Barcelona vai ignorar Banco de Espanha e implementar moeda local

  • Marta Santos Silva
  • 15 Novembro 2016

"Impossível, além de ser indesejável", disse o Banco de Espanha. Mas Ada Colau quer levar o projeto adiante: uma moeda própria para manter em Barcelona o dinheiro gasto em Barcelona.

A ideia deverá começar a ser testada no ano que vem e implementada definitivamente em 2019: Barcelona vai ter uma moeda própria. O banco central espanhol já mostrou o seu desagrado com a ideia mas a presidente da Câmara Ada Colau, que tinha a moeda local no seu programa eleitoral, não se vai deixar demover.

A presidente da Câmara anunciou esta segunda-feira o projeto segundo o qual vai implementar esta moeda local, começando um programa piloto nas zonas mais pobres da área metropolitana primeiro, em 2017, até à instalação definitiva da moeda na região em 2019. Ainda não se sabe se vai ser uma moeda virtual ou física ou como se vai chamar, entre outros pormenores que fala adiantar.

A ideia é incentivar os gastos em negócios da região, visto que as grandes empresas multinacionais não devem aceitar esta nova moeda, criando uma maior proximidade entre os residentes de Barcelona e os negócios locais.

"Pelo enunciado do projeto, parece-me impossível, para além de ser indesejável.”

Fernando Restoy

Subgovernador do Banco de Espanha

Barcelona não será a primeira cidade a ter uma moeda local. Em Bristol, onde há já três anos se usa a “Libra de Bristol”, o programa tem sido bem-sucedido, defende o CEO, Ciaran Mundy, citado na revista Forbes: enquanto com a libra, 80% do dinheiro gasto sai da zona local, com a Libra de Bristol, 60% fica na região.

Mas nem todos veem a introdução de uma moda local com bons olhos. Destaca-se o subgovernador do Banco de Espanha, que já no ano passado tinha anunciado que a moeda própria, além de parecer impossível, também não era desejável. Os seus objetivos “podem ser conseguidos por vias mais compatíveis com o ordenamento económico em que vivemos”, disse Fernando Restoy, citado pelo El Diario, reagindo ao facto de a proposta se encontrar no programa da então recém-eleita Colau. Nem acreditava que a moeda viesse a ser posta em prática.

Agora, ao El País, fontes próximas do Banco de Espanha disseram que “qualquer moeda informal, sem marco normativo, sem um regulador ou uma supervisão adequada é indesejável”. O projeto ainda está numa fase preliminar, mas com o anúncio de hoje dá assim mostras de ir para a frente.

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