banco está a ir na direção certa. E que mesmo com a venda, está disponível para ficar. E quando será a venda? “Depressa e bem, não há quem”.

“São apenas resultados trimestrais e devem ser entendidos com cautela”, afirmou António Ramalho aos jornalistas. E acrescentou que estes resultados positivos são a prova de como “estamos na direção certa e isso é o mais importante“. António Ramalho salientou o esforço de contenção dos custos que o banco tem feito, “25% num ano não é algo muito fácil de fazer num ano em nenhuma parte do mundo”, e o crescimento de 7,5% nas receitas de produtos bancários, afirmando que “o resultado é positivo”.

Quanto ao facto de o prazo de apresentação das propostas de compra do Novo Banco ter encerrado antes de se saberem estes resultados, Ramalho desvaloriza: “o banco está concentrado na solidez do seu balanço” mas refere que “encontrar um novo acionista é um dever para esta instituição desde a sua criação”, ainda que a principal preocupação seja trazer o banco criado em 2014 “para a normalidade”.

O CEO mostra-se positivo relativamente ao facto de existirem condições para a venda do Novo Banco até ao final do ano e transfere essa responsabilidade para o Fundo de Resolução, aplicando o mesmo princípio à possibilidade da referida venda ser feita de forma direta. Mas não quis “comentar rigorosamente nenhuma proposta” por questões de confidencialidade.

“Cabe ao Fundo de Resolução avaliar as propostas e tomar a sua decisão”, disse. E para quando uma resposta do Banco de Portugal quanto às propostas apresentadas? Ramalho afirma que “seria muito indelicado da minha parte pôr pressão“, sublinhando que “depressa e bem, não há quem”.

Quanto à permanência do gestor no Novo Banco depois do processo de venda, António Ramalho afirmou que, da sua parte, veio “para ficar”. “Quando cheguei ao Novo Banco disse, e tenho repetido, que vim para ficar. Naturalmente, só ficarei se os acionistas assim o entenderem“, afirmou.

(Notícia atualizada às 19h48 com mais declarações de António Ramalho)

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