Luta chineses vs angolanos no BCP? Acções sobem

Pedido da Sonangol ao BCE para autorizar o reforço da sua participação no banco alimenta cenário de disputa com a Fosun pelo controlo do BCP. Ações do banco sobem mais de 4%.

O BCP reportou ontem prejuízos, mas tal não se está a refletir em bolsa. Antes pelo contrário. As ações do banco liderado por Nuno Amado aceleram acima de 4% com o mercado a refletir a notícia de que a Sonangol pretende reforçar a sua posição no capital do banco. Ações já chegaram a disparar 4,95%.

Tal como noticiou o ECO esta quarta-feira em primeira mão, a empresa angolana pediu autorização ao BCE para ultrapassar a barreira dos 20% na sua participação no BCP. Um pedido que poderá sinalizar um eventual interesse em reforçar a sua atual posição de 17,84% no BCP e manter, assim, a relação de forças com a Fosun, que pretende ser o novo acionista de referência do banco.

Recorde-se que a Fosun, enviou um comunicado à CMVM, no dia 30 de julho, no qual assumiu o interesse em entrar no BCP. De acordo com o referido comunicado ao mercado, a empresas chinesa “propõe-se subscrever um aumento de capital reservado unicamente à Fosun, a deliberar pelo Conselho de Administração do BCP ao abrigo da aprovação dos acionistas na assembleia geral do passado dia 21 de abril, através da qual, aos níveis atuais, a Fosun passaria a deter uma participação de aproximadamente 16,7% do total de ações representativas do capital social do BCP”. A Fosun admitia ainda aumentar a sua participação, em modo a decidir, nomeadamente um novo aumento de capital, para chegar a uma posição entre 20% e 30%.

Terá sido, aliás, por causa do pedido da Sonangol que a votação relativa ao segundo ponto da ordem de trabalhos da assembleia geral de acionistas — sobre o aumento do limite de votos de 20% para 30% — foi adiada para o próximo dia 21 de novembro. É que, afinal, não são apenas os chineses da Fosun que querem ver o alargamento a limitação de votos para 30%.

Perante este cenário, os títulos do BCP registam um ganho de 4,10%, para os 1,1971 euros, desvalorizando os prejuízos reportados ontem pelo banco liderado por Nuno Amado. No terceiro trimestre deste ano, o BCP registou um prejuízo de 54 milhões de euros, que compara com um lucro de 24 milhões de euros em igual período do ano passado. Já em termos acumulados, os prejuízos da instituição financeira ascenderam a 244 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. No acumulado do ano, as ações do BCP desvalorizam 67%.

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