OPEP deve falhar acordo petrolífero, alerta a AIE

  • Rita Atalaia
  • 10 Novembro 2016

Estão a diminuir as hipóteses de a OPEP chegar a um acordo para reduzir a produção, alerta a Agência Internacional de Energia. Produtores rivais devem aumentar a produção em 2017.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) está cada vez mais longe de alcançar um acordo para cortar a produção de petróleo. O alerta é da Agência Internacional de Energia (AIE). A agência diz que os produtores rivais devem aumentar a produção em 2017 e complicar o desafio do cartel de definir os detalhes do acordo até ao final de novembro.

Os preços do petróleo podem cair novamente devido ao “crescimento persistente da oferta global” de petróleo, a não ser que a OPEP avance com cortes “significativos” da produção, diz a AIE no seu relatório mensal sobre o mercado petrolífero. Os países fora do cartel, como o Brasil, Canadá, Cazaquistão e Rússia, vão aumentar a produção em 500 mil barris por dia em 2017, refere a agência de energia.

A OPEP vai reunir-se a 30 de novembro para finalizar os detalhes do acordo para reduzir a produção da matéria-prima, que foi alcançado no final de setembro. Embora o acordo tenha ajudado inicialmente os preços do petróleo a subir acima dos 50 dólares por barril, a matéria-prima está a recuar desde então. E a incerteza de que este acordo vai mesmo avançar é que parece estar na base desta descida. Entre os países produtores, o Iraque e o Irão dizem que querem ficar de fora deste compromisso. Já a Rússia diz estar disposta a congelar a produção, se o cartel conseguir chegar a acordo sobre os cortes.

Recentemente, o Brent subia 0,7% para 46,70 dólares por barril, enquanto o WTI segue pouco alterado nos 45,25 dólares por barril. “Se não for alcançado um acordo e alguns países continuarem a aumentar a produção, então o mercado vai continuar com um excesso de oferta até ao final do ano”, diz a AIE. “Se o excesso de oferta persistir em 2017, poderá haver algum risco de os preços do petróleo voltar a cair”, conclui a agência.

No relatório mensal, a agência considera “improvável” que a vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas venha alterar “significativamente” o mercado do petróleo. A AIE diz esperar “mais detalhes” sobre as políticas de Trump para o setor energético para depois analisar as possíveis consequências para o mercado, a médio prazo.

AIE aumenta estimativas para a oferta

A AIE acredita que este excesso da oferta vai continuar no próximo ano. A agência aumentou as estimativas para a oferta dos países fora da OPEP em 110 mil barris por dia. Esta projeção baseia-se na perspetiva de que a Rússia vai produzir 190 mil barris por dia em 2017. Portanto, a produção fora do cartel vai totalizar 57,2 milhões de barris por dia no próximo ano, de acordo com o relatório.

Embora o mercado petrolífero conseguisse “passar muito rapidamente de um excesso para um défice em 2017”, caso a OPEP implemente o acordo conseguido no final de setembro, isso exigiria “cortes significativos” da produção, refere a a AIE. A OPEP decidiu na Argélia reduzir a produção para um intervalo entre 32,5 milhões e 33 milhões de barris por dia.

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