Portugal paga mais por dívida de curto prazo

O IGCP foi ao mercado colocar dívida de curto prazo. E num contexto de agravamento das taxas, acabou por pagar mais. A taxa a 12 meses subiu para 0,005%.

Portugal foi ao mercado colocar 1.500 milhões de euros. E pagou mais por estes títulos de dívida de curto prazo, reflexo do agravamento recente das taxas nos mercados. Manteve um juro negativo no prazo a seis meses, mas a taxa a 12 passou para terreno positivo.

O IGCP colocou 250 milhões de euros no prazo mais curto, a seis meses. A taxa subiu, mas manteve-se em terreno negativo, com Portugal a obter um juro de -0,027%. Na última operação comparável, segundo a Bloomberg, o juro tinha sido de -0,033%.

No caso dos títulos de mais longo prazo, a taxa passou a ser positiva. Portugal colocou a maior “fatia” dos 1.500 milhões de euros em títulos com maturidade em novembro de 2017 (um prazo de 12 meses). Os 1.250 milhões contaram com um juro de 0,005%, isto numa operação em que a procura superou a oferta em 1,57 vezes (na anterior tinha sido superior: 1,6 vezes). Na última operação, a taxa a 12 meses tinha sido de -0,014%.

Juros da dívida em alta

Fonte: Bloomber (Valores em percentagem)
Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)

As taxas subiram ligeiramente face aos leilões anteriores, num movimento que acompanha a curva de toda a dívida europeia nas últimas sessões. Houve um ajuste em praticamente todos os países, e as BT seguem as obrigações”, nota Filipe Silva, responsável pela negociação de dívida no Banco Carregosa.

Teria sido interessante perceber de que forma uma colocação de longo prazo teria excedido as expectativas, já que o clima de apetite pelo risco é grande após a eleição de Donald Trump

Tiago da Costa Cardoso

Gestor da XTB

Marisa Cabrita, gestora de ativos da Orey Financial, nota que “considerando o sell off observado no mercado obrigacionista, um pouco por todo o lado, depois da eleição de Donald Trump, e que levou à subida das yields, os resultados do leilão de hoje podem ser considerados positivos“.

Teria sido interessante perceber de que forma uma colocação de longo prazo teria excedido as expectativas, já que o clima de apetite pelo risco é grande após a eleição de Donald Trump”, refere Tiago da Costa Cardoso, gestor da XTB.

Assistiu-se a um agravamento que reflete a subida dos juros da dívida portuguesa e de outros países da Zona Euro nas últimas semanas, depois da eleição de Donald Trump para presidente dos EUA. Os investidores estão a antecipar o fim dos juros baixos com base nas políticas de Trump.

A yield portuguesa a 10 anos sobe 11 pontos base, para se fixar acima da fasquia dos 3,5%, nos 3,604%. Trata-se da taxa mais elevada desde fevereiro. No mesmo sentido, seguem as taxas espanhola e italiana, que agravam no mesmo prazo perto de seis pontos e quase sete pontos, respetivamente, para 1,517% e 2,033%. As Bunds a 10 anos sobem quase três pontos base, para 0,333%, um máximo de janeiro.

(Notícia atualizada com comentários de analistas à emissão de bilhetes do Tesouro)

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